terça-feira, 23 de agosto de 2016

HANG LOOSE PRO CONTEST

O campeonato dos campeonatos

Esta postagem vai trazer um pouco da história do mais emblemático campeonato de surf do Brasil. Ele está no “freezer” nos últimos anos, mas deve voltar a empolgar os admiradores do surf competição em breve.

NO ANO DE 2011 O CAMPEONATO COMEMOROU 25 ANOS

O Hang Loose Pro Contest teve sua última versão em 2012. Foram 29 campeões ao todo, pois nos anos de 1999 e 2000 aconteceram dois eventos, uma na praia de Maresias (SP) e outro no NE.

EM 1986, QUANDO OCORREU A PRIMEIRA EDIÇÃO DO EVENTO, A REVISTA FLUIR PRODUZIU UMA DE SUAS MELHORES EDIÇÕES (Nº 18), COM UMA CAPA FOLDER
ALMIR SALAZAR, PRAIA DA JOAQUINA
FOTO BRUNO ALVES

O texto que vem a seguir foi escrito em 2002 e 2003, na ocasião em que Alfio Lagnado, fundador da Hang Loose, tinha projetado com os irmãos Lumbra (Ricardo e Rony Fincato) a produção de um livro comemorativo dos 20 ANOS DA HANG LOOSE. Fui convidado para escrever os textos e legendas. Para este projeto cheguei a preparar dois históricos grandes, o primeiro com o início de Alfio no surf, no Guarujá, e a fundação da empresa. O segundo trazia a história do HANG LOOSE PRO CONTEST. Este livro ainda não foi impresso, a história da marca continua sendo escrita e com a permissão de Alfio reproduzo aqui o texto original que fala sobre os campeonatos, no estado em que foi congelado há 13 anos. Inédito para o grande público.

Ao final estarei introduzindo uma série de imagens dos HANG LOOSE PRO CONTESTs, alguns dos pôsteres dos eventos e também a galeria completa dos campeões.

Setembro de 1986. Um swell gigantesco de leste se aproxima da costa brasileira. A multidão se aglomera nas pedras da Joaquina para presenciar ondas enormes e perfeitas, nunca antes vistas. Na água alguns dos melhores surfistas do mundo. Na praia altas gatas desfilavam com biquinis asa delta, recém lançados. O sol brilhava, o circo do surf mundial estava finalmente de volta ao Brasil. A expectativa era enorme. Estava tudo pronto para começar o Hang Loose Pro Contest, evento que fez história.

Era a primeira vez que rolava um campeonato internacional da ASP (Association of Surfing Professionals) no Brasil. No meio da década de 70 foi formada a I.P.S. (International Professional Surfers), organização precursora da ASP e o circuito mundial de surf começou a acontecer com etapas ao redor do globo. Na década de 70 a etapa brasileira era o Waimea 5000, patrocinado por uma surf shop que funcionava em Ipanema, no Rio de Janeiro. Exceto por um único ano de interrupção (79), este evento rolou até 82. O Arpoador recebia um crowd impressionante.
Apesar da importância do evento na época, o Brasil só contou com uma sustentação do mercado de surfwear até 82. Altos e baixos da economia brasileira fizeram com que ninguém se habilitasse a patrocinar um evento internacional de surf em nossas águas. Isso provocou o afastamento da comunidade mundial do surf do Brasil.
Este hiato, sem que houvesse um maior intercâmbio entre os surfistas brasileiros e os melhores do mundo, foi altamente nocivo para o desenvolvimento de nosso surf. Alguns eventos nacionais rolaram em Saquarema, Ubatuba e Floripa, mas a distância do World Tour provocou um grande gap na qualidade de nossos atletas em relação ao primeiro escalão.
Essa história só iria mudar, de forma mágica, quando em setembro de 86 o primeiro Hang Loose Pro Contest foi agendado para a praia da Joaquina. O evento foi um marco histórico e o surf competição brasileiro nunca mais seria o mesmo depois daquele campeonato, que para muitos é considerado um divisor de águas.
Quando o Circuito Mundial voltou para o Brasil, a Hang Loose realizou um campeonato impecável em termos de organização, astral e principalmente de ondas. Dezesseis anos depois da realização do evento, crianças que começaram a surfar, que tem hoje 14, 15 anos, usam como referência um campeonato que eles nem assistiram, mas é tão falado, que é um referencial - o Swell Épico da Joaquina. Podem ter dado mares até melhores do que aquele, mas a referência é: 'Quase que nem o Hang Loose'. O Hang Loose de 1986 é o parâmetro.

Desde o início dos anos 80 o Estado de Santa Catarina começou a desenvolver uma das melhores estruturas para competições de surf no Brasil. Dirigentes como Roberto Perdigão e Flávio Boabaid já haviam organizado os Festivais Olympikus e os OP Pro. A experiência deles aliada ao conhecimento técnico de juízes como Arnaldo Spyer e Renato Hickel, formava uma base sólida em SC. No início de 86 foi realizado o Intercâmbio Brasil X EUA, trazendo para o conhecimento dos brasileiros as técnicas de treinamento adotadas pela entidade amadora norte americana NSSA, com palestras proferidas pelo técnico John Rothrock e por Ian Cairns, um dos fundadores da ASP. Ian sentiu que o Brasil tinha estrutura para voltar ao Circuito Mundial e através de Cláudio Martins de Andrade veio a proposta para voltar a realizar um evento do Circuito Mundial no Brasil. A Hang Loose abraçou a ideia na hora.

Mas todos estes fatores positivos não transformaram a realização do campeonato num 'passeio no parque'. Existiam muitas coisas que sinalizavam para dropar a onda, mas a grandeza e a responsabilidade inerentes a um evento deste porte, fariam muita gente pensar duas vezes. "Na verdade esse evento foi uma irresponsabilidade," lembra Alfio - "fizemos porque éramos jovens, arrojados, foi um loucura para os padrões da época. Quando tudo foi fechado e resolvemos fazer o campeonato, faltavam só três meses. Mas era a época do Plano Cruzado, as vendas estavam boas, estava tudo maravilhoso, a gente vivia numa ilusão louca. Então decidimos acelerar. Se tivesse dado errado teríamos comprometido totalmente o desenvolvimento da empresa e do surf brasileiro."
"No final tudo deu certo, a equipe envolvida na realização do evento era de primeira: Flávio Boabaid, Mauro Levinbook, Renato Hickel, além do apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Florianópolis e lógico, do inesquecível Toló, representando toda raça da Joaca."
Declaração que Mark Occhilupo deu após o evento: "Este é, sem dúvida, um dos melhores campeonatos que a ASP realizou neste ano e que eu tenha participado", representa muito bem a impressão de todos os estrangeiros.
A organização foi impecável e em seu ano de estreia o Hang Loose Pro Contest foi considerado o campeonato mais bem estruturado do ano. Tom Carroll também declarou: "O campeonato está bom e a organização é das melhores que tivemos no circuito deste ano. Altas gatas, sol, música, pessoas bonitas..."

MELHOR QUE UM SONHO

Quem estava lá para ver nunca esquecerá. O mito de que no Brasil não rolavam ondas 'internacionais', foi por água abaixo. Uma ondulação perfeita, coincidiu exatamente com a janela do evento, ofertando ondas épicas, com até 3 metros de face, nos primeiros dias. Virando cada vez mais para leste, encaixando com perfeição na bancada, baixando vagarosamente, até o dia das finais. Sol, terral e tubos. Expressos adrenalizantes. Quando pintavam as séries por detrás do pontão da Joaquina e da Pedra Careca (que ganhou fama internacional), o público que se aglomerava procurando uma melhor visão do espetáculo, entrava em êxtase. Onda após onda, a história foi sendo escrita.
Baterias inesquecíveis foram disputadas como a de Tinguinha contra Robbie Page (ver detalhes no capítulo da História da Hang Loose), ou a brilhante campanha de Sérgio Noronha, que foi o melhor brasileiro na competição, apesar de ainda ser um surfista amador na época, terminando em quinto lugar, desclassificando atletas como Barton Lynch em sua jornada. Isso mostrava o potencial dos surfistas brasileiros, que viria a se concretizar no World Tour nos próximos anos.
Alfio recorda de detalhes: "Fomos também abençoados, não só com ondas. Até um dia antes dos surfistas chegarem estava um vento sul nojento, um frio de rachar, o mar mexido, sem onda. De repente abriu o sol, entrou o swell. Na hora da premiação, acho que cinco minutos... Foi uma obra de Deus. Fizemos a entrega dos prêmios, todo mundo bateu palmas, saiu... Eu fui dar um mergulho no mar para agradecer. Me lembro como se fosse hoje. Saí da água, o vento virou de novo e começou a chover."

O evento foi tão importante para a Hang Loose, que provocou um verdadeiro boom para a marca. No ano de 1987, quando o Plano Cruzado estava naufragando e todas as empresas de surfwear encontravam dificuldades, num mercado corroído por uma inflação de até 80%, a Hang Loose foi capaz de manter seu crescimento e conseguiu dar seguimento a seu compromisso de continuar realizando o Hang Loose Pro Contest como uma de suas prioridades.

Para expressar o impacto deste acontecimento é interessante ouvir um dos surfistas que participou de tudo, Octaviano 'Taiu' Bueno: "Quando Alfio trouxe o World Tour de volta para o Brasil, em 86, Netuno deu de presente aquele mar, que foi um dos melhores mares que já deu na Joaquina. Foi um estrondo, saiu em todas as revistas. Muitas pessoas nem sabiam que dava onda daquele jeito no Brasil. Naquela época, 86, que o surf estava começando a querer explodir, aquilo contribuiu muito, vieram os gringos, Tom Carroll, Occy, Mark Richards, a galera ficou pirada."
Taiu continua: - "Eu pude participar como competidor. Para mim aquilo era tudo. Porque para conseguir viajar já era difícil, então para participar dos campeonatos na Europa, no Hawaii, África do Sul, Austrália... Você sente a dificuldade de viajar para o outro lado do mundo. Ter que estudar a rota, pagar aluguel de carro, sofrer, ficar num hotelzinho fulero às vezes de preço exorbitante, chegar lá e não ter onda, tudo é caro, ainda lidar com falta de patrocínio. Quando você está no Brasil, ter uma oportunidade como essa é muito bom, para todos os brasileiros. Se não fosse a Hang Loose colocar os campeonatos aqui no Brasil, desde aquela época, o Brasil ia ter um buraco."

Mas o próprio campeonato em si foi uma coisa dinâmica, a cada ano era uma história diferente. No ano seguinte choveu, fez frio, o vento sul entrou rasgando, mesmo assim Tom Carroll deu aquele show espetacular, conectando ondas impossíveis, com uma velocidade inconcebível. Mas a perna brasileira só tinha aquela data, no final do inverno, início da primavera. No terceiro ano seguido que deu chuva (89), o evento começou a ficar pesado, não estava valendo o investimento. Foi quando o Guarujá, que era a terra em que Alfio começou a surfar, surgiu como uma opção interessante. "Eu achei que era hora de sair do Sul. Acertamos na mosca. O primeiro Hang Loose no Guarujá foi uma loucura, ondas boas, praia cheia, porque lá nunca havia rolado um evento internacional. Foi um recorde de público. A praia lotada, as pedras do Maluf... não dava para ver uma pedra, tinha gente até em cima das árvores, altas ondinhas e para completar o Fabinho foi lá e ganhou."

As coisas foram acontecendo. Nos outros anos deram altas ondas, no Guarujá, até que surgiu uma nova oportunidade, que era de transferir o campeonato para o Nordeste. Alfio explica; "A idéia era mudar um pouco, voltar aos antigos festivais, envolvendo shows de música. Testamos essa nova fórmula. Fizemos três eventos em Maracaípe e um em Gaibú. Como os campeonatos no Nordeste estavam tendo uma aceitação muito grande pelo público, apesar de não dar muita onda, pois a época do ano que era designada pela ASP, não era a melhor época de swells para o Nordeste, não queríamos tirar o evento de lá. Ao mesmo tempo nós não queríamos abandonar essa história, que era a tradição do Hang Loose Pro Contest, de ter ondas boas."

Foi nessa fase que a Hang Loose optou por realizar dois eventos durante o ano. Uma segunda etapa foi agendada para a praia de Maresias, no litoral norte de São Paulo, onde a possibilidade de encontrar ondas consistentes era bem maior. Mas o campeonato foi mantido em Recife, pois já estava articulado o próximo passo estratégico que Alfio tinha em mente: "Fernado de Noronha é parte de Pernambuco e precisávamos mostrar o quanto o surf atraia o público e a mídia, para poder conseguir o apoio e autorização para ir para Noronha. O apelo turístico foi um dos fatores chave. E quando conseguimos - FECHOU! Atingimos o objetivo, o Hang Loose Pro está em Noronha e não temos a intenção de sair nunca mais."

E Alfio ainda complementa: "O importante do Hang Loose Pro Contest é que sempre lutamos para conseguir fazer o evento nas melhores ondas possíveis, no lugar mais paradisíaco possível. A gente conseguiu isso, e estamos muito felizes porque o Hang Loose está interagindo super bem com a comunidade de Fernando de Noronha, com as pessoas da ilha. É um evento que já é um marco de Noronha. Existe uma sinergia grande entre a Hang Loose e a ilha. As pessoas, pelo que eu sinto, gostam muito, somos super bem recebidos pelos ilhéus e é um evento que a gente tenta não trazer nenhum impacto ambiental. Um evento super light, com estrutura pequena e que respeita totalmente o meio ambiente."

Para se ter uma idéia do rumo que a coisa pode tomar é interessante ouvir novamente a opinião de Taiu: "O que foi legal também nos campeonatos Hang Loose, foi a evolução que eles tiveram. Começou em Florianópolis, depois passou para o Guarujá, quando tinha apoio da prefeitura, essas coisas. Quando ele começou a sentir dificuldade foi para o Nordeste, que lá acho que o governo dava um apoio muito forte. E aí por ter aquela falta de onda ele passou para Noronha. E Noronha é um lugar que tem altas ondas, de nível internacional. Todo mundo respeita, até os gringos querem ir para lá. E esse campeonato internacional, agora sendo lá, por ter umas ondas tão boas, até já foi cogitado em ser WCT. O evento está sempre em evolução, pode virar um WCT, já, já. Eu acho que é esse o caminho."

O fato é que hoje o Hang Loose Pro Contest é o campeonato de surf mais tradicional do Brasil. Nesses 18 anos em que a competição aconteceu, 20 anos de vida da empresa, foram realizados 20 eventos. Hoje este é um dos campeonatos mais tradicionais do Circuito Mundial, perdendo em tradição para pouquíssimos eventos, como o de Bells na Austrália, os eventos havaianos, como o Pipeline Masters e a World Cup, que mudaram várias vezes de patrocinador, da mesma forma que a etapa de Durban, na África do Sul. Os primeiros campeões mundiais, ainda do tempo da IPS, Mark Richards, Rabbit Bartholomew e Shaun Tomson; os ícones dos anos de ouro da ASP, Tom Carroll, Mark Occhilupo, Sunny Garcia, surfistas de ponta de hoje como Andy Irons, Luke Egan, os irmãos Lopes e Hobgood da Flórida, os australianos da nova geração Joel Parkinson, Taj Burrow, Mick Fanning e todos os ídolos brasileiros, como Fábio Gouveia, Cauli Rodrigues, Picuruta Salazar, Teco Padaratz, Tinguinha Lima, Peterson Rosa, Jojó de Olivença, Dadá Figueiredo, Tadeu Pereira, Marcelo Nunes, Paulo Moura, Rodrigo Dornelles, Renan Rocha, Ricardo Tatuí, Carlos Burle, Piu Pereira, Rodrigo Resende, Fred d'Orey, Felipe Dantas, Ricardo Toledo, Victor Ribas, Pedro Müller, David Husadel, Octaviano Bueno, Roberto Valério... Uma lista incontável de talentos, puderam desfilar seu surf nas ondas mais diversas do Brasil, desde os expressos gelados da Joaca, às manobráveis ondas de Pitangueiras, às tépidas ondas de Maracaípe e agora nos implacáveis tubos de Noronha.
FIM DO TEXTO ESCRITO EM 2003

A expectativa de toda comunidade do surf brasileiro é que o HANG LOOSE PRO CONTEST volte em breve, em alguma de nossas praias.

Abaixo (com as respectivas LEGENDAS) selecionei algumas imagens, A Galeria dos Campeões de João Carvalho e também outras informações.
(OBSERVAÇÃO: ESSA POSTAGEM SERÁ “ENRIQUECIDA” EM BREVE)

AS QUATRO PRIMEIRAS VERSÕES DO HANG LOOSE PRO CONTEST OCORRERAM NA PRAIA DA JOAQUINA E FORAM DOMINADAS PELOS AUSTRALIANOS. TOM CARROLL E MARK SAINSBURY EM FOTO DE BETO ISSA DO ACERVO DA HANG LOOSE. ALFIO LAGNADO PREPARA-SE PARA ENTREGAR O TROFÉU AO CAMPEÃO



NECO PADARATZ NA VERSÃO DE 2003 DO HANG LOOSE PRO CONTEST
VIRADA ESPETACULAR NA FINAL CONTRA BOBBY MARTINEZ COM UMA NOTA 10
COBERTURA DA HARDCORE COM TEXTO DE ZÉ ROBERTO ANNIBAL E FOTOS DE DENER VIANEZ E TIAGO NAVAS


GALERIA DOS CAMPEÕES DO PRO CONTEST:
2.012 – Miguel Pupo (SP) - VICE Jean da Silva (SC)
2.011 - Alejo Muniz (SC) - VICE Dion Atkinson (AUS)
2.010 - C. J. Hobgood (EUA) - VICE Raoni Monteiro (RJ)
2.009 - Bruno Santos (RJ) - VICE Raoni Monteiro (RJ)
2.008 - Raoni Monteiro (RJ) - VICE Gabe Kling (EUA)
2.007 - Aritz Aranburu (ESP) - VICE Leandro Bastos (RJ)
2.006 - Jean da Silva (SC) - VICE Gabe Kling (EUA)
2.005 - Bobby Martinez (EUA) - VICE Dunga Neto (CE)
2.004 - Warwick Wright (AFR) - VICE Marcelo Nunes (RN)
2.003 - Neco Padaratz (SC) - VICE Bobby Martinez (EUA)
2.002 - Victor Ribas (RJ) - VICE Guga Arruda (SC)
2.001 - Fábio Silva (CE) - VICE Wilson Nora (BA) final ABRAS
2.000 - Guilherme Herdy (RJ) - VICE Renatinho Wanderley (SP)
TODOS ESTES CAMPEONATOS (COM EXCEÇÃO DO DE 2001) OCORRERAM NA CACIMBA


NA VIRADA DO SÉCULO O HANG LOOSE PRO CONTEST TEVE DUAS VERSÕES NO MESMO ANO, UMA NO NORDESTE E OUTRA NA PRAIA DE MARESIAS EM SÃO PAULO. SPIRRO EM FOTOS DE TONY FLEURY NA COBERTURA DE PAULINHO COSTA PARA A FLUIR Nº 182

2.000 - Crhistiano Spirro (BA) - VICE Victor Ribas (RJ), Maresias (SP)
1.999 - Peterson Rosa (PR) - VICE Jojó de Olivença (BA), Maresias (SP)


QUATRO EVENTOS FORAM REALIZADOS AO SUL DE RECIFE, TRÊS DELES FORAM VENCIDOS POR SURFISTAS NORDESTINOS. COBERTURA DA REVISTA INSIDE NOW Nº 111 DE 1998, DESTAQUE PARA ARMANDO DALTRO
FOTOS DE FLAVIO VIDIGAL, FRANCISCO CHAGAS E CÉSAR AIELLO

1.999 - Richard Lovett (AUS) - VICE Toby Martin (AUS), MARACAÍPE (PE)
1.998 - Armando Daltro (BA) - VICE Brian Hewitson (EUA), GAIBÚ (PE)
1.997 - Marcelo Nunes (RN) - VICE Guilherme Herdy (RJ), MARACAÍPE (PE)
1.996 - Fábio Silva (CE) - VICE Armando Daltro (BA), MARACAÍPE (PE)

NO INÍCIO DOS ANOS 90 PETERSON ROSA CHEGOU A TRÊS DAS FINAIS DO
HANG LOOSE PRO CONTEST, QUANDO FOI REALIZADO NA PRAIA DE PITANGUEIRAS NO GUARUJÁ, VENCEU O ÚLTIMO EVENTO QUE ACONTECEU NO CANTO DO MALUF. LEVOU TAMBÉM UMA DAS ETAPAS REALIZADAS EM MARESIAS
AQUI “THE ROSE” NO HANG LOOSE PRO CONTEST DE 2002 EM FERNANDO DE NORONHA, ARREBATA A CAPA DAS DUAS GRANDES
FOTOS DE JAMES THISTED (HARDCORE) E TONY FLEURY


1.995 - Peterson Rosa (PR) -VICE Vetea David (TAH), PITANGUEIRAS (SP)
1.994 - Matt Hoy (AUS) - VICE Binho Nunes (SP), PITANGUEIRAS (SP)
1.993 - Joey Jenkins (EUA) - VICE Peterson Rosa (PR), PITANGUEIRAS (SP)
1.992 - Nicky Wood (AUS) - VICE Peterson Rosa (PR), PITANGUEIRAS (SP)
1.991 - Nicky Wood (AUS) - VICE Richard Marsh (AUS), PITANGUEIRAS (SP)
1.990 - Fábio Gouveia (PB) - VICE Matt Hoy (AUS), PITANGUEIRAS (SP)

FABIO GOUVEIA, APÓS 13 ANOS DA VITÓRIA DE DANIEL FRIEDMANN NO WAIMEA 5000, COLOCOU O BRASIL NO TOPO DO PÓDIO EM UMA ETAPA DO WCT NO GUARUJÁ. COBERTURA DE CARLOS LORCH PARA A VERSÃO BRASILEIRA DA REVISTA SURFER. FOTO DE TED GRAMBEAU


1.989 - Glen Winton (AUS) -  VICE Dave Macaulay (AUS), JOAQUINA (SC)
1.988 - Tom Carroll (AUS) - VICE  Marty Thomas (HAW), JOAQUINA (SC)
1.987 - Tom Carroll (AUS) - VICE Mark Sainsbury (AUS), JOAQUINA (SC)
1.986 - Dave Macaulay (AUS) - VICE Mark Occhilupo (AUS)
, JOAQUINA (SC)
  
TOM CARROLL EM SEQUÊNCIA CAPTURADA POR BRUNO ALVES, JOAQUINA
REPRODUÇÃO DE PÁGINA DA FLUIR Nº 18

Aguardem mais imagens e informações destes gloriosos eventos aqui neste blog. Solicitei a Tom Toledo, do departamento de Marketing da Hang Loose, que selecione todos os pôsteres dos 28 eventos. Em breve estas imagens estarão disponíveis.

O  PRIMEIRO POSTER
MOMENTOS DO EVENTO DE 1986

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

BRASIL OLÍMPICO

Mão na Tocha, de olho na Medalha

Nesta postagem farei um apanhando de algumas imagens (as primeiras) que fiz pessoalmente e outras que capturei da internet, com alguns dos surfistas brasileiros que tiveram o orgulho de carregar a Tocha Olímpica em cidades do Brasil.
ADRIANO DE SOUZA ACENA PARA O PÚBLICO
NO MOMENTO EM QUE ENTROU NO GUARUJÁ
TRAZENDO A TOCHA OLÍMPICA DE SANTOS
FOTO: DRAGÃO

Fiz questão de descer a serra e presenciar pessoalmente a entrada da tocha na cidade em que surfei minhas primeiras ondas (de pé). Apesar de eu ter começado a pegar ondas em Santos, desde 1962 com uma mini alaia, foi somente deitado. Considero meu batismo no surf na praia de Pitangueiras com minha primeira prancha, uma Glaspac MK3, no final dos anos 1960.
Thyola, Francisco José Chiarella, já surfava lá. Um dos mais caprichosos laminadores da história do surf paulista, partiu ao lado de Adriano de Souza, em uma catraia, antiga embarcação que até hoje faz o traslado de pessoas entre Santos e o Guarujá, para buscar a tocha olímpica, trazendo-a da Ilha de São Vicente – Santos, para a Ilha de Santo Amaro – Guarujá.

A CATRAIA PARTIU COM THYOLA E MINEIRINHO RUMO À PONTA DA PRAIA
NAVIOS PARARAM DE CIRCULAR PELO CANAL DO PORTO DE SANTOS PARA QUE A “ENTOURAGE” DA TOCHA FIZESSE A TRAVESSIA DE VOLTA
FOTO: REINALDO DRAGÃO

CHEGANDO AO PONTO DE ATRACAGEM DOS FERRY-BOATS 22/7/2016
ADRIANO MINEIRINHO EMPUNHA A TOCHA, THYOLA DE CASACO PRETO E VERMELHO LOGO ATRÁS DELE, DE LYCRA AZUL NENO MATOS (NENO DO TOMBO), FOI UM DOS SURFISTAS QUE ESCOLTOU A CATRAIA DE SANTOS PARA O GUARUJÁ EM UMA PRANCHA SUP
FOTO: CLÓVIS GONZALEZ


A grande notícia desta semana foi a inclusão de cinco novos esportes para as Olimpíadas de Tóquio, daqui a quatro anos: surf, skate, caratê, escalada e basebol.
Vejam a declaração do atual campeão mundial de surf, Adriano de Souza, para Bruno Vicaria, no site Waves:
“Eu sempre sonhei em representar o Brasil no surfe, mas nunca existiu uma competição entre países. Também sempre sonhei com as Olimpíadas, mas nunca aconteceu de termos surfe. Seria um sonho poder vestir a lycra verde e amarela e poder conquistar uma medalha olímpica e vou tentar realizar ele em 2020.”

A seguir uma colagem de fotos que capturei de Sites e do Facebook nestes últimos dias em que a Tocha Olímpica passeou por diversos Estados do Brasil.

QUANDO O FOGO OLÍMPICO ATERRISSOU EM BRASÍLIA GABRIEL MEDINA FOI UM DOS PRIMEIROS ATLETAS A CARREGAR A TOCHA PELAS RUAS DA
CAPITAL FEDERAL
FOTO RETIRADA DO SITE DA FOLHA DE S. PAULO NO DIA  3 DE MAIO DE 2016

IMAGEM RETIRADA DO SITE DA ALMA SURF
ROMEU ANDREATTA, FUNDADOR DA REVISTA FLUIR E HOJE COORDENANDO A ALMA SURF, FOI UM DOS SURFISTAS BRASILEIROS QUE MAIS BATALHOU PARA CONCRETIZAR ESTE “SONHO OLÍMPICO”

GABRIEL MEDINA, VEIO PARA A FESTA DE ABERTURA DOS JOGOS DO RIO
VILA OLÍMPICA, 3 DE AGOSTO DE 2016
IMAGEM RETIRADA DO SITE DA REVISTA HARDCORE


EM DESTAQUE NA CAPA DO PORTAL DO CANAL WOOHOO, NA VÉSPERA DA ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS DO RIO, DUAS GRANDES NOTÍCIAS: A INCLUSÃO DO SURF NOS PRÓXIMOS JOGOS DO JAPÃO EM 2020 E O BICAMPEONATO DE FILIPINHO TOLEDO (UM DOS CANDIDATOS AO OURO OLÍMPICO) NO US OPEN OF SURFING EM HUNTINGTON BEACH, NA CALIFÓRNIA

 CARLOS BURLE FOI O PRIMEIRO A LEVAR O TOCHA PASSEAR DE PRANCHA, NA PRAIA DE MARACAÍPE, NAS ONDAS DE SEU ESTADO NATAL, PERNAMBUCO
FOTO RETIRADA DO SITE DA MORMAII

CHLOÉ CALMON, VICE-CAMPEÃ MUNDIAL DE LONGBOARD, TEVE A HONRA DE TRANSPORTAR A TOCHA NO PARQUE IBIRAPUERA EM SÃO PAULO
IMAGEM RETIRADA DO SITE DA REVISTA SURFAR

ZECÃO EM UBATUBA
APÓS SER TRANSPORTADA, UM EXEMPLAR DA TOCHA FICA COM OS ATLETAS QUE FORAM HOMENAGEADOS
IMAGEM DO GRUPO FECHADO DO FACEBOOK “MENINOS DA PRAIA GRANDE”

TAMBÉM EM UBATUBA, CAPTUREI ESTA IMAGEM DO FACEBOOK DE WIGGOLLY DANTAS, COM A SUA IRMÃ E CAMPEÃ BRASILEIRA, SUELEN NARAISA COM A TOCHA

 EM SANTOS, ANTES DE CHEGAR ÀS MÃOS DE ADRIANO, A TOCHA PASSOU POR UM CORREDOR DE PRANCHAS, NO MAIOR JARDIM A BEIRA-MAR DO MUNDO, QUE VAI DO CANAL 1, PASSANDO PELAS PRAIAS DO GONZAGA, EMBARÉ, ATÉ O CANAL 6, NA PONTA DA PRAIA, EM FRENTE A ESTE PERCURSO FORAM SURFADAS AS PRIMEIRAS ONDAS DO BRASIL NOS ANOS 1930


TAIU TAMBÉM PARTICIPOU NO GUARUJÁ


ENQUANTO ISSO NO SUL - TECO PADARATZ
UM DOS SURFISTAS QUE AJUDOU A PAVIMENTAR NOSSA TRAJETÓRIA OLÍMPICA


 EM SAQUAREMA, NA REGIÃO DOS LAGOS (RJ)
RAONI MONTEIRO POSA COM A TOCHA PARA SUA IRMÃ RAIANA MONTEIRO

RICO DE SOUZA NA PRAIA DA MACUMBA
ESTA FOTO FIZ COM MEU CELULAR DA TELA DO “BOM DIA BRASIL”
ISSO FOI AO AR "AO VIVO" NA GLOBO NO DIA 4 DE AGOSTO DE 2016

RICO, O PRIMEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO DE SURF EM 1972, TROUXE A TOCHA ACESA ATÉ O PONTAL E BRINDOU COM O PÚBLICO A INCLUSÃO DO SURF NOS JOGOS DO JAPÃO EM 2020, TORCENDO PELAS GERAÇÕES ATUAIS
IMAGEM RETIRADA DO SITE RICOSURF

Em meu projeto para concretizar o livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO estarei destacando todos estes grandes momentos que envolvem o esporte e o estilo de vida ligado ao surf. Este blog é um projeto paralelo e trará cada vez mais informações, entrevistas e registros históricos e atuais desta bela história que está em curso...

Para buscar mais informações: WWW.HSURFBR.COM.BR


quinta-feira, 21 de julho de 2016

TEMPORADA HAVAIANA

Um sonho para qualquer surfista brasileiro

A partir desta postagem começarei a lançar alguns textos meus que publiquei em revistas de surf ao longo destes 30 anos que passei a trabalhar na imprensa brasileira especializada, desde 1986, quando entrei como editor assistente da FLUIR.

TEXTO PUBLICADO NA HARDCORE #152, ABRIL 2002
 QUE COMEMORAVA OS 13 ANOS DE PUBLICAÇÃO DA REVISTA

Os garotos brasileiros começam a sonhar com as ondas havaianas ao ver fotos nas revistas, filmes e ouvir falar da experiência de ir surfar as ondas do Hawaii em contraste gritante de power e tamanho, com nossas ondas brasileiras.

Neste ano a HARDCORE completou 27 e tive o prazer de escrever uma grande matéria histórica para a edição de aniversário de 2016. No início dos anos 2000 eu escrevia mensalmente uma coluna chamada NO TEMPO DO DRAGÃO, vejam a íntegra do texto original para aquela edição:

Coincidentemente com o aniversário da Hardcore, percebi que havia cumprido 13 temporadas havaianas. A essência, após um quarto de século de empreitadas, permanece a mesma.

Quando decidi que o Hawaii era o destino principal para elevar o nível do meu surf, no meio dos anos 70, umas poucas levas de brasileiros haviam frequentado as Ilhas. Ainda naquela década fui por três temporadas seguidas, somando rapidinho meio ano de vivência nas ondas havaianas. Na virada da década uma viagem ao redor do planeta atrás das ondas me levou até o Hawaii novamente. Mal sabia eu que um casamento e o nascimento de uma filha, me prenderiam no Brasil por quase toda década de 80. Em 89, finalmente voltei ao North Shore, desta feita como jornalista de surf, o que me levou para mais uma série de 9 temporadas, com algumas interrupções esporádicas. Principalmente nos anos mais recentes, nos quais a abertura de uma loja me privou de ausentar do país justamente no mês de dezembro, o ápice da temporada e dos campeonatos.

Ao longo destes anos pude sentir o power do Hawaii de duas formas, como um atleta (free surfer), buscando performance e posteriormente como um analista, procurando retratar para leitores, tanto que estiveram no local, como para quem não teve a oportunidade de estar lá, um relato quente, fiel, íntimo e real do que é a adrenalina, os prazeres, temores e terrores de uma estadia nas Ilhas havaianas. Independente do enfoque, mesmo porque para escrever uma boa matéria é necessário estar dentro do mar, para sentir na pele toda pressão do crowd, das ondas e a perícia dos profissionais, o que obviamente fazia com imenso prazer. Aliás, não há nada que se compare com a energia que é passada para você, quando está dentro d’água, comparada a que se recebe ao assistir da areia, ou pior a ainda em vídeos ou revistas, principalmente num mar havaiano.

Como recado aos leitores de minha coluna, e essa é a razão principal de ter retornado por tantas vezes ao Hawaii, deixo o fato consumado de que uma temporada havaiana, por mais fraca e criticada que seja, é uma experiência que todo o surfista que busca conhecer seu verdadeiro limite, deve colocar no topo de sua lista de prioridades. Mesmo que seja caro, economize, persista, pois um belo dia o dólar pode estar em baixa, pode surgir um pacote promocional que permita ir até lá e cada dia, cada onda surfada, por mais difícil que seja, e realmente é difícil pegar ondas boas lá, será lembrada com valor em suas memórias de surf. É importante ter em mente que os mares mais fracos que pintam por lá, às vezes são tão bons como alguns dos melhores dias do ano em sua praia local. Isso sempre foi assim e sempre será. Infelizmente há uma diferença muito grande entre as ondas que quebram aqui no Brasil e as que bombam no Hawaii. O amor pela terra natal nunca terminará, mas uma temporada havaiana é uma temporada havaiana. Eu já estou me coçando em busca da próxima.

REPRODUÇÃO DA PÁGINA DUPLA EM QUE SAIU A MATÉRIA

 NA CAPA DA EDIÇÃO MARCELO TREKINHO
FERNANDO DE NORONHA
FOTO: CLEMENTE COUTINHO

Fernando de Noronha é o nosso Hawaii, mas não há nada que se compare a variedade de ondas que estão disponíveis nas Ilhas Havaianas. Comecei a frequentar o Hawaii em dezembro de 1976. Na temporada 1977\78 tive a sorte de viajar ao lado de um dos gurus da fotografia de surf brasileira, Klaus Mitteldorf, que publicou uma matéria de 10 páginas na ante-penúltima edição da BRASIL SURF em maio de 1978.

ABERTURA DA MATÉRIA “PAULISTAS NO HAWAII", TEXTO E FOTOS DE KLAUS MITTELDORF. ROBI EMMENEGER DE BRAÇOS ABERTOS DESPENCANDO EM HONOLUA BAY. NA FOTO MENOR: EU ESTOU DE CAMISETA LARANJA, COM CARLOS CARBONE AMARRANDO AS PRANCHAS NO RACK, ROBI E ROBERTO TEIXEIRA, SEM CAMISA, HALEIWA SURF CONDOMINIUM
 DETALHE DO TEXTO, AMPLIANDO DÁ PARA LER
UMA DAS FUNÇÕES DESTE BLOG É RESGATAR ESTES REGISTROS
 A SEGUNDA DUPLA DA MATÉRIA TRAZIA HONOMANU BAY
UMA BAÍA MARAVILHOSA PASSANDO POR PEAHI, A CAMINHO DE HANA
NO NORTH SHORE DE MAUI
DETALHE: DO LADO OPOSTO, QUEBRAM ALTAS ESQUERDAS
UMA DUPLA, EM PRETO E BRANCO, SOBRE PIPELINE
NAS ONDAS: FABRÍCIO UCHOA, SURFISTA DE BERTIOGA, QUE HOJE É FAZENDEIRO EM RIBERÃO PRETO. DÔDO VON SYDOW (EM 2 FOTOS), VICE PARA CAULI RODRIGUES EM UBATUBA, DA CAPITAL PAULISTA E HOJE MORA NO HAWAII HÁ QUASE 20 ANOS. NA ÚLTIMA FOTO DA DIREITA PAULINHO TENDAS, UM DOS MAIORES TALENTOS DO GUARUJÁ, UMA DAS GRANDES PERDAS PRECOCES DO SURF BRASILEIRO
 MINHA FOTO PREFERIDA, ATÉ HOJE, É ESTA PÁGINA DUPLA (A MESMA QUE SERVE DE PANO DE FUNDO PARA ESTE BLOG), COM MAIS DOIS INSERTS SURFANDO DE FRONT SIDE COM A LIGHTNING BOLT AMARELA
DE PRANCHA VERMELHA É ROBI EMMENEGER, NOSSO PARCEIRO DA VIAGEM A MAUI. ESTÁVAMOS NA BARCA: ROBI, CARLOS CARBONE, KLAUS E EU
 A ÚLTIMA DUPLA, DE SUNSET BEACH, TRAZIA UMA FOTO MAIOR DE DÔDO E ELE TAMBÉM NA FOTO DO CANTO. A SEQUÊNCIA DE 3 FOTOS DO PAULO TENDAS É EM HALEIWA. E ELE ESTÁ USANDO A MINHA TOM PARRISH AMARELA, UMA DAS 5 MÁGICAS QUE TIVE EM QUASE 50 ANOS DE SURF. FOI ROUBADA EM HALEIWA DO TERRAÇO DO 2º ANDAR, À NOITE

CAPA DA EDIÇÃO EM QUE SAIU A MATÉRIA “PAULISTAS NO HAWAII”
RICO DE SOUZA EM FOTO DE NILTON BARBOSA NA GUARATIBA


Nas próximas postagens do blog estarei trazendo mais textos antigos e também comentando e analisando a história recente do surf brasileiro.

ATÉ BREVE


sexta-feira, 22 de abril de 2016

SURFISTAS, PRAIAS & CAMPEONATOS

Definindo um formato de apresentação da obra

Ao conceber o livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO procurei padronizar a montagem, sem deixar de dar o devido peso aos verdadeiros protagonistas e procurando trazer alguns aspectos de originalidade. O fio condutor será ancorado em quatro tipos de capítulos que irão se alternando ao longo das páginas.

NO SITE DO LIVRO HÁ UM RESUMO SOBRE OS CRITÉRIOS ADOTADOS
OS SURFISTAS, AS REGIÕES DE SURF E A CONSAGRAÇÃO EM COMPETIÇÕES
INGREDIENTES PRINCIPAIS, AO LADO DA HISTÓRIA PROPRIAMENTE DITA

As páginas de abertura do livro, trazem três belas fotos envolvendo estes três temas e irão dar o primeiro impacto com momentos antigos e também mais recentes, acompanhados de legendas densas e informativas.
O PROJETO GRÁFICO DO LIVRO ESTÁ A CARGO DO PREMIADO FERNANDO MESQUITA

Originalmente minha ideia era montar um grande livro de capa dura, com 420 páginas. Ao lado de meus produtores culturais chegamos a inscrever o projeto na Lei Rouanet e durante mais de um ano atendemos a diversas exigências e alterações, vai e volta, até nos darem uma negativa em função do custo total.
Tenho uma noção exata de onde quero chegar com este projeto e, além do conteúdo escrito, a participação dos “artistas”: fotógrafos e pintores (artistas plásticos), também é fundamental. Não estou trabalhando com valores exorbitantes, mas justos e que proporcionarão uma alma visual na minha concepção desta obra.

QUADRO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
PREPARADO ESPECIALMENTE PARA O LIVRO
PELO ARTISTA CARIOCA LEANDRO SILVA


DETALHES DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA OBRA
DUAS TELAS DE 1,60 POR O,60 M CADA

Fernando Mesquita, um dos fundadores da revista Fluir em 1983, foi a primeira pessoa que se apresentou como minha parceira neste projeto, ele é o Diretor de Arte. Eu já tinha a ideia de algumas vinhetas que ilustrariam os quatro tipos de capítulos para dar uma identidade gráfica. Fernando, conhecido como Grilão, me veio com a ideia de Tom Veiga. Eu já conhecia o trabalho dele e esta imagem da perua Kombi com uma prancha na capota foi desenvolvida através de um “rafe” de Grilão enviado para Toninho Veiga.

PROPOSTA PARA ABERTURA DE UM DOS CAPÍTULOS: “MEMÓRIAS DO SURF”
TRAZENDO A VINHETA DE TOM VEIGA
E EMBLEMÁTICA FOTO DE TITO ROSEMBERG

Os capítulos “Memórias do Surf”, também foram inicialmente (no livro único) concebidos para serem apresentados em uma única página dupla. No projeto atual, com 5 VOLUMES totalizando 660 páginas, todos estes capítulos terão 4 páginas, uma abertura de impacto, com esta pegada acima e mais uma página dupla, com a maior carga de texto.
Enfim, o projeto atual tem a previsão de lançamento do VOLUME 1 antes do final deste ano. E logo em sequência, no ano de 2017, os volumes 2 a 5, culminando com a história recente e os grandes títulos de Gabriel Medina e Adriano de Souza.

ESBOÇO INICIAL DA ARTE DA CAPA DO VOLUME 1
TRABALHO DE ARTE DE FERNANDO MESQUITA

Reparem que esta capa foi montada em 2013, antes dos títulos de Medina e Mineiro, mas eles já estavam lá. Acima outra das web pages do site do livro com o destaque para o crédito (legendas - cliquem na foto para ampliar) das fotos escolhidas para a capa embrionária. Agora teremos cinco diferentes capas, sempre trazendo uma mescla de momentos antigos e imagens mais atuais de nossa história do surf, com a participação dos surfistas e fotógrafos que ajudaram a construir e registrar essa história.
O fotógrafo Sebastian Rojas apoia a capa com este incrível aéreo (tirado de dentro da água) de Medina em bateria no Quiksilver Prime de Saquarema em 2013; Bruno Alves e o angulo singular das pedras da Joaquina lotadas de expectadores durante o histórico Hang Loose Pro Contest em 1986; Fedoca e suas fotos da Era do Píer são registros dignos de capa. 

Ainda teremos uma outra arte para o BOX que virá com os 5 VOLUMES ao final de 2017.

MONTAGEM EM FOTO DO PRÓPRIO FERNANDO MESQUITA
TRABALHO REALÇANDO AS CORES DA BANDEIRA BRASILEIRA
ONDA DA PONTA DO CEPILHO – RJ
BOA OPÇÃO PARA A CAIXA – BOX, CONTENDO OS 5 VOLUMES


Todo o trabalho que venho fazendo nestes últimos quatro anos teve o respaldo das marcas que vocês encontram aqui ao lado (e na página PARCEIROS no site do livro). O apoio deles me permitiu fazer algumas das viagens e entrevistas necessárias, até agora, mas ainda há um longo caminho de pesquisa que está em curso.
Hoje, segundo meus produtores culturais, o Volume 1 já está aprovado no Proac – ICMS, Estadual de São Paulo, mas ainda aguardamos a publicação do mesmo no Diário Oficial, para iniciar a captação dos recursos e realmente poder partir para a concretização do livro impresso.
Nesse meio tempo este BLOG - Histórias do Surf, permanecerá ativo; não só até o lançamento do livro, mas também continuando a contar e analisar os desenlaces futuros do surf brasileiro. Em muitos casos o blog abordará de forma ainda mais detalhada e abrangente, assuntos que no livro terão de ser apresentados de forma mais sucinta, devido à própria personalidade de cada produto, porém sempre com o devido peso histórico.
A ideia é que meus “herdeiros e sucessores” mantenham as informações deste blog ativas, na forma mais moderna que as tecnologias do futuro nos permitirem. Por hora curtam as quase 80 postagens aqui apresentadas, bem como um aperitivo dos 7 primeiros capítulos do livro, publicados no blog no segundo semestre de 2013. E aguardem o livro no final do ano.

Maiores informações no site do livro www.hsurfbr.com.br



quarta-feira, 23 de março de 2016

ENTREVISTAS, PEDRAS FUNDAMENTAIS

Importantes relatos para montar a história

Como expliquei no site do livro www.hsurfbr.com.br estou baseando todo meu projeto de pesquisa em duas fontes principais:
     A) O material publicado – jornais, revistas, pesquisas na web e livros;
     B) Uma grande coleção de entrevistas que venho realizando nestes últimos quatro anos, desde 2012.
 MARACA SENDO ENTREVISTADO EM SAQUAREMA
EM PRIMEIRO PLANO JACQUES NERY, DE CAMISETA AMARELA
AO FUNDO OTÁVIO PACHECO E CARLOS PENHO
FOTO: DRAGÃO

Para este projeto do livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO já entrevistei ao redor de uma centena de surfistas e minha grande “arte” será apresentar (no livro) esta colcha de retalhos que venho costurando.
Uma das entrevistas que fiz recentemente no Guarujá foi com Fuad Mansur. Ao lado de seus irmãos mais velhos Elias e Wady (que hoje mora no Rio), Fuad ganhou notoriedade mais recente em virtude da excelente parafina produzida pela família, a FU WAX. Os irmãos Mansur começaram a produzir parafinas em 1972 com uma fórmula adquirida do talentoso surfista carioca Ian Robert. Os rótulos com a marca Fu Wax só surgiram a partir de 1992, ao lado de outros segredos que introduziram na fórmula.

FUAD É UM ESTILISTA NATO
FOTO RETIRADA DO BLOG DA MÁFIA (SEM CRÉDITO DO AUTOR)

Abaixo algumas pérolas da entrevista que tenho com ele. Lembro que o livro terá uma pegada totalmente diferente deste blog. Na verdade são dois “produtos” que andam em paralelo e tem o objetivo de deixar registrado para as futuras gerações as facetas mais importantes de nosso querido lifestyle do surf, seus heróis, pensamentos e conhecimentos. Com a palavra Fuad Mansur. Lembrando que o pai deles, o colombiano Alberto Mansur, foi um dos precursores da produção de surfwear no Brasil.

FUAD MANSUR, nascido em 1956, completa 60 anos em 2016: “O nosso esporte é ‘méritocrata’ - Quanto mais tu pega onda, mais eu te respeito. Por mais bunda mole que tu seja. Eu posso odiar o cara, mas se ele surfa bem eu respeito. O surf é ‘méritocrata’.

SOBRE A SURFWEAR E A MANSURF
“Magno foi o pioneiro no Brasil a partir de 1966 para 1967. Teve também a marca Brequelé, de Ricardo Bravo (trabalhou na BRASIL SURF, hoje faz filmes). Maurício Galinha, da Surf Art, fazia junto com o Rico, a partir de 1971. Em São Paulo quem fazia bermudas para surfar era a Macaló, das antigas lojas Ducal. Meu pai fazia milhares de jeans com a marca Carlos Imperial em Sampa. Depois vieram para Santos e fizeram a Mc Chad Jeans, com Miguel Chaddad. Ainda nos anos 1960, meu irmão Elias chegou e colocou o “F” no Mansur, ficou MANSURF. Criamos a nossa marca.
Foi nessa época que o meu pai começou a fazer bermudas de nylon, para concorrer com a Ducal. Pois quem fazia as bermudas eram as mulheres dos zeladores nos prédios de Santos, artesanal. Meu pai alugou uma loja na R. Frei Gaspar e fazia umas bermudas de nylon que parecia com aquele material dos guarda-chuvas.
Um dos primeiros clientes foi o Homero, vendendo bermudas na fábrica de pranchas dele, ainda em 1968. Alberto Mansur chegou na Rua Epitácio Pessoa, na loja do Homero e montou a vitrine, com bermudas, camisetas. Isso já nos anos 1970. A Demy Modas, loja da R. Marcílio Dias, vendia pranchas, meu pai apresentou o Homero e ele vendeu 300 pranchas naquela loja.”
 FÁBIO KERR AO LADO DE FUAD MANSUR
FÁBRICA DA FU WAX NO GUARUJÁ
FOTO: DRAGÃO – MARÇO 2016

FÁBIO KERR SURFANDO NO ARPOADOR
FOTO: SITE RICO SURF

Fabio Kerr veio surfar no Guarujá em uma meia dúzia de oportunidades nos anos 1960. Quando aconteceram os primeiros campeonatos do Estado de São Paulo, em frente ao Clube da Orla (hoje Shopping La Plage), ao lado de um grupo de surfistas do Rio de Janeiro, veio para julgar e também fizeram demonstrações, com um surf muito mais evoluído. Cinquenta anos após sua primeira viagem para a praia de Pitangueiras ele voltou e me deixou uma longa entrevista da qual destaco alguns trechos:

FÁBIO KERR (14/07/1952): “Meu pai nasceu no Brasil e meu bisavô veio dos EUA, a origem da minha família é da Escócia. Saíram da Escócia e foram para o sul dos EUA, tinham ‘plantation’ e na época da Guerra Civil Americana fugiram para o Brasil. Meu bisavô ainda era americano, meu avô já era brasileiro. Minha família primeiro morou em São Paulo, na região de Marília, depois meu avô veio para o Rio, para trabalhar na IBM. Toda minha família era ligada ao mar e à natação.

“Eu já pegava onda com aquelas pranchinhas de madeira ‘Oceania’ e também com as de isopor, deitado. Um dia, em 1961, eu tinha 9 anos, fui caminhando até o Arpoador, de tarde, sento nas pedras e eu vejo um cara, lá na primeira pedra, que nós chamamos de Pontão Mor, ele estava com uma prancha de madeira e ficava de pé na pedra, esperando a onda vir e ele não remava, de pé, se jogava na onda e pegava o corte. Era o Tito Rosemberg.”
“Um pouco depois disso (1964\1965) começaram a chegar as primeiras pranchas de fibra dos EUA e também da França. A primeira prancha gringa que apareceu aqui foi a do Russell Coffin, porque simplesmente o pai dele era o dono da Coca-Cola aqui na América do Sul. Em 1965 teve aquele campeonato em que vieram os norte-americanos Mark Martinson e Dale Struble. Teve uma competição de remada da praia do Diabo até o Arpoador que participei.”
...

“Pelo menos umas cinco pranchas importadas que eu, o Rafael Gonzalez e outros cariocas que vieram para as demonstrações e o julgamento dos campeonatos no Clube da Orla trouxemos, ficaram em São Paulo, porque vendemos. Eram Hobies, Hansen, Barland Rott Surfboards...”

Essa vinda dos surfistas do Rio a São Paulo e a realização dos campeonatos deu um grande impulso ao surf paulista. Ainda trarei muitas outras informações sobre estes eventos aqui no Blog – HISTÓRIAS DO SURF.

FABIO KERR EM FOTO DE TITO ROSEMBERG
RETIRADA DO ÁLBUM DE FOTOS DA TÓTEM

Na viagem que fiz a Saquarema no segundo semestre do ano passado tive a oportunidade de entrevistar Maraca – Rossini Maranhão Filho. Uma de suas histórias, em Sunset Beach no Hawaii, cheguei a editar para a Revista Fluir de aniversário. É possível fazer o download da imagem abaixo, ampliar no seu computador e ler. Uma pura aventura do surf.

REPRODUÇÃO DE PÁGINA DUPLA DA FLUIR DE OUTUBRO 2015

FOTO DE TITO ROSEMBERG DE SEU ÁLBUM
TITO E MARACA EM AVENTURA DE DESCOBERTAS
LITORAL NORTE DO RIO

Vamos fechar esta postagem, para não ficar muito longa, com um trecho de uma entrevista (que ainda preciso continuar), realizada em 2014 com o shaper paulista, radicado em Florianópolis, Avelino Arantes Bastos.

AVELINO EM SUA CASA ENTRE A LAGOA DA CONCEIÇÃO E A PRAIA DA JOAQUINA
FOTO: DRAGÃO

De pais imigrantes espanhóis que vieram da Galícia e foram morar em São Paulo, começou a surfar com uma planonda em Santos. Aos seis anos, ia para o Guarujá, atravessava a balsa para Bertioga, mas só surfava deitado. A família se mudou para o Paraná, depois Campinas. Na virada de 1974 para 1975 mudou para Santos. Apenas com 14 anos viu o que era uma prancha de verdade.
Avelino se transformou em um dos maiores shapers e designers do Brasil. A sua entrevista aborda diversos aspectos da evolução do surf brasileiro e precisa ser retomada na virada para o início dos anos 1990. Porém um pouco antes disso, antes de completar 30 anos de vida, esteve envolvido com um dos importantes episódios da evolução do surf brasileiro. Há anos ele vinha preparando Flávio ‘Teco” Padaratz para uma carreira internacional (detalhes dessa história estarão no livro e em postagens futuras), enviou o garoto para morar na Califórnia, pegar traquejo no inglês e aprender a se virar...

AVELINO BASTOS (08/01/1961): “Depois que o Teco Padaratz voltou de Porto Rico, durante o Sundek Classic de 1988, achamos que era o instante de ele se profissionalizar. Naquele momento recebemos diversas propostas, da OP, da própria Sundek, da Sea Club que era a Alpargatas e vinha investindo forte no surf e da Hang Loose, fora outras empresas que não tinham a mesma bala. A gente acabou fechando com o Alfio. A proposta da Hang Loose, que era uma empresa consolidada mas ainda emergente, me pareceu que olhava mais longe. O Alfio chegou para mim e falou, ‘Mas tem uma coisa, eu tenho um quesito: o Fabinho tem que ir junto.’ Ele não tinha como bancar separado. E para mim estava tudo bem. O Teco também falou: ‘Gosto do Fabinho, estamos competindo sempre juntos. Vamos aí’. E eles foram amigos próximos durante muito tempo. Foi bom para a carreira dos dois, no sentido da disputa, de evolução de estilo. E no momento em que a coisa começou a ficar tensa, foi quando o Piu Pereira entrou no meio da história, passou a viajar com eles e deu uma equilibrada. Ficou muito legal.”

AVELINO BASTOS NA CAPA DA FLUIR NÚMERO 5
SURFANDO EM OCEAN BEACH NA CALIFÓRNIA
FOTO: CINDY HACKWORTH

Com Avelino já tenho três sessões de gravação totalizando quase três horas de depoimentos. E muitas histórias interessantes ainda a serem contadas. Tanto ele, como outros shapers, terão espaço aqui neste blog para deixar perfis mais densos para referência futura dos interessados. Este é um trabalho que continuará com o apoio das marcas que colaboram com este projeto de pesquisa.
O livro impresso será lançado em 5 VOLUMES e conforme a história for se desenvolvendo, com novos campeões brasileiros (é o que todos esperamos), novos volumes poderão ser lançados e o blog continuará trazendo informações sobre todos os aspectos desta grande história.

Para buscar mais informações: WWW.HSURFBR.COM.BR