sexta-feira, 16 de setembro de 2016

UM SCRIPT NA WSL?

Reflexões sobre a etapa 2016 da Califórnia

Essa história é recente, bem recente. Muita polêmica ocorreu, não só na bateria de Gabriel Medina (acintosa), mas também em outras baterias do Hurley Pro 2016 realizado em Trestles, no sul da Califórnia. Nesta postagem voltarei a dar asas a um dos aspectos que sempre gostei como jornalista de surf, a cobertura e analise de campeonatos.

IMAGEM CAPTURADA DO SITE DA ESPN BRASIL

As ondas de Trestles são consideradas o paraíso do surf de alta performance, raramente passam dos 2 metros e proporcionam uma plataforma perfeita para um display das manobras mais modernas e também do surf de linha, para esquerda e direita. Um prato cheio para os melhores surfistas de qualquer tempo.
As competições em Lower Trestles tem sido um termômetro da percepção do surf de vanguarda desde o final dos anos 80, quando Christian Fletcher mandou aéreos com maior consistência. Logo em seguida Kelly Slater deu seu show no Body Glove Surfbout, vencendo o campeonato que foi registrado no filme Kelly Slater in Black and White, cunhando a célebre frase: “It’s the morning of the finals” em que a câmera (no estilo reality show) pega o garoto, com 18 anos na ocasião, acordando na cama e o acompanha até o pódio. O surf que ele apresentou naquela manhã de 1990 era um vislumbre do futuro do esporte.
Entre eventos do WQS, do Circuito Americano, NSSA e a partir dos anos 2000 do WCT, as ondas de Lowers foram palco de algumas das apresentações mais impressionantes, por vezes dominantes (no caso de Slater), do surf mais moderno da hora. Slater venceu meia dúzia de etapas do WCT lá. Os brasileiros Miguel Pupo, Gabriel Medina e Filipe Toledo também venceram, mas apenas etapas do QS. Com performances estupendas.
Neco Padaratz e Fabinho Gouveia fizeram uma final de WCT na Califórnia, mas foi em Huntington Beach, em 1999, uma das três finais do WCT 100% brasileiras, as outras foram em 1977, com Daniel Friedmann e Pepê Lopes no Waimea 5000 e a mais recente final do Rip Curl de Portugal, em 2015, com Filipinho e Ítalo Ferreira em Peniche. Porém, em Trestles, uma vitória brasileira no WCT está escalada para a história futura do surf.

FILIPE TOLEDO FOI O BRASILEIRO QUE MELHOR SE APRESENTOU EM 2016
FOTO RECORTADA DO SITE DA WSL

Este aéreo de Filipinho foi na semifinal em que acabou desclassificado por Jordy Smith. Valeu um 8,33 por esta única manobra contundente. Com ondas escassas, mesmo em uma bateria de 35 minutos, Filipe fechou a bateria com prioridade, aguardando uma onda que lhe proporcionasse um nove e pouco (“no big deal” – coisa fácil para ele), caso a onda que ele precisava viesse. Todos os locutores da WSL, inclusive os internacionais, consideravam Filipe o favorito naquele evento. A aguardada onda nunca veio. O sul africano Jordy mereceu a vitória.
Acho fascinante todo esse progresso e acompanhando o evento pela internet e pela ESPN Brasil, de meu escritório na capital paulista é possível tomar um bom juízo jornalístico. Trabalho com o computador e TV ligados, acompanhando e pesquisando sobre tudo que acontece no mundo do surf.

NESTE CASO RECENTE TEMOS EM TEMPO REAL, IAN GOUVEIA A CAMINHO DE SUA VITÓRIA EM AÇORES NO WEBCAST, ENQUANTO ASSITO BRAZILIAN STORM PASSANDO NO CANAL OFF E YAGO DORA EM BATERIA DO VOLCOM PIPE PRO 2016

A FAÇANHA MAIS RECENTE QUE TEMOS PARA COMEMORAR É A VITÓRIA DA “DINASTIA GOUVEIA” NO CAMPEONATO DE AÇORES, UMA EVENTO EM QUE OS BRASILEIROS SE SENTEM EM CASA E CHEGAM JUNTO
NA FOTO JUSTINE DUPONT (FRA) CAMPEÃ FEMININA E IAN GOUVEIA
FOTO: MASUREL / WSL

A perna europeia da WSL está em full swing e no final de setembro teremos os eventos de Cascais, um WCT para as mulheres e uma etapa do QS 10000 decisiva para os homens, mas o assunto agora é o Hurley Pro em Trestles, vamos voltar para lá.

NESTE EVENTO OUTRO GRANDE DESTAQUE BRASILEIRO FOI A PARTICIPAÇÃO DO ROOKIE ALEX RIBEIRO, QUE CONSEGUIU SUA MELHOR CLASSIFICAÇÃO DO ANO, UM QUINTO LUGAR, EXIBINDO O SURF QUE O LEVOU À ELITE
REPRODUÇÃO DO SITE SURFGURU


A POLÊMICA & O JULGAMENTO

O caso da bateria de Gabriel Medina contra Tanner Gudauskas teve repercussão mundial. Hoje, com as redes sociais borbulhando, o barulho fica grande. Fiz uma varrida em diversos comentários que pincei da internet e irei costura-los aqui abaixo. Até fiz questão de deixar esta poeira baixar um pouco para fazer uma analise mais fria, fora do calor daquele momento crucial. Aliás, acho que a família Medina faz bem de abandonar a área como um relâmpago. Charles mostrou sua indignação e deram pista dali. Minutos após a bateria a transmissão oficial do evento mostrou o “locker” (armário) de Medina totalmente vazio. Gabriel fez um breve relato no Instagram de que estava “cansado” e sumiram da cena. BOM. É hora de reagrupar e pensar nas etapas da Europa. Afinal, a bola ainda está em campo e a onça só deve beber água no Hawaii.
Na minha opinião Medina venceu aquela bateria. Foi apertado, mas o erro dos juízes no início da bateria não justifica a forma como eles provocaram o desfecho da peleja. Mesmo antes dos comentários de Kelly Slater, sempre sábios e com conhecimento de causa, eu também havia refletido e ficava a pulga atrás da orelha da armadilha em que os juízes haviam se metido ali.

2 COISAS – VEJAM O QUADRO DE NOTAS

1
Na primeira troca de notas: o 8,5 de Tanner foi mal julgado (ou melhor o 8,83 de Medina foi super-avaliado) e eles tentaram corrigir isso na segunda nota. Em minha opinião a primeira onda de Gudauskas foi um pouco melhor que a do Gabriel. Isso gerou aquela situação alarmante no final da bateria, na qual a onda de 7 (sete) manobras fortes do Medina valeu apenas 8,30.
2
Que fique bem claro, eles sempre negarão isso de pés juntos, mas não precisa – é justo e natural. Vamos assumir: as notas vão sendo dadas ao longo da bateria, o importante é que no trâmite daqueles 30 ou 35 minutos seja declarado vencedor o cara que surfou melhor, naquelas condições. Muitas vezes (na grande maioria das vezes sai o resultado justo) uma bateria fica tão apertada, que poderia ir para qualquer lado. E os juízes tem que decidir isso. Nesta bateria específica, as duas melhores ondas de Gabriel deveriam ter lhe proporcionado a vitória.

GABRIEL MEDINA, COMO ERA ESPERADO, ESTEVE ARRASADOR EM LOWER TRESTLES, PASSOU UMA BATERIA COM INTERFERÊNCIA E TUDO E SAIU DA COMPETIÇÃO DE FORMA DUVIDOSA. SEU SURF É DE CHEGADA, NÃO IMPORTA A LOCAÇÃO, ESTÁ APTO AO PÓDIO EM TODA E QUALQUER ETAPA DO WCT E ACREDITO QUE DURANTE A SUA CARREIRA VENCERÁ EM CADA UMA DAS LOCAÇÕES
A REVISTA SURFAR PUBLICOU A COMPARAÇÃO DAS DUAS ONDAS DECISIVAS, MAS A IMAGEM FOI RETIRADA PELA WSL REIVINDICANDO OS DIREITOS


A WSL ainda não se manifestou sobre isso e talvez nem o faça.
Mas, com certeza, haverá uma série de reuniões internas e muita reflexão para que haja uma evolução em todos os aspectos da WSL e o julgamento é um dos fatores chave de credibilidade do esporte. Tenho certeza que o processo vai continuar seu ciclo de aprimoramento.
ABAIXO alguns recortes da internet que fiz para ilustrar esta postagem:


NO SITE EUROPEU SURFER’S VILLAGE A CHAMADA COMENTAVA QUE A “CONTROVÉRSIA DE JULGAMENTO ESTAVA QUENTE” E DESTACA A OPINIÃO DE KELLY
 A SURFING LIFE AUSTRALIANA DISSE “TENSÃO CONTINUA A FERVER A RESPEITO DO JULGAMENTO DA WSL” E TRAZ UMA IMAGEM DE JEREMY FLORES FAZENDO O MESMO GESTO DE MEDINA, APLAUDINDO OS JUÍZES

NO SITE WAVES OS COMENTÁRIOS DE RENAN ROCHA E EDINHO LEITE APARECEM ILUSTRADOS COM OS APLAUSOS DE MEDINA

NOS FORUMS DA WSL TODO O TIPO DE COMENTÁRIO


O SITE SURFLINE FEZ UMA ENQUETE COM DIVERSOS SURFISTAS PROFISSIONAIS, PERGUNTANDO O QUE PODERIAM SUGERIR PARA QUE ESTA QUESTÃO DO JULGAMENTO DO WCT PUDESSE MELHORAR


ÍCARO CAVALHEIRO UM DOS JUÍZES DO QUADRO DA WSL
CAPA DA REVISTA HARDCORE EM OUT \ 1992

Não acredito em uma conspiração de julgamento, nem que a WSL deseje induzir um determinado campeão. Os juízes que assumem o posto para julgar a elite são os mais tarimbados do mundo. Ícaro e Luli Pereira estão hoje entre juízes de todos os centros de surf mundial. Ainda farei uma postagem especial aqui neste blog falando sobre os juízes brasileiros, com trechos de entrevistas que me ajudarão a montar o capítulo do livro que falará sobre o trabalho deles. Uma linhagem que começou com Penho, que trouxe os parâmetros de julgamento, após participar do Campeonato de Makaha, ainda nos anos 1960, ajudou Paulo Issa, de cima de cadeirões, nos primeiros Festivais de Ubatuba... Toda nossa estruturação com Xandi Fontes, Jordão Bailo, Rominho Fonseca (os primeiros que atuaram na ASP), passando por Arnaldo Spyer (primeiro Head Judge da Abrasp), Sergio Gadelha, Lapo Coutinho, Renato Hickel, que ascendeu ao posto de Head Judge da ASP e hoje é um dos gerentes da WSL.  
Aqui neste blog já me debrucei sobre a análise do julgamento, vejam nas postagens da virada deste ano, quando da ocasião do título de Adriano de Souza. Não é o caso de ficar defendendo os juízes, como o próprio Jeremy Flores colocou, “o trabalho deles não é fácil”, mas com o nível das transmissões de hoje em dia, sendo escrutinizadas por especialistas e leigos “profissionais”, não só os atletas, mas os juízes também ficam na berlinda.
Tudo isso toma um segundo plano, pois o circo não pode parar e no início do próximo mês teremos as duas etapas da perna europeia, tradicional região em que os brasileiros ficam à vontade e tem sucesso nos beach breaks do Velho Mundo. Gabriel Medina já venceu dois eventos do WCT em Hossegor, sem contar a final do Quiksilver King of the Groms, ao lado de Caio Ibelli, em 2009, ambos eram teens. Nossos campeões têm história ali e Adriano de Souza também venceu uma final (do WQS) em Hossegor, tendo ao seu lado Odirley Coutinho, isso foi em 2005, na época o campeonato era patrocinado pela Rip Curl, um evento 7 estrelas!!! Isso foi na década passada. Agora é o momento de olhar para a temporada de 2016.

A CORRIDA PELO TÍTULO
Independente do que aconteceu em Trestles, com três etapas e 30.000 pontos em jogo a corrida está aberta e só teremos uma figura mais clara da situação após a etapa de Portugal. John John Florence pode chegar para Pipeline com o título sacramentado, por outro lado, os 12 primeiros surfistas do ranking e mais, até Michel Bourez (13º) com duas vitórias na França e Portugal, pode entrar na briga. Ítalo, Mineiro e Filipinho ainda guardam chances matemáticas de entrar nessa briga, vejam o ranking pós Califa:


Essa temporada está bastante atípica. Reparem que tanto John, como Gabriel estarão segurando uma pontuação de 13º. Os descartes entrarão em cena apenas após a etapa de Portugal, aí que surge a vantagem de Matt Wilkinson, pois ele tem duas pontuações de 500 para jogar fora, enquanto Gabriel e John descartam sempre 1.750 pontos. Caso Wilko tenha um bom resultado em uma das duas etapas da Europa, chegará ao Hawaii firme no jogo.
John John Florence e Gabriel Medina, vencedores das mais recentes etapas do Quiksilver Pro France são francos favoritos, mas se analisarmos com calma o ranking desta doida temporada, podemos ver que qualquer um dos surfistas da imagem acima (exceto por Fanning que tirou o ano sabático), pode chegar no Billabong Pipeline Masters como postulante.
Então, nos resta apreciar a peleja e torcer para que os juízes da WSL também estejam inspirados para que o título mundial, desta nova bela taça da WSL seja agraciado sem controvérsias, como tem sido nos últimos anos. E de forma espetacular.

CARISSA MOORE E MINEIRINHO, CAMPEÕES DE 2015. NOVA TAÇA DA WSL
COM AREIA DAS PRAIAS E NOME DOS CAMPEÕES ENCRUSTADOS NO INTERIOR
OS NOVOS CAMPEÕES SERÃO GRAVADOS DO LADO EXTERNO
FOTO: CESTARI \ WSL


Minha suspeita (chute) é que chegaremos ao Billabong Pipeline Master 2016 com novamente 6 candidatos com chances matemáticas ao título. Isso seria o mais emocionante. Mas chegou a hora de polemizar mais um pouco e voltar ao título desta postagem. É óbvio que para a WSL seria lindo John John chegar ao seu merecido e sonhado título, ou até (mais memorável ainda) Kelly Slater ganhar a inusitada 12ª taça. Esse seria um SCRIPT PERFEITO para fechar esta temporada. Mas é óbvio que o slogan da entidade deverá ser levado à risca e chegada a etapa havaiana, tudo pode acontecer. Só resta nos acomodarmos melhor na poltrona, ou para os mais sortudos, achar um lugar macio nas areias de Pipeline e deixar a coisa acontecer. Que vença o melhor do ano, que seja merecido e que ondas especiais, melhores que as do ano passado, venham brindar o dia decisivo.
Em breve novas postagens aqui neste blog que é um aperitivo para o lançamento do livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO, agora projetado para ser lançado em 2017.

Para finalizar, não consigo me conter de deixar mais um registro histórico, este dos ANOS 1970. Primeiro com esta bela foto da final do único Campeonato do Píer de Ipanema, realizado em 1972 e que teve seu desfecho no início de 1973.

FINALISTAS, DA ESQUERDA PARA A DIREITA: BETÃO (3º), WANDERBILL (6º), YSO (2º), MARACA (5º), OTÁVIO PACHECO (1º) E PAULO PROENÇA (4º)
FOTO DE NANDO MOURA IRMÃO DE YSO AMSLER


O campeonato do Píer será abordado com enfoques diversos no capítulo do livro que vai falar da importância do Píer de Ipanema na evolução do surf brasileiro. Vejam a postagem do vice-campeão do evento, Yso Amsler, na ocasião da polêmica tratada acima:

RECORTE DE PÁGINA DO FACEBOOK
ALEX DU MONT E YSO AMSLER SÃO DOIS SURFISTAS QUE TENHO BELÍSSIMAS ENTREVISTAS GRAVADAS EM MEU IPHONE

A evolução deve ser buscada de forma constante, nos valendo da experiência e bom senso dos surfistas que vieram antes, devemos continuar nosso caminho de progresso neste esporte. A safra atual de surfistas (masculinos) brasileiros é incrível. Olhando mais para a frente, em 2020 teremos o surf nas Olimpíadas. Não sei quantos atletas teremos lá? Pela previsão serão 20 homens e 20 mulheres ao todo. Precisamos fomentar novamente o surf feminino buscando sucessoras para a competitividade de Andrea Lopes, Tita Tavares, Jacqueline Silva, Silvana Lima... Mas isto será assunto para um postagem especial aqui.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

QUATRO ANOS DE PESQUISAS

Viagens e entrevistas buscando informações

Em 2012 comecei a pensar de forma mais concreta no livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO, de um volume único, com a proposta inicial para 420 páginas, já alterei para 660 páginas em 5 VOLUMES e a situação é dinâmica, estou com a mente aberta para evoluir conforme a música, surfar como a onda vai se apresentando.
 CAPA EMBRIONÁRIA, CRIADA NO FINAL DE 2012
PROJETO GRÁFICO DE FERNANDO MESQUITA

 
DOIS ENSAIOS DE ARTE PARA AS PÁGINAS INTERNAS
VINHETAS DO ARTISTA TOM VEIGA

Fernando Mesquita me ajudou a conceituar a estética do livro e no segundo semestre de 2013 apresentamos um aperitivo dos sete primeiros capítulos neste blog na web, no link abaixo dá para sentir como será a montagem do CAPÍTULO 4. Naveguem nas postagens de 2013 e busquem outros 6 capítulos.

 NO INÍCIO DE 2013 ESTIVE NO RIO DE JANEIRO
FEDOCA, SENTADO NA SALA DE RICO DE SOUZA, NA OCASIÃO EM QUE GRAVEI OS DEPOIMENTOS PARA PÁGINA DUPLA QUE TRAZ “O DIA MÁGICO DE SURF”
FOTO DRAGÃO (COM CELULAR)


Esse dia mágico de surf estará presente em todos os capítulos com ÍCONES do surf brasileiro. Nos anos de 2014 e 2015 realizei uma série de viagens rumo ao SUL e também para o NE. Além de diversas entrevistas feitas no RJ e SP.

PRAIA DA GUARITA - FOTO: DRAGÃO
NO FINAL DE MARÇO E EM ABRIL DE 2014 SEGUI ATÉ TORRES NO RS
FUI DE CARRO, COM PIT STOPS EM SC E NO PR

Nesta jornada entrevistei diversos surfistas, inclusive dois famosos ÍCONES do surf brasileiro, Fabinho Gouveia e Teco Padaratz, em Floripa. Ainda colocarei trechos exclusivos destas entrevistas aqui neste blog.
Foi meu amigo gaúcho Virgílio Panzini de Matos que me convidou para esta viagem, ele já foi presidente da Federação Gaúcha de Surf e sempre trabalhou em prol do esporte. Vejam no link logo abaixo um breve relato desta trip:



VIRGILIO E DRAGÃO NO ESPAÇO DAS PRANCHAS YAHOO
MADEIRITE TRÓPICO 2014 
FOTO: DANIEL RIOLFI

 ZÉ MARIA, UM DOS ENTREVISTADOS NESTA OCASIÃO, ACABOU FALECENDO EM UM ACIDENTE DE ASA DELTA EM DEZEMBRO DE 2014

ZÉ MARIA WHITAKER DE QUEIROZ SURFANDO EM ATALAIA, 1977
O SURF BRASILEIRO PERDE UM DE SEUS PIONEIROS
FOTO: ARQUIVO DA FAMÍLIA QUEIROZ

Ainda colocarei a entrevista com Zé Maria na íntegra, pois tem grandes histórias (LEIA NO LINK ACIMA). Da mesma forma que aproveitei a entrevista com meu grande amigo e padrinho Sidão Tenucci, para fazer uma grande matéria publicada na Hardcore enquanto ele ainda estava vivo.

Em janeiro de 2015 estive em Salvador (BA) e aproveitei para coletar mais uma série de entrevistas. Um dos lugares que visitei foi a fábrica de pranchas do pioneiro baiano Maurício Abubakir.

HOJE UMA DE SUAS ESPECIALIDADES SÃO AS PRANCHAS DE REMADA OCEÂNICA
FOTO: DRAGÃO

FAROL DA BARRA – SALVADOR – BA - JANEIRO 2015
FOTO: DRAGÃO

Veja detalhes desta viagem clicando aqui:


Entre 2013 e 2015 fui convidado por duas vezes para prestigiar os almoços organizados por Armando Serra (pioneiro carioca da época das madeirites), no Iate Clube do Rio de Janeiro.

FOTO DO ENCONTRO REALIZADO EM SETEMBRO DE 2015
ALGUNS DESTES SURFISTAS INICIARAM A PRÁTICA NOS ANOS 1950
IATE CLUBE (RJ) – FOTO: DRAGÃO

CARLOS MUDINHO E AS PIONEIRAS MARIA HELENA BELTRÃO (DE PÉ) E FERNANDA GUERRA   FOTO: DRAGÃO

MUDINHO TROUXE ALGUNS RECORTES DE JORNAL
E ESTA QUE É UMA DAS PRIMEIRAS FOTOS DELE SURFANDO

Vejam esta postagem com o relato de um destes pioneiros cariocas, Marcelo Rabello, que preservou uma incrível “memorabilia”:


As entrevistas ainda não cessaram em 2016. E ainda tenho MUITOS amigos na lista de potenciais entrevistados para concluir meu projeto de pesquisa.
Este BLOG tem uma forma diferenciada, colorida e abrangente de apresentar os temas que envolvem esta grande história do surf brasileiro. Vejam esta recente postagem do Blog do Livro:

FOTO NA OCASIÃO DA REPORTAGEM DO LINK ACIMA
CHICO PAIOLI, FABIO KERR E DRAGÃO
FOTO: JAIME VIUDES

Para os que estão se introduzindo agora em meu blog, é interessante dar uma passeada pelas postagens desde 2012, quando foi inaugurado. Fico empolgado com a perspectiva do material que tenho em mãos para continuar produzindo esse trabalho e culminando com o livro impresso, meu grande objetivo.

São quase 100 entrevistas realizadas e outras 100 que estão em minha mente e que trarão importantes perspectivas desta história. Uma delas é com Klaus Mitteldorf, surfista kneeboarder e um dos mais respeitados fotógrafos brasileiros. Algumas das mais belas fotos publicadas na revista Brasil Surf são de autoria dele.
Agora virou cineasta e está preparando o lançamento de um filme com o título RIO-SANTOS, seu primeiro longa metragem (para o circuito de cinemas aberto), pois nos anos 70 lançou o primeiro filme de surf do Brasil = TERRAL, antes mesmo do NAS ONDAS DO SURF de Lívio Bruni e Maraca.
Assistam um pequeno trecho:

SET DE RIO-SANTOS MONTADO NA PRAIA DE BORACÉIA
NO ÚLTIMO MÊS DE MAIO KLAUS CONVIDOU ALGUNS AMIGOS
PRINCIPALMENTE DE UBATUBA, ONDE COMEÇOU A SURFAR
PARA FAZER UMA PONTA EM SUAS FILMAGENS



ALEXANDRE MORSE, BRUZY E MAIS AO FUNDO A DIREITA OS IRMÃOS ALBERTINHO E BRUNO ALVES.
FOTOS: DRAGÃO (COM CELULAR)

Enfim, o projeto atual tem a previsão do lançamento de 5 VOLUMES apenas a partir de 2017. Como tenho o VOLUME 1 bastante adiantado, estou cogitando, ao lado de Fernando Mesquita, de preparar um aperitivo em forma de “revista web” (ainda este ano), em virtude do Projeto Cultural ter sido lançado à incubadora, devido à escassez de recursos provocada pela crise.

O que é certo é que este blog continuará a ser atualizado, com postagens atuais, como a corrida pelo título mundial (aguardem prognósticos e comentários após a etapa de Trestles da WSL) e também postagens históricas.
Em outubro estou com viagem agendada para o RN acatando o convite de Helder Amaral para participar do evento:



Mas antes disso pretendo concluir uma postagem que trará fragmentos da história de alguns de meus melhores amigos – A TURMA DO GUARUJÁ que morava na capital e começou a surfar na praia de Pitangueiras. A lista destas entrevistas que já tenho é boa, melhores ainda são as histórias, registros guardados, inclusive de alguns que influíram no desenvolvimento do surf brasileiro: Roberto Teixeira, Carlos Motta, Claudinho Celso Pieroni, Marco Buru, Alex Dumont, Paolo Zanotto, Alfio, Sidão Tenucci, Lucha Figliolia e Pulão Kristian (os primeiros do Guarujá a se jogarem para uma temporada havaiana em 1974), Mark Lund, Fico e seu irmão Cláudio Levy, Dandão, Christian Von Sydow, Taiu e diversos outros já foram entrevistados. Entre eles Égas Muniz Atanazio, dois anos mais velho do que eu (isso era muito quando tínhamos 13 a 15 anos) e que foi um de meus mentores no surf. Égas hoje mora no Guarujá.


ÉGAS E DRAGÃO EM FOTO RECENTE
PERTO DO CANAL DE PITANGUEIRAS
FOTO: THOMAS ÉGAS

ÉGAS PREPAROU, COM SEU FILHO THOMAS, UM VÍDEO DE 16 MINUTOS
DIGNO DE PREMIO NA PRÓXIMA MOSTRA VIDEO SELFIE DA ALMASURF
FRAME GRAB DE 1974, ÉPOCA EM QUE ÉGAS ERA CONSIDERADO UM DOS MELHORES SURFISTAS DO GUARUJÁ, DO BRASIL



ÉGAS EM SEU “PRIME” – EARLY 70’s
ELE COMEÇOU A SURFAR NA ERA DOS LONGBOARDS E NESTA PRANCHA MANDAVA UNS STRETCH HANG FIVE, COM ALTA CATEGORIA. REPAREM NA FLUTUAÇÃO DO BICO
FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Aguardem esta postagem, que tenho certeza, irá entreter bem os que gostam do BLOG: HISTÓRIAS DO SURF



terça-feira, 23 de agosto de 2016

HANG LOOSE PRO CONTEST

O campeonato dos campeonatos

Esta postagem vai trazer um pouco da história do mais emblemático campeonato de surf do Brasil. Ele está no “freezer” nos últimos anos, mas deve voltar a empolgar os admiradores do surf competição em breve.

NO ANO DE 2011 O CAMPEONATO COMEMOROU 25 ANOS

O Hang Loose Pro Contest teve sua última versão em 2012. Foram 29 campeões ao todo, pois nos anos de 1999 e 2000 aconteceram dois eventos, uma na praia de Maresias (SP) e outro no NE.

ALMIR SALAZAR, PRAIA DA JOAQUINA
FOTO: BRUNO ALVES
EM 1986, QUANDO OCORREU A PRIMEIRA EDIÇÃO DO EVENTO, A REVISTA FLUIR PRODUZIU UMA DE SUAS MELHORES EDIÇÕES (Nº 18), COM UMA CAPA FOLDER, ABRANGENTE TEXTO DE COBERTURA DO EVENTO POR ALCEU TOLEDO JUNIOR, COM REPORTAGENS DE CARLOS "LORO" TAVARES (IN MEMORIAN)

O texto que vem a seguir foi escrito em 2002 e 2003, na ocasião em que Alfio Lagnado, fundador da Hang Loose, tinha projetado com os irmãos Lumbra (Ricardo e Rony Fincato) a produção de um livro comemorativo dos 20 ANOS DA HANG LOOSE. Fui convidado para escrever os textos e legendas. Para este projeto cheguei a preparar dois históricos grandes, o primeiro com o início de Alfio no surf, no Guarujá, e a fundação da empresa. O segundo trazia a história do HANG LOOSE PRO CONTEST. Este livro ainda não foi impresso, a história da marca continua sendo escrita e com a permissão de Alfio reproduzo aqui o texto original que fala sobre os campeonatos, no estado em que foi congelado há 13 anos. Inédito para o grande público.

Ao final estarei introduzindo uma série de imagens dos HANG LOOSE PRO CONTESTs, alguns dos pôsteres dos eventos e também a galeria completa dos campeões.

Setembro de 1986. Um swell gigantesco de leste se aproxima da costa brasileira. A multidão se aglomera nas pedras da Joaquina para presenciar ondas enormes e perfeitas, nunca antes vistas. Na água alguns dos melhores surfistas do mundo. Na praia altas gatas desfilavam com biquinis asa delta, recém lançados. O sol brilhava, o circo do surf mundial estava finalmente de volta ao Brasil. A expectativa era enorme. Estava tudo pronto para começar o Hang Loose Pro Contest, evento que fez história.

Era a primeira vez que rolava um campeonato internacional da ASP (Association of Surfing Professionals) no Brasil. No meio da década de 70 foi formada a I.P.S. (International Professional Surfers), organização precursora da ASP e o circuito mundial de surf começou a acontecer com etapas ao redor do globo. Na década de 70 a etapa brasileira era o Waimea 5000, patrocinado por uma surf shop que funcionava em Ipanema, no Rio de Janeiro. Exceto por um único ano de interrupção (79), este evento rolou até 82. O Arpoador recebia um crowd impressionante.
Apesar da importância do evento na época, o Brasil só contou com uma sustentação do mercado de surfwear até 82. Altos e baixos da economia brasileira fizeram com que ninguém se habilitasse a patrocinar um evento internacional de surf em nossas águas. Isso provocou o afastamento da comunidade mundial do surf do Brasil.
Este hiato, sem que houvesse um maior intercâmbio entre os surfistas brasileiros e os melhores do mundo, foi altamente nocivo para o desenvolvimento de nosso surf. Alguns eventos nacionais rolaram em Saquarema, Ubatuba e Floripa, mas a distância do World Tour provocou um grande gap na qualidade de nossos atletas em relação ao primeiro escalão.
Essa história só iria mudar, de forma mágica, quando em setembro de 86 o primeiro Hang Loose Pro Contest foi agendado para a praia da Joaquina. O evento foi um marco histórico e o surf competição brasileiro nunca mais seria o mesmo depois daquele campeonato, que para muitos é considerado um divisor de águas.
Quando o Circuito Mundial voltou para o Brasil, a Hang Loose realizou um campeonato impecável em termos de organização, astral e principalmente de ondas. Dezesseis anos depois da realização do evento, crianças que começaram a surfar, que tem hoje 14, 15 anos, usam como referência um campeonato que eles nem assistiram, mas é tão falado, que é um referencial - o Swell Épico da Joaquina. Podem ter dado mares até melhores do que aquele, mas a referência é: 'Quase que nem o Hang Loose'. O Hang Loose de 1986 é o parâmetro.

Desde o início dos anos 80 o Estado de Santa Catarina começou a desenvolver uma das melhores estruturas para competições de surf no Brasil. Dirigentes como Roberto Perdigão e Flávio Boabaid já haviam organizado os Festivais Olympikus e os OP Pro. A experiência deles aliada ao conhecimento técnico de juízes como Arnaldo Spyer e Renato Hickel, formava uma base sólida em SC. No início de 86 foi realizado o Intercâmbio Brasil X EUA, trazendo para o conhecimento dos brasileiros as técnicas de treinamento adotadas pela entidade amadora norte americana NSSA, com palestras proferidas pelo técnico John Rothrock e por Ian Cairns, um dos fundadores da ASP. Ian sentiu que o Brasil tinha estrutura para voltar ao Circuito Mundial e através de Cláudio Martins de Andrade veio a proposta para voltar a realizar um evento do Circuito Mundial no Brasil. A Hang Loose abraçou a ideia na hora.

Mas todos estes fatores positivos não transformaram a realização do campeonato num 'passeio no parque'. Existiam muitas coisas que sinalizavam para dropar a onda, mas a grandeza e a responsabilidade inerentes a um evento deste porte, fariam muita gente pensar duas vezes. "Na verdade esse evento foi uma irresponsabilidade," lembra Alfio - "fizemos porque éramos jovens, arrojados, foi um loucura para os padrões da época. Quando tudo foi fechado e resolvemos fazer o campeonato, faltavam só três meses. Mas era a época do Plano Cruzado, as vendas estavam boas, estava tudo maravilhoso, a gente vivia numa ilusão louca. Então decidimos acelerar. Se tivesse dado errado teríamos comprometido totalmente o desenvolvimento da empresa e do surf brasileiro."
"No final tudo deu certo, a equipe envolvida na realização do evento era de primeira: Flávio Boabaid, Mauro Levinbook, Renato Hickel, além do apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Florianópolis e lógico, do inesquecível Toló, representando toda raça da Joaca."
Declaração que Mark Occhilupo deu após o evento: "Este é, sem dúvida, um dos melhores campeonatos que a ASP realizou neste ano e que eu tenha participado", representa muito bem a impressão de todos os estrangeiros.
A organização foi impecável e em seu ano de estreia o Hang Loose Pro Contest foi considerado o campeonato mais bem estruturado do ano. Tom Carroll também declarou: "O campeonato está bom e a organização é das melhores que tivemos no circuito deste ano. Altas gatas, sol, música, pessoas bonitas..."

MELHOR QUE UM SONHO

Quem estava lá para ver nunca esquecerá. O mito de que no Brasil não rolavam ondas 'internacionais', foi por água abaixo. Uma ondulação perfeita, coincidiu exatamente com a janela do evento, ofertando ondas épicas, com até 3 metros de face, nos primeiros dias. Virando cada vez mais para leste, encaixando com perfeição na bancada, baixando vagarosamente, até o dia das finais. Sol, terral e tubos. Expressos adrenalizantes. Quando pintavam as séries por detrás do pontão da Joaquina e da Pedra Careca (que ganhou fama internacional), o público que se aglomerava procurando uma melhor visão do espetáculo, entrava em êxtase. Onda após onda, a história foi sendo escrita.
Baterias inesquecíveis foram disputadas como a de Tinguinha contra Robbie Page (ver detalhes no capítulo da História da Hang Loose), ou a brilhante campanha de Sérgio Noronha, que foi o melhor brasileiro na competição, apesar de ainda ser um surfista amador na época, terminando em quinto lugar, desclassificando atletas como Barton Lynch em sua jornada. Isso mostrava o potencial dos surfistas brasileiros, que viria a se concretizar no World Tour nos próximos anos.
Alfio recorda de detalhes: "Fomos também abençoados, não só com ondas. Até um dia antes dos surfistas chegarem estava um vento sul nojento, um frio de rachar, o mar mexido, sem onda. De repente abriu o sol, entrou o swell. Na hora da premiação, acho que cinco minutos... Foi uma obra de Deus. Fizemos a entrega dos prêmios, todo mundo bateu palmas, saiu... Eu fui dar um mergulho no mar para agradecer. Me lembro como se fosse hoje. Saí da água, o vento virou de novo e começou a chover."

O evento foi tão importante para a Hang Loose, que provocou um verdadeiro boom para a marca. No ano de 1987, quando o Plano Cruzado estava naufragando e todas as empresas de surfwear encontravam dificuldades, num mercado corroído por uma inflação de até 80%, a Hang Loose foi capaz de manter seu crescimento e conseguiu dar seguimento a seu compromisso de continuar realizando o Hang Loose Pro Contest como uma de suas prioridades.

Para expressar o impacto deste acontecimento é interessante ouvir um dos surfistas que participou de tudo, Octaviano 'Taiu' Bueno: "Quando Alfio trouxe o World Tour de volta para o Brasil, em 86, Netuno deu de presente aquele mar, que foi um dos melhores mares que já deu na Joaquina. Foi um estrondo, saiu em todas as revistas. Muitas pessoas nem sabiam que dava onda daquele jeito no Brasil. Naquela época, 86, que o surf estava começando a querer explodir, aquilo contribuiu muito, vieram os gringos, Tom Carroll, Occy, Mark Richards, a galera ficou pirada."
Taiu continua: - "Eu pude participar como competidor. Para mim aquilo era tudo. Porque para conseguir viajar já era difícil, então para participar dos campeonatos na Europa, no Hawaii, África do Sul, Austrália... Você sente a dificuldade de viajar para o outro lado do mundo. Ter que estudar a rota, pagar aluguel de carro, sofrer, ficar num hotelzinho fulero às vezes de preço exorbitante, chegar lá e não ter onda, tudo é caro, ainda lidar com falta de patrocínio. Quando você está no Brasil, ter uma oportunidade como essa é muito bom, para todos os brasileiros. Se não fosse a Hang Loose colocar os campeonatos aqui no Brasil, desde aquela época, o Brasil ia ter um buraco."

Mas o próprio campeonato em si foi uma coisa dinâmica, a cada ano era uma história diferente. No ano seguinte choveu, fez frio, o vento sul entrou rasgando, mesmo assim Tom Carroll deu aquele show espetacular, conectando ondas impossíveis, com uma velocidade inconcebível. Mas a perna brasileira só tinha aquela data, no final do inverno, início da primavera. No terceiro ano seguido que deu chuva (89), o evento começou a ficar pesado, não estava valendo o investimento. Foi quando o Guarujá, que era a terra em que Alfio começou a surfar, surgiu como uma opção interessante. "Eu achei que era hora de sair do Sul. Acertamos na mosca. O primeiro Hang Loose no Guarujá foi uma loucura, ondas boas, praia cheia, porque lá nunca havia rolado um evento internacional. Foi um recorde de público. A praia lotada, as pedras do Maluf... não dava para ver uma pedra, tinha gente até em cima das árvores, altas ondinhas e para completar o Fabinho foi lá e ganhou."

As coisas foram acontecendo. Nos outros anos deram altas ondas, no Guarujá, até que surgiu uma nova oportunidade, que era de transferir o campeonato para o Nordeste. Alfio explica; "A idéia era mudar um pouco, voltar aos antigos festivais, envolvendo shows de música. Testamos essa nova fórmula. Fizemos três eventos em Maracaípe e um em Gaibú. Como os campeonatos no Nordeste estavam tendo uma aceitação muito grande pelo público, apesar de não dar muita onda, pois a época do ano que era designada pela ASP, não era a melhor época de swells para o Nordeste, não queríamos tirar o evento de lá. Ao mesmo tempo nós não queríamos abandonar essa história, que era a tradição do Hang Loose Pro Contest, de ter ondas boas."

Foi nessa fase que a Hang Loose optou por realizar dois eventos durante o ano. Uma segunda etapa foi agendada para a praia de Maresias, no litoral norte de São Paulo, onde a possibilidade de encontrar ondas consistentes era bem maior. Mas o campeonato foi mantido em Recife, pois já estava articulado o próximo passo estratégico que Alfio tinha em mente: "Fernado de Noronha é parte de Pernambuco e precisávamos mostrar o quanto o surf atraia o público e a mídia, para poder conseguir o apoio e autorização para ir para Noronha. O apelo turístico foi um dos fatores chave. E quando conseguimos - FECHOU! Atingimos o objetivo, o Hang Loose Pro está em Noronha e não temos a intenção de sair nunca mais."

E Alfio ainda complementa: "O importante do Hang Loose Pro Contest é que sempre lutamos para conseguir fazer o evento nas melhores ondas possíveis, no lugar mais paradisíaco possível. A gente conseguiu isso, e estamos muito felizes porque o Hang Loose está interagindo super bem com a comunidade de Fernando de Noronha, com as pessoas da ilha. É um evento que já é um marco de Noronha. Existe uma sinergia grande entre a Hang Loose e a ilha. As pessoas, pelo que eu sinto, gostam muito, somos super bem recebidos pelos ilhéus e é um evento que a gente tenta não trazer nenhum impacto ambiental. Um evento super light, com estrutura pequena e que respeita totalmente o meio ambiente."

Para se ter uma idéia do rumo que a coisa pode tomar é interessante ouvir novamente a opinião de Taiu: "O que foi legal também nos campeonatos Hang Loose, foi a evolução que eles tiveram. Começou em Florianópolis, depois passou para o Guarujá, quando tinha apoio da prefeitura, essas coisas. Quando ele começou a sentir dificuldade foi para o Nordeste, que lá acho que o governo dava um apoio muito forte. E aí por ter aquela falta de onda ele passou para Noronha. E Noronha é um lugar que tem altas ondas, de nível internacional. Todo mundo respeita, até os gringos querem ir para lá. E esse campeonato internacional, agora sendo lá, por ter umas ondas tão boas, até já foi cogitado em ser WCT. O evento está sempre em evolução, pode virar um WCT, já, já. Eu acho que é esse o caminho."

O fato é que hoje o Hang Loose Pro Contest é o campeonato de surf mais tradicional do Brasil. Nesses 18 anos em que a competição aconteceu, 20 anos de vida da empresa, foram realizados 20 eventos. Hoje este é um dos campeonatos mais tradicionais do Circuito Mundial, perdendo em tradição para pouquíssimos eventos, como o de Bells na Austrália, os eventos havaianos, como o Pipeline Masters e a World Cup, que mudaram várias vezes de patrocinador, da mesma forma que a etapa de Durban, na África do Sul. Os primeiros campeões mundiais, ainda do tempo da IPS, Mark Richards, Rabbit Bartholomew e Shaun Tomson; os ícones dos anos de ouro da ASP, Tom Carroll, Mark Occhilupo, Sunny Garcia, surfistas de ponta de hoje como Andy Irons, Luke Egan, os irmãos Lopes e Hobgood da Flórida, os australianos da nova geração Joel Parkinson, Taj Burrow, Mick Fanning e todos os ídolos brasileiros, como Fábio Gouveia, Cauli Rodrigues, Picuruta Salazar, Teco Padaratz, Tinguinha Lima, Peterson Rosa, Jojó de Olivença, Dadá Figueiredo, Tadeu Pereira, Marcelo Nunes, Paulo Moura, Rodrigo Dornelles, Renan Rocha, Ricardo Tatuí, Carlos Burle, Piu Pereira, Rodrigo Resende, Fred d'Orey, Felipe Dantas, Ricardo Toledo, Victor Ribas, Pedro Müller, David Husadel, Octaviano Bueno, Roberto Valério... Uma lista incontável de talentos, puderam desfilar seu surf nas ondas mais diversas do Brasil, desde os expressos gelados da Joaca, às manobráveis ondas de Pitangueiras, às tépidas ondas de Maracaípe e agora nos implacáveis tubos de Noronha.
FIM DO TEXTO ESCRITO EM 2003

A expectativa de toda comunidade do surf brasileiro é que o HANG LOOSE PRO CONTEST volte em breve, em alguma de nossas praias.

Abaixo (com as respectivas LEGENDAS) selecionei algumas imagens, A Galeria dos Campeões de João Carvalho e também outras informações.
(OBSERVAÇÃO: ESSA POSTAGEM SERÁ “ENRIQUECIDA” EM BREVE)

AS QUATRO PRIMEIRAS VERSÕES DO HANG LOOSE PRO CONTEST OCORRERAM NA PRAIA DA JOAQUINA E FORAM DOMINADAS PELOS AUSTRALIANOS. TOM CARROLL E MARK SAINSBURY EM FOTO DE BETO ISSA DO ACERVO DA HANG LOOSE. ALFIO LAGNADO PREPARA-SE PARA ENTREGAR O TROFÉU AO CAMPEÃO



NECO PADARATZ NA VERSÃO DE 2003 DO HANG LOOSE PRO CONTEST
VIRADA ESPETACULAR NA FINAL CONTRA BOBBY MARTINEZ COM UMA NOTA 10
COBERTURA DA HARDCORE COM TEXTO DE ZÉ ROBERTO ANNIBAL E FOTOS DE DENER VIANEZ E TIAGO NAVAS


GALERIA DOS CAMPEÕES DO PRO CONTEST:
2.012 – Miguel Pupo (SP) - VICE Jean da Silva (SC)
2.011 - Alejo Muniz (SC) - VICE Dion Atkinson (AUS)
2.010 - C. J. Hobgood (EUA) - VICE Raoni Monteiro (RJ)
2.009 - Bruno Santos (RJ) - VICE Raoni Monteiro (RJ)
2.008 - Raoni Monteiro (RJ) - VICE Gabe Kling (EUA)
2.007 - Aritz Aranburu (ESP) - VICE Leandro Bastos (RJ)
2.006 - Jean da Silva (SC) - VICE Gabe Kling (EUA)
2.005 - Bobby Martinez (EUA) - VICE Dunga Neto (CE)
2.004 - Warwick Wright (AFR) - VICE Marcelo Nunes (RN)
2.003 - Neco Padaratz (SC) - VICE Bobby Martinez (EUA)
2.002 - Victor Ribas (RJ) - VICE Guga Arruda (SC)
2.001 - Fábio Silva (CE) - VICE Wilson Nora (BA) final ABRAS
2.000 - Guilherme Herdy (RJ) - VICE Renatinho Wanderley (SP)
TODOS ESTES CAMPEONATOS (COM EXCEÇÃO DO DE 2001) OCORRERAM NA CACIMBA


NA VIRADA DO SÉCULO O HANG LOOSE PRO CONTEST TEVE DUAS VERSÕES NO MESMO ANO, UMA NO NORDESTE E OUTRA NA PRAIA DE MARESIAS EM SÃO PAULO. SPIRRO EM FOTOS DE TONY FLEURY NA COBERTURA DE PAULINHO COSTA PARA A FLUIR Nº 182

2.000 - Crhistiano Spirro (BA) - VICE Victor Ribas (RJ), Maresias (SP)
1.999 - Peterson Rosa (PR) - VICE Jojó de Olivença (BA), Maresias (SP)


QUATRO EVENTOS FORAM REALIZADOS AO SUL DE RECIFE, TRÊS DELES FORAM VENCIDOS POR SURFISTAS NORDESTINOS. COBERTURA DA REVISTA INSIDE NOW Nº 111 DE 1998, DESTAQUE PARA ARMANDO DALTRO
FOTOS DE FLAVIO VIDIGAL, FRANCISCO CHAGAS E CÉSAR AIELLO

1.999 - Richard Lovett (AUS) - VICE Toby Martin (AUS), MARACAÍPE (PE)
1.998 - Armando Daltro (BA) - VICE Brian Hewitson (EUA), GAIBÚ (PE)
1.997 - Marcelo Nunes (RN) - VICE Guilherme Herdy (RJ), MARACAÍPE (PE)
1.996 - Fábio Silva (CE) - VICE Armando Daltro (BA), MARACAÍPE (PE)

NO INÍCIO DOS ANOS 90 PETERSON ROSA CHEGOU A TRÊS DAS FINAIS DO
HANG LOOSE PRO CONTEST, QUANDO FOI REALIZADO NA PRAIA DE PITANGUEIRAS NO GUARUJÁ, VENCEU O ÚLTIMO EVENTO QUE ACONTECEU NO CANTO DO MALUF. LEVOU TAMBÉM UMA DAS ETAPAS REALIZADAS EM MARESIAS
AQUI “THE ROSE” NO HANG LOOSE PRO CONTEST DE 2002 EM FERNANDO DE NORONHA, ARREBATA A CAPA DAS DUAS GRANDES
FOTOS DE JAMES THISTED (HARDCORE) E TONY FLEURY


1.995 - Peterson Rosa (PR) -VICE Vetea David (TAH), PITANGUEIRAS (SP)
1.994 - Matt Hoy (AUS) - VICE Binho Nunes (SP), PITANGUEIRAS (SP)
1.993 - Joey Jenkins (EUA) - VICE Peterson Rosa (PR), PITANGUEIRAS (SP)
1.992 - Nicky Wood (AUS) - VICE Peterson Rosa (PR), PITANGUEIRAS (SP)
1.991 - Nicky Wood (AUS) - VICE Richard Marsh (AUS), PITANGUEIRAS (SP)
1.990 - Fábio Gouveia (PB) - VICE Matt Hoy (AUS), PITANGUEIRAS (SP)

FABIO GOUVEIA, APÓS 13 ANOS DA VITÓRIA DE DANIEL FRIEDMANN NO WAIMEA 5000, COLOCOU O BRASIL NO TOPO DO PÓDIO EM UMA ETAPA DO WCT NO GUARUJÁ. COBERTURA DE CARLOS LORCH PARA A VERSÃO BRASILEIRA DA REVISTA SURFER. FOTO DE TED GRAMBEAU


1.989 - Glen Winton (AUS) -  VICE Dave Macaulay (AUS), JOAQUINA (SC)
1.988 - Tom Carroll (AUS) - VICE  Marty Thomas (HAW), JOAQUINA (SC)
1.987 - Tom Carroll (AUS) - VICE Mark Sainsbury (AUS), JOAQUINA (SC)
1.986 - Dave Macaulay (AUS) - VICE Mark Occhilupo (AUS)
, JOAQUINA (SC)
  
TOM CARROLL EM SEQUÊNCIA CAPTURADA POR BRUNO ALVES, JOAQUINA
REPRODUÇÃO DE PÁGINA DA FLUIR Nº 18

Aguardem mais imagens e informações destes gloriosos eventos aqui neste blog. Solicitei a Tom Toledo, do departamento de Marketing da Hang Loose, que selecione todos os pôsteres dos 29 eventos. Em breve estas imagens estarão disponíveis.

O  PRIMEIRO POSTER
MOMENTOS DO EVENTO DE 1986