segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

SUPREMACIA BRASILEIRA

Rescaldo pós Triple Crown 2017


O havaiano John John Florence levou o título da temporada, mas analisando com mais atenção podemos notar que a “Tempestade Brasileira” nunca esteve tão forte. Vamos levar em conta as performances nesta Tríplice Coroa Havaiana e em toda temporada de 2017 da WSL.

GABRIEL MEDINA MANTEVE JOHN JOHN SOB PRESSÃO ATÉ O ÚLTIMO DIA DE COMPETIÇÃO DA WSL EM 2017

Os embates diretos entre eles não foram tantos nesta temporada, mas muitos outros com certeza virão nos próximos anos. Há quem acredite que John foi beneficiado na bateria contra Ethan Ewing e que com isso o quinto lugar alcançado por Gabriel ao vencer Slater seria suficiente para garantir o segundo título ao brasileiro.
Pode até ser...
Por outro lado, concordo com a entrevista de Kelly Slater ao Canal Woohoo em que raciocinou que quando um desafiante, ou atleta mais baixo no ranking, enfrenta um campeão consagrado, não pode deixar dúvidas, tem que vencer de forma contundente. Isso também tem sua lógica.
O fato é que Florence é o campeão mundial da WSL em 2017 e Gabriel também não vai esmorecer em busca do bi, do tri...

GABRIEL MEDINA MOSTROU SUA INTIMIDADE E DETERMINAÇÃO NAS VARIADAS CONDIÇÕES DE PIPELINE E BACKDOOR. FUTURO PIPEMASTER... FOR SURE!
FOTO: HEFF \ WSL

IAN GOUVEIA FOI O BRASILEIRO A IR MAIS LONGE NO BILLABONG PIPE MASTERS DE 2017, CHEGOU ATÉ AS SEMIFINAIS E O ESFORÇO VALEU A VAGA PARA A ELITE NA TEMPORADA 2018. NA FOTO ACIMA TREINANDO NOS DIAS DE VENTO RUIM DO QUADRANTE NORTE
FOTO: CESTARI \ WSL

O que pretendo deixar registrado nesta última postagem de 2017 é uma perspectiva sólida de evolução para o surf brasileiro, vou destacar alguns fatos e constatações e vamos com fé para 2018.

11 BRAZUCAS NA ELITE
Isso é uma façanha incrível, é a primeira vez que ultrapassamos o número de australianos na elite. Ou melhor, acho que é a primeira vez que qualquer país ultrapassa o número de australianos no primeiro escalão da WSL \ ASP \ IPS. Onze de 34 surfistas classificados para disputar o título, é um terço da força.

Também tivemos 11 classificados, em 2000, para disputar a temporada de 2001, nosso recorde anterior, mas naquele tempo eram os TOP 44, ou seja 25% e os australianos representavam quase 50% dos surfistas de elite.
Vejam o quadro abaixo que saiu publicado em uma reportagem especial que fiz para a revista Hardcore na edição de 15 anos:

REPRODUÇÃO DA EDIÇÃO # 176 DA HARDCORE – ABRIL 2004
O quadro mostra o campeão mundial e a colocação de todos os brasileiros que disputaram o circuito em cada ano. Eram 11 brasileiros em 2001, caímos para dez em 2002 e nove surfistas em 2003. As setas indicam atletas que não se classificaram para a temporada seguinte.

A ABERTURA DA MATÉRIA DE 2004 TRAZIA OS DOIS BRASILEIROS QUE FORMARAM A LINHA DE FRENTE DO SEGUNDO ATAQUE AO TOUR. FABIO GOUVEIA EM AÇÃO E TECO PADARATZ. FOTOS DE JAMES THISTED E FERNANDO CASSINI
(já reproduzi outros quadros desta pesquisa\reportagem em postagens anteriores)
CLIQUEM E AMPLIEM QUE DÁ LEITURA


PÁGINA DA CITADA MATÉRIA COM MAIS ESTATÍSTICAS QUE COMPILEI EM 2004

PETERSON ROSA NO PÓDIO, VICE-CAMPEÃO EM J-BAY 2001. O BRONCO, OU ANIMAL, COMO ERA CONHECIDO PELOS GRINGOS, DE 1998 AO INÍCIO DOS ANOS 2000 FOI, EM QUATRO OCASIÕES, O BRASILEIRO MELHOR COLOCADO AO FINAL DE UMA TEMPORADA NA ASP. FOTO LEVY PAIVA

Nesta temporada de 2017, mesmo sem termos levado o título máximo, nossos números são superlativos.

5 VITÓRIAS EM ETAPAS DO WCT 2017
Filipe venceu J-Bay e Trestles, Gabriel na França e Portugal, Adriano em Saquarema; os aussies ficaram com três Owen na Gold Coast, Wilko em Fiji e Julian no Tahiti; mais um título para o Hawaii (John), África (Jordy) e França (Jeremy), ou seja – total supremacia brasileira em vitórias no CT em 2017.

5 NOVOS CLASSIFICADOS PELO WQS
Jessé Mendes, Tomás Hermes, Yago Dora, Willian Cardoso e Michael Rodrigues são novidades brasileiras no CT 2018, contra um americano Griffin Colapinto (mais o retorno de Pat G.), um australiano Wade Carmichael. As vagas do QS são completadas pelos havaianos Lau e Asing, que a exemplo de Gudauskas não disputarão o Rookie of the Year por já terem participado de temporadas completas anteriores. 
Isso não é supremacia???
Só que a coisa não para por aqui.

BRASILEIROS NA TRIPLE CROWN
Vamos analisar agora o ranking da Vans Triple Crown of Surfing 2017, entre os 15 primeiros, ao final dos três eventos, tínhamos meia dúzia de brasileiros, contra quatro norte-americanos, um australiano, um francês, um italiano, um taitiano e o solitário havaiano John John. Essa série de eventos sempre foi dominada por havaianos e australianos. Griffin foi o primeiro e único surfista da Califórnia a vencer a série. E Gabriel Medina o único brasileiro em 2015. Até o início deste milênio os nomes de brasileiros pairavam “longínquos” dos Top 5 desta série.
RANKING FINAL DA HAWAIIAN TRIPLE CROWN EM 2017

A vitória de Filipe Toledo em Haleiwa foi a primeira de um brasileiro no Hawaiian Pro. O evento de Haleiwa, primeira etapa, é o campeonato havaiano em que mais colocamos brasileiros no pódio, inclusive as meninas, que já haviam vencido, mas entre os homens esta vitória de Filipinho foi emblemática e marcante, quebrou um tabu e agora, finalmente, temos vitórias nos três eventos da Tríplice Coroa Havaiana.

No campeonato de Sunset Fabinho Gouveia quebrou o gelo em 1991. A segunda vitória veio em 2010 com Raoni Monteiro na O’Neill World Cup. Considero também uma vitória, talvez até mais engasgada que aquela derrota de Gabriel para Julian Wilson em Portugal em 2012, o segundo lugar de Leo Neves para Makua Rothman em 2007.

VAMOS FALAR DE PIPELINE

GABRIEL MEDINA, ADRIANO DE SOUZA E A BANDEIRA BRASILEIRA
ESTENDIDA NO PÓDIO DO BILLABONG PIPELINE MASTERS EM 2015

O ano de 2015 fechou de forma apoteótica para o surf brasileiro. Não sei se teremos outra temporada tão espetacular (?), vejam a postagem que deixei neste Blog - HISTÓRIAS DO SURF no final de 2015, há exatos dois anos (LINK ao final desta postagem), para ter uma ideia da magnitude. Esta imagem acima diz muito: a primeira taça da Era WSL erguida por Mineirinho, o troféu da Triple Crown aos pés de Gabriel. Medina – o primeiro brasileiro a vencer a Tríplice Coroa Havaiana; De Souza – o primeiro brasileiro a vencer o Pipeline Masters. Ambos numa final no Hawaii. O ano de 2015 trouxe uma série de outros indicadores assinalados há 24 meses neste blog.

Historicamente Pipeline é uma onda em que os brasileiros (qualquer surfista do mundo), encontram desafio e superação. Antes de Gabriel e Adriano, Pepê Lopes, Guilherme Herdy e Renan Rocha frequentaram este aclamado pódio.

PEPÊ LOPES ENCARANDO A CÂMERA
DE COSTAS GERRY LOPEZ, MAIS AO FUNDO RORY RUSSELL E MARK RICHARDS “DIZE-ME COM QUEM ANDAS...” REPRODUÇÃO DO LIVRO DE ALEX GUTENBERG PUBLICADO PELA FLUIR EM 1989, DOIS ANOS ANTES DE SEU ACIDENTE FATAL
 PEDRO PAULO GUISE CARNEIRO LOPES RUMO A FINAL DO PIPELINE MASTERS INVITATIONAL EM DEZEMBRO DE 1976, FOTO: JEFF HORNBAKER

 GUILHERME HERDY EM CAPA DA INSIDE DURANTE O ÉPICO EVENTO DE 1995


GUILHERME HERDY UM ANO DEPOIS, EM DEZEMBRO DE 1996, SUBIU AO PÓDIO NUMA ÉPOCA EM QUE OS TERCEIROS COLOCADOS ERAM AGRACIADOS COM TROFÉUS, REPAREM NO PRATO QUE ELE ESTÁ SEGURANDO. COBERTURA QUE FIZ PARA A HARDCORE NÚMERO #90 DE FEVEREIRO \ 97. FOTO: JAMES THISTED

RENAN ROCHA SUBIU AO PÓDIO DO PIPELINE MASTERS, FICANDO EM TERCEIRO LUGAR EM 2000, COM DIREITO A NOTA 10 EM SUA TRAJETÓRIA
FOTO: SEBASTIAN ROJAS

Evolução
Contra fatos não há argumentos, os números apresentados acima dão uma dimensão do crescimento e da presença brasileira no cenário do surf internacional, não mentem e dão peso a uma história que está sendo escrita com muita dedicação e esforço. Devemos vangloriar nossos pioneiros.

DANIEL FRIEDMANN COMPETINDO NOS ANOS 1970 - WAIMEA 5000, ARPOADOR
FOTO: NILTON BARBOSA RECORTADA DAQUELA REVISTA HARDCORE DE 2004

VICTOR RIBAS ATINGIU A TERCEIRA COLOCAÇÃO NA TEMPORADA 1999, EM DEZEMBRO DAQUELE ANO ESBANJOU ESTILO EM PIPELINE. FOTO DEAN WILMOT, CAPA DA FLUIR #172 DE FEVEREIRO DE 2000

 EM 2002 NECO PADARATZ TEVE UMA TEMPORADA AVASSALADORA NA FRANÇA, VENCEU O QUIKSILVER PRO DEIXANDO ANDY IRONS (CAMPEÃO DA ASP NO ANO) EM SEGUNDO. ABERTURA DE MATÉRIA NA HARDCORE ESCRITA POR FABINHO GOUVEIA

LEO NEVES EM 2007 TEVE UMA (DE VÁRIAS) APRESENTAÇÃO MAGNÍFICA EM SUNSET BEACH, COM ONDAS GRANDES E MUITA DESENVOLTURA NAS PESADAS ONDAS DO LENDÁRIO PICO, EM MINHA OPINIÃO: VENCEU O CAMPEONATO, MAS DERAM PARA OUTRO. FOTO ROWLAND \ ASP

EM 2008 NÃO HAVIA TEMPESTADA NO HORIZONTE. O BRASIL NÃO SUBIA EM UM TOPO DE PÓDIO DO WCT DESDE NECO NA FRANÇA EM 2002, BRUNO SANTOS SURGIU “DO NADA” WILDCARD DO BILLABONG PRO TEAHUPOO FEZ A MALA. CHOQUE! CAPA DA HARDCORE #226. FOTO: JEFF DIAS

BRUNINHO FIRME NOS TUBOS DE TEAHUPOO
FOTO: KRISTIN \ ASP

EM 2010 FOI RAONI MONTEIRO QUE FEZ AS HONRAS DO BRASIL EM SUNSET BEACH VENCENDO A WORLD CUP. ESSES SURFISTAS DE SAQUAREMA SABEM LIDAR COM AQUELA ONDA


Renovação
Década de 10, a renovação brasileira desponta no horizonte e toma corpo, capitaneados por Adriano de Souza, que havia sido o sangue novo, caçula da primeira década do novo milênio. 
Nossa tropa de elite entra firme para 2018. São 11 brasileiros (5 novidades), contra 8 aussies, 6 yankees, 4 havaianos, 2 franceses, e 1 de Portugal, Tahiti e o perigoso e mordido talento da África do Sul - Jordy Smith. Com a possibilidade do primeiro alternate (Michael February), outro grande talento da África do Sul, participar de diversas etapas em 2018.

No meio de março a nova corrida pelo título mundial começa quente, com muitos postulantes e não me arrisco a chutar quantos de nossos brasileiros terminarão entre os Top 10, cada um deles têm predicados interessantes.

VAMOS ILUSTRAR ISSO (com fotos da Tríplice Coroa)

MICHAEL RODRIGUES (11º WQS) SURFANDO EM SUNSET
CEARENSE RADICADO EM FLORIPA SURFA LEVE E ESPONTÂNEO
FOTO: KEOKI \ WSL

 WILLIAN CARDOSO (8º WQS) HALEIWA
POWER SURFER NATO, AS ONDAS DO DREAM TOUR VÃO SENTIR SUA FORÇA
FOTO: HEFF \ WSL

YAGO DORA (6º WQS) SUNSET BEACH
CRIATIVIDADE E FLAIR, SEU SURF AINDA TEM MUITO PARA DESABROCHAR
FOTO: HEFF \ WSL

TOMÁS HERMES (5º WQS) SUNSET POINT
CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2011 E DESFERE O CUTBACK MAIS POLIDO DO RAMO
IMAGEM: WSL

JESSÉ MENDES (2º WQS) SUNSET
INTELIGÊNCIA COMPETITIVA, VAI ELEVAR SEU PADRÃO DE SURF NO WCT
FOTO: HEFF \ WSL

 
IAN GOUVEIA (23º WCT & WILD CARD) PIPELINE
ALÉM DE SEU DNA FABULOSO DOMINA TUBOS, AÉREOS E MANOBRAS NA FACE
FOTO: POULLENOT \ WSL

ÍTALO FERREIRA (22º WCT) BACKDOOR PIPELINE
UMA TEMPORADA COMPLETA NO TRILHO DEVE IMPRESSIONAR E ASSUSTAR
FOTO: POULLENOT \ WSL

CAIO IBELLI (18º WCT) NA JUNÇÃO DE SUNSET
SURFISTA COMPLETO EM QUALQUER TAMANHO DE MAR, ESTILO E GARRA
FOTO: KEOKI \ WSL

FILIPE TOLEDO (10º WCT) HALEIWA
EM 2017 DEU SHOW EM J-BAY, TRESTLES E HALEIWA, VEM COM TUDO EM 2018
FOTO: KEOKI \ WSL

ADRIANO DE SOUZA (8º WCT) BACKDOOR PIPELINE
O MAIS TARIMBADO DA SELEÇÃO, OUTRO TÍTULO NÃO ESTÁ FORA DE QUESTÃO
FOTO: POULLENOT \ WSL

GABRIEL MEDINA (2º WCT) AREIAS DE PIPELINE
RESPEITO, ADMIRAÇÃO, RIVALIDADE. 
TOMOU O BASTÃO DA GERAÇÃO SLATER, FANNING, PARKO... EM 2014. SERÁ QUE ALGUM DESTES SURFISTAS DA "VELHA GUARDA" VOLTA AO TOPO?
FOTO: STEVE SHERMAN \ WSL


Futurologia sempre foi um exercício interessante no jornalismo de surf, metade dessa turma brasileira tem potencial para um título da WSL nos próximos anos, com esta 99ª postagem vou deixando uma massa de informações que será distribuída em meu livro com um arranjo estético bem diferenciado deste.
O que considero importante é continuar municiando os frequentadores deste blog com informação fidedigna, conteúdo e substância para reflexão e apreciação dessa bela história construída por nossos surfistas. Destaco também que todos os surfistas que um dia alcançaram o WCT, todos os campeões e campeãs brasileiras nacionais e estaduais profissionais estarão mencionados na obra que agora tem previsão de lançamento para 2018 (os primeiros dois volumes) de um total de 660 páginas.

Este projeto culmina com o lançamento de 5 VOLUMES, até 2020, do livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO, conheça detalhes clicando no link abaixo:


OUTROS POSTS SOBRE A HAWAIIAN TRIPLE CROWN E OS BRASILEIROS

LINKS:






quarta-feira, 29 de novembro de 2017

PRANCHAS HISTÓRICAS


Uma amostra da produção brasileira

Nesta postagem estarei reproduzindo uma curadoria que fiz durante três anos para o FESTIVALMA. São réplicas de pranchas, muitas delas famosas, que fazem parte da história do surf brasileiro.


IMAGEM OBTIDA NO FESTIVALMA DE 2010
PARTE DO ACERVO DE 50 PRANCHAS, DISPOSTAS EM ORDEM CRONOLÓGICA
FOTO: DRAGÃO (COM CELULAR)

A seguir estou reproduzindo um texto de curadoria e também uma matéria escrita para a revista Alma Surf em 2014, quando a coleção foi reapresentada no Ibirapuera (SP). Minha ideia era chegar a um acervo total de 75 pranchas, 75 shapers – ainda pode ser... Tenho uma lista de importantes shapers brasileiros ainda não “homenageados”.
No final desta postagem do blog reproduzi os 50 CARTÕES explicativos que acompanhavam estas pranchas. Ainda vou conseguir mais algumas ilustrações interessantes, vou scanear algumas destas pranchas em ação na minha coleção de revistas, para enriquecer esta importante postagem.

Vamos partir do início.

AS PRIMEIRAS 4 PRANCHAS DO ACERVO, ENTRE IMAGENS DE OSMAR GONÇALVES (1938) E CHICO PAIOLI (1967), QUE COMPUNHAM UMA OUTRA CURODORIA, DESTACANDO A EVOLUÇÃO DA SURFWEAR, FESTIVALMA 2009
FOTO: DRAGÃO

TEXTO DE CURADORIA – FESTIVALMA 2014

Árvore Genealógica dos Shapers do Brasil

REPLICANDO A HISTÓRIA

Na Mostra de Surf de 2008 foi iniciado um processo que vai tomando mais corpo e ainda deve se expandir nos próximos Festivais da ALMA SURF. A princípio foram selecionadas vinte e cinco pranchas, na edição de 2009 chegamos a 40 réplicas, no Festivalma 2010 a coleção da Alma Surf alcançou 50 cópias de pranchas antológicas, cada uma delas representando fases e momentos diferentes do surf brasileiro e do design. Aos poucos foi sendo montado o esqueleto do que se transforma na “Árvore Genealógica dos Shapers do Brasil”. Agora em 2014 elas são apresentadas como um fio condutor da história do próprio surf.

Os critérios utilizados nesta curadoria foram os seguintes:
·       as peças são réplicas exatas de pranchas que foram produzidas em território nacional, ou por shapers brasileiros
·       seguem uma sequência cronológica
·       as medidas foram tiradas de modelos originais, ou da própria memória dos shapers e surfistas
·       alimentadas no computador acoplado à máquina de shape idealizada por Luciano Leão
·       confeccionadas na máquina da Teccel, que forneceu os blocos
·       a maioria delas foi finalizada pelo shaper Neco Carbone e laminada por Thyola em sua fábrica no Guarujá
PORÉM: Nem todas as pranchas foram produzidas através do processo acima descrito. Em alguns casos, de shapers com fábricas em pleno funcionamento, os próprios produziram a réplica do modelo em questão.
Cada prancha é acompanhada de um cartão histórico, com detalhes sobre o shaper, seu design, a fabricação, surfistas que utilizaram o modelo e também algumas curiosidades e informações pertinentes.
Este acervo de Romeu Andreatta, se transformou em um patrimônio do surf brasileiro. Pranchas que (hipoteticamente) nunca entrarão no mar e permanecerão imaculadas, para apreciação do público e por sua representatividade histórica. Estes modelos de pranchas foram pilotadas por surfistas, famosos e anônimos, nas mais diversas condições de ondas.

Reinaldo Andraus - CURADOR


PÁGINA DUPLA DA MATÉRIA PUBLICADA EM 2008
AINDA IREI DIGITALIZAR OUTRAS IMAGENS ILUSTRATIVAS – BREVE
REPRODUÇÃO ALMA SURF # 46



Abaixo um texto explicativo que foi publicado na revista Alma Surf em 2014.

A HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO ATRAVÉS DE SUAS PRANCHAS
Por Reinaldo Andraus*

As pranchas de surf produzidas no Brasil retratam a história e evolução do esporte em nossas águas. Esta coleção de réplicas de pranchas (que tiveram suas originais amplamente testadas ao longo dos anos), foi criteriosamente compilada para retratar as mais diversas fases do esporte e os modelos mais utilizados a cada nova era de evolução do surf. É uma coleção que não esgota as possibilidades, tanto em termos dos designs, como dos artesãos, shapers (fabricantes) mais representativos, mas dá uma boa noção de como o surf brasileiro foi se desenvolvendo.

Em 1938 temos os primeiros registros fotográficos do surf no Brasil. Este modelo de prancha (1), foi construído em Santos por jovens que tiveram acesso a uma revista “Mecânica Popular”, em inglês, que trazia detalhes sobre a fabricação das pranchas havaianas. Eram ocas, ficavam muito pesadas quando a água entrava nelas. O surf praticado se restringia a descer as ondas e seguir direto em direção à praia.

Houve um hiato e no final dos anos 50 o surf ressurgiu em outro cenário, a praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. Após o uso de artefatos mais artesanais, o mergulhador Irencyr Beltrão aprimorou as pranchas de madeira, desenvolvendo o modelo que foi denominado Madeirite (2). Essas pranchas, inicialmente produzidas “secretamente” em uma carpintaria da Ilha do Governador, acabaram se difundindo e foram fabricadas em série. No início dos anos 60 eram as mais utilizadas no Brasil. Até que surgiram as pranchas de poliuretano e fibra de vidro.
IRENCYR BELTRÃO E ARDUÍNO COLASSANTI
SURFANDO EM MADEIRITES NO ARPOADOR

Aos poucos as pranchas de fibra foram dominando o cenário, coloridas com pigmento, ainda eram pesadas, mas pelo fato de boiarem abriram novas perspectivas. As pranchas São Conrado (4), fabricadas no Rio eram as mais cobiçadas, com acabamento de alto nível. As importadas também começaram a chegar ao Brasil. Em São Paulo, no Bairro de Santo Amaro, a fábrica de buggys de fibra de vidro, Glaspac, começou a fabricar modelos que foram evoluindo. Seguiam moldes idênticos MK 1, 2, 3 e mudavam apenas detalhes de cores e nas quilhas (3). A era dos pranchões foi uma fase romântica do surf, com a tribo crescendo em grupos unidos. Tudo era novo.

Veio a “revolução”, chamada de Revolução das Pranchas Curtas – Shortboard Revolution e o tamanho das pranchas foi cortado drasticamente do final dos anos 60 para o início dos anos 70. Nesta fase os modelos de pranchas eram os mais variados imagináveis. Os shapers tentavam variações nas rabetas, nas bordas, volume das pranchas e quilhas... Acompanhando e analisando os designs das pranchas (5 até 21) é possível observar variações sutis e outras nem tanto. Pranchas produzidas por grandes surfistas que eram shapers. Muitos dos grandes surfistas no mundo e também no Brasil, faziam suas próprias pranchas para atuar nas competições. Eles testavam e venciam campeonatos com elas.

Na virada dos anos 70 para a década de 80 duas grandes transformações ocorreram na configuração das quilhas, ancoradas nas performances de ídolos mundiais do esporte. As biquilhas de MR (Mark Richards) começaram a dominar nos anos de 79 até 82, quando ele se consagrou como tetracampeão mundial (veja a prancha 23). A partir de 81, outro australiano – Simon Anderson, introduziu as triquilhas (praticamente todas as pranchas mais recentes), porém deve ser dado destaque a criação de Ricardo Bocão (22), que concebeu aqui no Brasil o primeiro modelo de uma prancha com 4 quilhas, hoje muito utilizada até por Kelly Slater, mas na época foi uma atitude visionária e compreendida por poucos.

Nos anos 80 as pranchas de 3 quilhas, Thrusters, tomaram a preferência universal dos surfistas e por toda a década e nos anos 90 as alterações de design foram basicamente de refinamento, repare no volume total das pranchas dos anos 80, comparando com as pranchinhas triquilhas dos anos 90 e 2000. O surf foi ficando cada vez mais radical, possibilitado por inovações de design sutis, contínuas e efetivas. No Brasil algumas das pranchas mais requisitadas são produzidas na fábrica Wetworks do Rio com um time de shapers, designers que são surfistas do mais alto calibre (40, 43 e 44). Pranchas de campeões nacionais (42) e internacionais (41) estão presentes nesta coleção da ALMA SURF. Cada uma das pranchas aqui apresentadas tem sua representatividade.
JOCA SECCO, DRAGÃO, CHICO PAIOLI E RICARDO MARTINS
FESTIVALMA 2009 - BIENAL IBIRAPUERA

No final da década de 80 também houve um ressurgimento do longboard – pranchões (33, 37 e 49), com modelos bem mais leves e embutindo os novos conceitos de design, possibilitaram um surf mais radical que o protagonizado nos anos 60 quando eles dominavam o cenário. A década de 90 e principalmente a virada para os anos 2000 trouxe uma nova visão ao surf, na qual o que mais importava, além da performance, passou a ser a diversão de quem está na água e modelos como o SUP (46), e as fun boards ou pranchas híbridas (36), procuram proporcionar que o surfista curta da melhor forma as ondas que estiverem disponíveis.

Em um outro espectro totalmente diferente o surf de ondas grandes tomou novo ímpeto. As pranchas para surfarmos as maiores ondas na remada (39), conhecidas como “gunzeiras”, ou simplesmente guns, dividiram espaço com pranchas menores e pesadas, para aguentar os trancos de ondas de proporções enormes, chamadas pranchas de “tow-in”, ou surf a reboque (45 e 48), que hoje permitem aos surfistas, rebocados por um moto aquática, descer ondas que antes eram consideradas “insurfáveis”. É a evolução sem fim do esporte. Mas todos os artefatos são válidos, desde as primitivas pranchas alaia havaianas de madeira maciça, aos foguetes mais modernos com materiais alternativos. O ato de surfar é a cura!

*REINALDO ANDRAUS, o curador desta coleção de pranchas, foi editor das principais revistas de surf do país e atualmente está trabalhando no projeto de um livro abrangente sobre a história do surf brasileiro, a previsão de lançamento do mesmo é para o início de 2018.

VEJAM AGORA OS “CARTÕES” PREPARADOS PARA CADA UMA DESTAS PRANCHAS, ESCRITOS EM 2008, 2009 e 2010.

PRANCHA TWIN (STINGER) E AO FUNDO INSTALAÇÃO PARCIAL DA CRIAÇÃO DE LUCIANO LEÃO, QUE CONCEBEU A PIONEIRA MÁQUINA “DIGITAL SURF DESIGN”
FOTO: DRAGÃO

1
PRANCHA MODELO TOM BLAKE
DÉCADA DE 30
ARTESÃOS – Irmãos Roso de Mattos – Carpintaria Naval em Santos
SURFISTAS: Osmar Gonçalves, Jua Hafers, Silvio Malzoni, Thomas Rittscher
COMPRIMENTO –  12’10”
LARGURA – 201/2
ESPESSURA – 51/4

No final dos anos 30 alguns jovens surfistas de Santos decidiram produzir pranchas de surf com base num artigo que encontraram na revista Popular Mechanics. A revista que aborda ciência, tecnologia e a construção dos mais diversos artefatos, trouxe em sua edição de Julho de 1937 a fabricação da prancha oca desenvolvida por Tom Blake. A idéia de Blake era aliviar o peso das pesadas pranchas maciças, que os havaianos utilizavam até o início do século passado. Este artigo teve eco não só no Brasil, mas também na Austrália. Porém os australianos já haviam sido introduzidos ao surf por Duke Kahanamoku, no início do século. No Brasil foi um ato pioneiro. Esta prancha é uma réplica construída em uma carpintaria naval localizada nos fundos da Escolástica Rosa, próximo ao Canal 6, pelos irmãos Luiz Augusto Roso de Mattos e Marcelo Roso de Mattos, herdeiros da tradição dos mestres do início do século passado.

OS IRMÃO ROSO DE MATOS TRABALHANDO NA ESCOLÁSTICA ROSA EM SANTOS
FOTO: REINALDO "DRAGÃO" EM 2008

2
PRANCHA MODELO MADEIRITE
INÍCIO DOS ANOS 60
SHAPER \ DESIGNER – Loja Procópio Sports
SURFISTAS: pioneiros do Rio de Janeiro e São Paulo
COMPRIMENTO – 8’1”
LARGURA – 21”
ESPESSURA – 1”

No final dos anos 50 e início dos anos 60 o surf começou a ganhar espaço, principalmente nas praias do Rio de Janeiro. As pranchas que ficaram mais populares foram as MADEIRITES, fabricadas com madeira compensada. O bico da prancha era aquecido para ser envergado. Os primeiros modelos foram desenvolvidos por Irencyr Beltrão, junto com um marceneiro da Ilha do Governador (RJ). As quilhas eram enormes e rústicas. As pranchas tinham pouca flutuação e chegaram a ser utilizados pés de pato, para facilitar entrar nas ondas. As nadadeiras eram cortadas nas pontas para que o surfista conseguisse ficar de pé sobre a prancha. Mais tarde a loja de artigos esportivos Procópio, adaptou e industrializou este modelo de prancha. Esta réplica teve sua construção monitorada por Neco Carbone. As medidas foram tiradas de uma prancha do Museu do surfista Pirata, localizado próximo ao Morro do Maluf, na Praia de Pitangueiras, no Guarujá.

3
MODELO DE SÉRIE - GLASPAC MK2
FINAL DOS ANOS 60
SHAPER \ DESIGNER – Medidas Padrão
SURFISTAS: uma das primeiras opções de fibra em São Paulo
COMPRIMENTO - 9’0”
LARGURA – 21 ½”
ESPESSURA – 3 ½”

As GLASPAC, que tinham como base as pranchas fabricadas para surfar em Malibu, na Califórnia, eram fabricadas na Grande São Paulo e vendidas na loja Fiberglass Center, na Av. Santo Amaro, na Capital Paulista. Exibidas em meio a opções de bandejas, luminárias e outros produtos de fibra de vidro (que eram uma novidade naquela época), era possível encontrar pranchas de surf. A primeira prancha, produzida em meados dos anos 60, era bem rústica. Em seguida, vieram os modelos MK2 e MK3, mais leves, com acabamento mais sofisticado, pintadas com esmalte sintético, cores vistosas, mas a grande evolução, a cada novo modelo MK, era com relação à quilha, que trazia desenhos e foils mais modernos e ao volume total da prancha, que vinha diminuindo. A Glaspac chegou a produzir mini models, antes de perder mercado para os produtores artesanais.
O HOJE MASTER SHAPER NECO CARBONE
APRENDEU A SURFAR EM UMA PRANCHA GLASPAC
4
SÃO CONRADO SURFBOARDS
ANOS 60
SHAPERS \ DESIGNERS – VÁRIOS (Mário Bração – Ciro Beltrão – Tito Rosemberg – Carlos Mudinho – Rico + Murilão e Domingos que realmente pegavam no pesado)
SURFISTAS: pioneiros do BRASIL
COMPRIMENTO - 8’2”
LARGURA – 211/2
ESPESSURA – 31/2

Na segunda metade dos anos 60 as pranchas fabricadas pelo Coronel Parreiras, nos contrafortes da Pedra da Gávea, no fundo da praia de São Conrado, eram o maior objeto de desejo dos surfistas brasileiros. Quem queria ter uma prancha boa, de primeira linha, fabricada no Brasil, queria ter uma S. Conrado. Mesmo com a Shortboard Revolution rompendo, elas continuaram no “top of mind” por mais algum tempo. Os pranchões com tecidos no bico estão numa categoria antológica. Esta prancha é uma réplica de modelo original encontrada numa garagem do litoral paulista pelo colecionador individual Oswaldo Pepe.

AS PRANCHAS SÃO CONRADO COM OS TECIDOS FLORAIS NO BICO ERAM O MAIOR OBJETO DE DESEJO DOS SURFITAS DOS ANOS 60, MELHOR QUE ISSO SÓ SE PUDÉSSEMOS TER UMA PRANCHA IMPORTADA

DETALHE DA FICHA DA SÃO CONRADO
FOTOS: DRAGÃO 2010


5
PRANCHA HOMERO
ANO 71
SHAPER \ DESIGNER – HOMERO NALDINHO
SURFISTA - TEAM RIDER: SAULO NUNES
COMPRIMENTO – 6”
LARGURA – 211/2
ESPESSURA – 3”

Homero, nascido em 1944, fez sua primeira prancha, de madeira – oca, aos 14 anos em 1958. Pode ser considerado um dos mais criativos, ousados e vanguardistas shapers do Brasil. O renomado Gary Linden, confessa ter aprendido muito com Homero, quando esteve no Brasil no início dos anos 70 (antes de se tornar famoso). A prancha escolhida de Homero foi o modelo que fazia para seu team rider Saulo. Um surfista também a frente de seu tempo. A réplica produzida por Neco, com ajuda do shaper Eduardo Argento (Twin), tomou como base pranchas similares da época e a memória de ambos, aliada ao fato de terem testemunhado Saulo “quebrando” tudo nas ondas de Santos e principalmente do Guarujá. No início dos anos 70 houve um primeiro surto de biquilhas, depois elas saíram totalmente de cena. A configuração era bem diferente das que se tornaram famosas nos pés de Mark Richards, apenas no final década.

6
RICO SURFBOARDS
INÍCIO DOS ANOS 70
SHAPER \ DESIGNER – RICO DE SOUZA
SURFISTAS: o PRÓPRIO e muitos dos melhores do BRASIL
COMPRIMENTO –  6’0”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 3”

A partir da vitória de Rico de Souza, por dois anos seguidos, no Festival de Ubatuba, que foi o grande campeonato brasileiro nos anos de 72 e 73, as pranchas produzidas por Rico passaram a ser cobiçadas e encomendadas até por surfistas de São Paulo. Esta prancha é uma réplica do modelo que Rico utilizou para se transformar no primeiro campeão brasileiro da história, em Janeiro de 72. Rico, que guarda a prancha em seu museu no Rio de Janeiro, passou as medidas para Neco alimentá-las na máquina de shape idealizada por Luciano Leão. As sedas foram produzidas de acordo com a original e a prancha laminada em São Paulo. Ricardo Fontes de Souza, apesar de se dedicar a um grande número de atividades, nunca deixou de fazer pranchas. Uma das grandes combinações de sucesso ocorre com shapers que também conseguem levar seus designs para o topo do pódio. Rico é um grande exemplo em que o feedback é sentido pelo próprio artesão, com seu equipamento sendo aprovado através de resultados.

EM PRIMEIRO PLANO A PRANCHA QUE RICO UTILIZOU PARA VENCER OS PRIMEIROS FESTIVAIS NACIONAIS EM UBATUBA E A ESQUERDA, PELA ORDEM... O SHAPE DE PAULO RABELLO PARA TAMBÉM VENCER EM ITAMAMBUCA (1980), A GUNZEIRA QUE RODRIGO RESENDE USOU PARA, AO LADO DE CARLOS BURLE, FATURAR PARA O BRASIL O PRIMEIRO MUNDIAL DE ONDAS GRANDES DA ISA EM 1998 E MAIS A ESQUERDA A PRANCHA QUE TECO PADARATZ USOU PARA SEU BI NO WQS NA TEMPORADA 1999
FOTO: DRAGÃO


7
MOBY
1972
SHAPER \ DESIGNER – BRITO
SURFISTA – TEAM RIDER: THYOLA
COMPRIMENTO – 7’2” 
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

No ano de 1969 dois surfistas que moravam na capital paulista, freqüentavam o Guarujá e mais tarde estudariam arquitetura juntos, na Faculdade de Mogi das Cruzes, começaram a ensaiar a produção de pranchas. O shaper Antônio Mendes Brito (Britão) e o glasser e air brusher Francisco José Chiarella (Thyola), criaram a primeira fábrica de pranchas de surf do Guarujá, a Moby Surfboards. O logo da Moby imitava a forma da baleia Moby Dick. Brito, embora tenha sido um dos primeiros brasileiros a flertar com madeira balsa e ter morado um bom tempo em Santa Cruz, na Califórnia, deixou de lado a carreira de shaper. Thyola, por outro lado, foi crescendo com sua fábrica, saindo (literalmente) de um esquema de fundo de quintal, para uma indústria que emprega vários funcionários e já recebeu alguns dos maiores shapers do planeta. A Moby deu lugar a Lightning Bolt, após a saída de Brito e a chegada de Mark Jackola. Hoje a Glassing Best exporta para diversos países. Esta prancha foi feita no início de 72, e era a prancha pessoal de Thyola logo após sua primeira viagem ao Peru.
8
MIÇAIRI
ANOS 70
SHAPER \ DESIGNER – CHRISTIAN KOESTER
SURFISTAS: Miçairi, Renan Pitanguy, Foca e o ás paulista Égas Atanázio
COMPRIMENTO – 6’9”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 31/8

As pranchas com o emblema da lua e estrela começaram a inundar as praias do Rio em meados dos anos 70. Na segunda metade da década elas começaram a invadir as praias de São Paulo e outras regiões do Brasil, com alguns dos melhores surfistas do país utilizando seus designs. Uma curiosidade nesta época, antes do renascimento das biquilhas com MR, é que o estilo das pranchas havaianas (tipo gunzeiras alongadas) era utilizado até por surfistas do Brasil e da Flórida. Não era o ideal para surfar as ondas daqui, mas era moda e nos adaptávamos para surfar com pranchas deste tipo. Esta prancha é uma copia fiel de um modelo encontrado no Museu do Surf em Santos. As medidas foram tiradas por Neco Carbone e Carlos Argento, os dados alimentados na máquina de shape e a prancha foi laminada no Guarujá.


9
HATY SURFBOARDS
ANO 72
SHAPER \ DESIGNER – JORGE HATY
SURFISTA – TEAM RIDER: free surfers da Bahia e do Brasil
COMPRIMENTO – 7’1”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

No início dos anos 70 a família do seu Gabriel Moraes, com os filhos Jorge e Almir, mudou-se da Bahia para o Rio de Janeiro. As pranchas Haty eram uma referência no surf nordestino. Desde o final da década de 60 eles vinham influenciando os primeiros surfistas de Salvador e fornecendo as melhores pranchas da área, fabricadas em Amaralina. No Rio de Janeiro, após o encerramento da São Conrado Surfboards eles se caracterizaram por construir a fábrica com maior produção em série de pranchas. Os baianos se associaram a Zé Alberto Catarino, formando a JL Surfboards. A JL foi a primeira fábrica de pranchas a patrocinar um surfista, no caso Ricardo Bocão, com uma remuneração como atleta profissional. Esta réplica foi tirada de uma prancha do Museu de Rico de Souza e tem grande probabilidade de ainda ter sido produzida na Bahia. Em meados dos anos 70 Jorge Haty acabou falecendo num acidente dentro da sala de shape, que pegou fogo. Com sua morte a JL terminou, mas ficou o legado da primeira grande fábrica de pranchas proveniente do nordeste.

DETALHE DE SEDA ORIGINAL - PRANCHA HATY
FOTO: RICO DE SOUZA


10
TITO SURFBOARDS
ANO 73
SHAPER \ DESIGNER – TITO ROSEMBERG
SURFISTA – TEAM RIDER: o próprio e VERY free surfers
COMPRIMENTO – 6’10”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4
A saga de Tito Rosemberg vai muito ale de sua “carreira” como surfista e shaper. Uma de suas mais célebres façanhas foi uma participação pioneira no Camel Trophy em Bornéo. Óbvio, ele tinha pedigree para isso, foi Tito que, em pleno Saara, “salvou” Craig Peterson e Kevin Naughton, da revista Surfer. Mas o que nos interessa é Tito como shaper e aqui também ele deixou legado. Tito começou a surfar em 1963, aos 16 anos, em Cabo Frio. Logo em seguida já começa a tirar alguns trocados consertando pranchas. Seu instinto explorador já está aguçado, ele desbrava as praias do Brasil. Pioneiro em Saquarema. Em 66, aos 19 anos, trabalha na São Conrado e surfa no Arpoador. Em 70: Califórnia, viagens... Volta ao Brasil em 71 quando abre a Tito Surfboards, sem empregados, 100 pranchas por ano. Tito faz do shape ao polimento. Em 74, aos 27 anos, vende a fábrica, todos seus pertences, detona a poupança, vai para a Europa e compra uma Land Rover. Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Estreito de Gibraltar... Marrocos, e... Essa história é a que todo mundo conhece. A original desta prancha está (em muito bom estado) no Museu do Rico. Réplica by Neco e Thyola.

PRANCHA PRESERVADA DE TITO ROSEMBERG
DO ACERVO DO MUSEU DE RICO DE SOUZA
FOTO: RICO


11
LIGHTNING BOLT
MEADOS DOS ANOS 70
SHAPER \ DESIGNER – MARK JACKOLA
SURFISTA – TEAM RIDER: PAULO TENDAS
COMPRIMENTO – 6’2” 
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

Em 1974 o shaper Mark Jackola, que havia trabalhado e assimilado a técnica na fábrica de Gerry Lopez no Hawaii, veio como representante da marca para o Brasil. Após uma passagem meteórica pelo Rio, Jackola fixou residência no Guarujá. Por vários anos produziu foguetes “estilo havaiano” para a galera. Esta prancha era do quiver de Paulo Tendas, um dos mais proeminentes surfistas de São Paulo, o primeiro paulista a ameaçar a hegemonia dos cariocas nas competições. Jackola morou por vários anos no Guarujá, fazendo uma parceria de grande sucesso com o glasser \ air brusher: Thyola. Acabou aprendendo a falar português, com o clássico sotaque gringo. Suas pranchas tinham aquela linha havaiana típica que agradava aos olhos e inspirava velocidade. O raio era o toque final.

RICARDO BOCÃO COM O UNIFORME DA EQUIPE MAGNO PARA O FESTIVAL DE UBATUBA EM 1975. ATRÁS DELE UMA CLÁSSICA LIGHTNING BOLT AMARELA COM O RAIO VERMELHO. MOSTRA DE 2009
FOTO: DRAGÃO



12
PRANCHA HEINRICH
ANOS 70
SHAPER \ DESIGNER – HEINRICH REINHARD VON DER SCHULENBURG
SURFISTAS: Perseguidores de uma linha pura
COMPRIMENTO –  6’8”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 31/8

Nos anos 70 se formou a segunda geração de shapers do Brasil. Heinrich herdou a fábrica de pranchas do lendário Tito Rosemberg (que se iniciou na arte como shaper das São Conrado). Influenciado por Tito, Heinrich foi buscar experiência no exterior, trabalhando na fábrica Gordon & Smith e com os shapers Barnfield e Linden. As linhas de suas pranchas sempre tiveram um toque clássico. Este modelo é uma réplica de prancha do colecionador Pardhal, de Santos. Durante boa parte dos anos 70 os surfistas possuíam uma única prancha e caíam com ela em todos os tipos de onda. O conceito de quiver viria apenas no final da década.



13
OTAVIO PACHECO
TEMPORADA HAVAIANA 76\77
SHAPER \ DESIGNER – OTÁVIO PACHECO
SURFISTA – TEAM RIDER: O PRÓPRIO
COMPRIMENTO – 7’3” 
LARGURA – 183/4
ESPESSURA – 23/4

Otávio Pacheco começou a shapear pranchas em 1972, influenciado pelo grande mestre Ricardo Wanderbill, ambos se inspiravam no “guru” havaiano Dick Brewer. Esta prancha foi produzida no quintal da casa em que Otávio morava no Hawaii, em Sunset Beach, para a temporada havaiana 76 e ainda utilizada nas temporadas seguintes. Ao fazer este shape – um dos primeiros de mais de 30 mil esculpidos à mão – Otávio tinha em mente as ondas de Pipeline, mas chegou a utilizar a prancha em picos como Haleiwa, Jocko’s, Laniakea, Backyards e outros. Otávio pode ser considerado um dos primeiros big riders do Brasil, seu arrojo ao surfar ondas grandes, sempre o colocou como um dos surfistas mais respeitados do país. Além disso, sua ligação com Saquarema é notória. Durante muitos anos Otávio manteve uma fábrica em Itaúna. Atualmente confecciona suas pranchas, a Soul Surf, no Rio de Janeiro. Esta réplica foi produzida em São Paulo. Otávio passou as medidas originais para Neco Carbone, alimentadas na máquina tiraram este projétil, laminado na Glassing Best (SP), por Thyola.
14
DANIEL FRIEDMANN
ANO 77
SHAPER \ DESIGNER – DANIEL FRIEDMANN
SURFISTA – TEAM RIDER: O PRÓPRIO e Paulo Tendas
COMPRIMENTO – 6’4” 
LARGURA – 191/2
ESPESSURA – 23/4

Daniel foi o segundo brasileiro a vencer uma etapa do WCT, em 1977, um ano após a vitória de Pepê nas águas do Rio de Janeiro. O próprio Daniel produziu esta réplica. Em 77 esta prancha estava em sua fábrica guardada para usar mais tarde. O paulista Paulo Tendas viu a prancha e pediu para utilizá-la no Waimea 5000. Depois que Paulinho foi desclassificado, Friedmann subiu nela e foi até a final. Com esta mesma prancha, meses mais tarde, ainda venceu o Campeonato Magno, no Arpoador. Daniel foi um dos primeiros surfistas brasileiros a competir no exterior. Na década de 70 seu nome sempre figurava nos pódios de Saquarema, Ubatuba e no Sul. Já no final dos anos 80 voltou a dar show de estilo nos eventos de longboard, sendo instrumental no revival da categoria. Sua forma clássica de surfar se reflete em seus shapes, qualquer tipo de prancha. Hoje Daniel divide seu tempo entre a shape room, sua fábrica e a produção de eventos de surf. Há várias temporadas dirige as etapas das Seletivas Billabong para o Mundial Junior, como também os eventos de Longboard da Petrobras.

O BÓLIDO HAVAIANO DE OTÁVIO PACHECO, APONTADO PARA O TUBO. AO LADO A PRANCHA QUE DANIEL FRIEDMANN UTILIZOU NA FINAL DO WAIMEA 5000 DE 1977 E PARTE DE UMA VICSTICK, PRODUZIDA POR VICTOR VASCONCELLOS
FOTO: DRAGÃO
 A FAMOSA FOTO ANTES DA FINAL NO QUEBRA-MAR. PEPÊ, QUE HAVIA VENCIDO NO ANO ANTERIOR (1976) NO ARPOADOR, FOI VICE
FOTO: FEDOCA


15
VICSTICK
ANO 77
SHAPER \ DESIGNER – VICTOR VASCONCELOS
SURFISTA: o PRÓPRIO
COMPRIMENTO - 6’6”
LARGURA – 193/4
ESPESSURA – 21/2

Victor Vasconcelos ficou famoso com as pranchas Hot Stick, quando fundiu sua fábrica, a lendária Vicstick, fundada em Imbituba, com a do shaper Pedro Battaglin (que fazia as pranchas Hot Dog). Seus shapes estiveram nos pés de grandes surfistas brasileiros, vencedores como Pepê, Cauli, Jojó, Guilherme Gross, Pedra, Trekinho, Hizú... Esta prancha foi baseada num shape de Reno Abellira, que Paulo Proença trouxe do Hawaii na temporada 76\77. Foi shapeada na garagem de seu apartamento no Arpoador. Levada para Imbituba, a prancha lhe valeu a vitória em altas ondas, desbancando Daniel Sabbá, Macalé, Ronaldo Moreno e Paulo Sefton na final. Repare no “kick tail”, rabeta levantada após a quilha, uma novidade na época. As sedas eram feitas uma a uma, com papel manteiga, tinta nanquim e lápis de cera. A réplica foi produzida no Rio por Victor se valendo da moderna máquina de shape.


16
PRANCHA PEPÊ
SEGUNDA METADE DOS ANOS 70
SHAPER \ DESIGNER – PEPÊ LOPES
SURFISTA - TEAM RIDER: OS ATIRADOS DA GERAÇÃO PÓS-PIER
COMPRIMENTO – 5’8”
LARGURA – 203/8
ESPESSURA – 3”

Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, nascido em 1957 no Rio de Janeiro, é uma das maiores lendas do surf nacional. Pepê foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do WCT, em 1976, no Rio de Janeiro, durante o primeiro Circuito Mundial de Surf, da antiga IPS. Pepê foi campeão de hipismo, campeão mundial de asa delta e acabou falecendo num acidente no Japão, em 1991, na competição em que buscava o bi. Pepê foi considerado o melhor surfista brasileiro da Geração do Píer de Ipanema, ele se encaixava como poucos nos tubos que rodavam ao lado daquelas pilastras. Essa experiência o fez chegar a uma final do Pipeline Maters, também em 76. Sua barraca de alimentos naturais dá o nome a um trecho da praia da Barra, no Rio, onde há um monumento erguido em sua homenagem. Além de tantas atividades Pepê ainda encontrou tempo para shapear. Esta prancha está no Museu de Rico de Souza, no Rio de Janeiro, foi entregue por um primo de Pepê. A réplica também foi produzida no Guarujá.
17
PRANCHA TWIN
ANO 78
SHAPER \ DESIGNER – EDUARDO ARGENTO
SURFISTA – TEAM RIDER: PICURUTA SALAZAR
COMPRIMENTO – 6’0”
LARGURA – 1911/16
ESPESSURA – 23/4

Os irmãos gêmeos (Twin) Carlos e Eduardo Argento são personagens lendários do surf santista e paulista. Foram pioneiros como surfistas, pioneiros com a loja Twin Surf Shop e também como shapers. Antenados no cenário do surf da Baixada, não foi difícil para eles perceberem o talento precoce do jovem Alexandre “Picuruta” Salazar. Na metade dos anos 70 o Gato já começava a vencer os primeiros das centenas de títulos que continua colecionando até hoje. Esta prancha é um modelo Stinger, inventado pelo havaiano George Downing e popularizado por seu conterrâneo Ben Aipa. O conceito desta prancha era que o “sting” agisse como um “wing” (normalmente menor e utilizado próximo à rabeta) para surfistas que gostassem de manobrar posicionados mais para frente em cima da prancha.  A réplica foi construída por Dudu, de memória, na oficina de Thyola no Guarujá, onde Eduardo mantém sua sala de shape.


18
PRANCHA MUDINHO (Rico)
ANO 79
SHAPER \ DESIGNER – CARLOS MUDINHO
SURFISTA – TEAM RIDER: MUDINHO
COMPRIMENTO – 5’7”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

Carlos Roberto L’Astorina de Andrade, popularmente conhecido como Mudinho, é um dos maiores precursores do surf brasileiro. Em 2009, aos 59 anos, ele veio até o Guarujá para produzir (pessoalmente) esta réplica na sala de shape de Neco Carbone. Mudo começou a surfar em 1958, em 64, aos 15 anos, já começou a desenvolver alguns designs de pranchas de Madeirit, encomendando-as com carpinteiros. Trabalhou na fábrica da São Conrado, com os irmãos Irencyr e Ciro Beltrão e também com Rico, mais tarde se aperfeiçoou no Peru com o shaper surdo Ivan Sardá, depois partiu para produzir pranchas com seu nome. Com liberdade para escolher o modelo que achasse mais significativo ao longo de sua carreira, Mudinho escolheu esta biquilha de 1979. Com ela ele venceu o Festival de Cabo Frio, numa final acirrada contra Cauli Rodrigues. Thyola laminou a prancha baseado em fotos que Mudinho guarda com carinho, segurando a prancha ao lado de vários troféus. Hoje Carlos Mudinho está surfando com uma prancha 6’1” de 5 quilhas, um design que ele lançou nos anos 80 e revitalizou agora.
19
PRANCHA WANDERBILL
ANO 79
SHAPER \ DESIGNER – RICARDO WENDHAUSEN
SURFISTAS: Soul Surfers & Champion Surfers
COMPRIMENTO – 5’11”
LARGURA – 201/8
ESPESSURA – 3”

Na segunda metade dos anos 70, um shaper carioca começou a angariar o respeito e ser cultuado em todo o Brasil. Suas linhas eram limpas e perfeitas, era inconcebível imaginar uma prancha de Wander que não saísse boa, muito boa. Não eram poucos os surfistas brasileiros que o consideravam o melhor shaper do Brasil. Infelizmente um acidente de automóvel no trecho da BR 101, que liga Floripa a Garopaba, levou este grande artesão para um mundo além daqui. Esta prancha foi feita sob encomenda para meu quiver (Dragão), na época em que Wanderbill ficou morando e fazendo pranchas junto com o Thyola, em São Paulo. A versão original está restaurada, em ótimo estado e compõem a coleção de Oswaldo Pepe. O logo StarBolt foi uma variação das Lightning Bolt que surgiu no final dos anos 70. Uma curiosidade é que, apesar do tamanho da prancha, era possível aplicar “stretch” hang fives, devido à boa flutuação do nose.

EM PRIMEIRO PLANO MINHA STARBOLT, OBRA DO DOCTOR SHAPER RICARDO WANDERBILL, LAMINADA POR THYOLA NA MOSTRA DE SURF DE 2008 NA BIENAL
FOTO: DRAGÃO

A PRANCHA EM AÇÃO NO CANTO DO MOREIRA EM MARESIAS, 1980
FOTO ACERVO PESSOAL DRAGÃO, É UMA DAS FOTOS DE CAPA EM MEU FACEBOOK


20
PRANCHA CISCO (TROPICAL BRASIL)
ANO 80
SHAPER \ DESIGNER – CISCO ARAÑA
SURFISTA: CISCO
COMPRIMENTO – 5’7”
LARGURA – 205/8
ESPESSURA – 3”

Ao contrário do que muitos pensam, a marca Tropical Brasil, na verdade foi uma criação do surfista Cisco Araña e seu amigo de infância Gerson Feliciane Carife, no final dos anos 70. Cisco preferiu trabalhar com seu próprio nome na fabricação de pranchas e simplesmente deixou que Avelino Bastos ficasse com a marca Tropical Brasil, chegando inclusive a participar como atleta da marca futuramente. Esta prancha é uma réplica do acervo do próprio Cisco, guardada no Posto 2, no qual funciona sua Escola de Esportes Radicais em Santos. Na prancha original a laminação foi executada com uma folha compensada de cerejeira de 1 mm, aplicada no bottom sobre um bloco de isopor laminado com epóxi. O último banho foi dado com resina de poliéster. Hoje Cisco é um dos grandes designers de longboards e participa de eventos na categoria Legends.


21
RABELLO
ANO 80
SHAPER \ DESIGNER – PAULO RABELLO
SURFISTA – TEAM RIDER: o próprio
COMPRIMENTO -  6’0”
LARGURA – 187/8
ESPESSURA – 27/8

No ano de 1980, Paulo Rabello quebrou as estruturas da tradição dos grandes festivais de surf ao se transformar no primeiro surfista de São Paulo a vencer o Campeonato de Ubatuba, isso numa era bem anterior ao surgimento da Abrasp. Mais tarde Rabello criou sua própria marca de pranchas, a Hot Gust. Durante as duas últimas décadas Rabello vem sendo um dos mais requisitados shapers da fábrica de Thyola, no Guarujá. Porém, quando o Canto Direito da Praia do Tombo quebra clássico, com as direitas partindo desde a frente das pedras da Praia do Forte... Esqueça! Paulo estará lá, quebrando as ondas, como faz há mais de três décadas. Esta prancha é uma réplica do modelo que utilizou para vencer o célebre Festival de Ubatuba de 1980, patrocinado pelos Jeans US Top.


22
PRANCHA QUATTRO
ANO 81
SHAPER \ DESIGNER – RICARDO BOCÃO
SURFISTA - TEAM RIDER: O PRÓPRIO + Ismael Miranda, Rosaldo Cavalcanti, Gironso, Rodolfo Lima e Moisés Levy (todos do Arpoador).
COMPRIMENTO – 5’8”
LARGURA – 201/8
ESPESSURA – 21/2

Em junho de 81, Ricardo Baerlein dos Santos Lima (Bocão), mergulhou na sala de shape e saiu com a primeira prancha de 4 quilhas da história. No final de 81, Bocão partiu para a temporada havaiana com um quiver destas pranchas, que mediam de 5’8” a 7’4”. Durante a temporada de 82, Ricardo participou de diversas etapas do mundial da antiga IPS, só utilizando estas pranchas. A idéia surgiu quando Valdir Vargas apareceu com a primeira triquilha no Brasil (Maio de 81).  Bocão colocou sua biquilha, no chão, ao lado da trifin e veio o estalo. Dois anos mais tarde chegou a licenciar a fábrica de pranchas K&K para produzir 2.000 de seus designs, levando a marca “Quattro”. Hoje, com o fim da “ditadura” das triquilhas, este design é mais umas das opções. Como Bocão não está mais na ativa na esfera do shape, outro Ricardo (Martins) foi convidado para finalizar seu design. Esta réplica foi produzida na fábrica da Wetworks, em Vargem Grande (RJ) e foi feita especialmente para o Festival Alma Surf 2009.

A QUATRO QUILHAS CONCEBIDA POR BOCÃO
FOTO: DRAGÃO


23
PRANCHA BIQUILHA LA BARRE
ANO 82
SHAPER \ DESIGNER – FLÁVIO LA BARRE
SURFISTAS: os que gostavam de desenhar uma linha agressiva na onda
COMPRIMENTO – 5’7”
LARGURA – 193/4
ESPESSURA – 23/4

No final dos anos 70 e início da década de 80 o design de Mark Richards se transformou na prancha de competição mais utilizada pelos surfistas. As biquilhas se adaptaram como uma luva às ondas brasileiras, proporcionando um ataque base\lip sem precedentes. Entre os designers que melhor “pescaram” este modelo, estava o tradicional shaper da Baixada Santista Flávio La Barre, que morava em Itanhaém e faleceu em dezembro de 2007. As medidas originais desta prancha, utilizando o conceito “needle nose” (bico agulha), foram tiradas de prancha do Museu do Surf, da coleção de Pardhal.




24
AKIO
ANO 82\83
SHAPER \ DESIGNER – AKIO
SURFISTA – TEAM RIDER: XAN BRANDI
COMPRIMENTO – 6’8”
LARGURA – 18 7/8
ESPESSURA – 23/8

No início dos anos 80 um dos shapers mais requisitados da capital paulista era Akio. Seu emblema redondo, com as inscrições em japonês que representam seu nome, ficaram famosas em praias como Itamambuca, Maresias e Pitangueiras. A prancha replicada para a coleção da Alma Surf é um modelo que foi fabricado em 1982 para um dos mais atirados e viajados surfistas de Sampa. Xan Brandi, hoje pode até ser famoso por ser tio do surfista da nova geração Nathan Brandi, mas nos anos 80 Xan era destaque saindo em páginas duplas das revistas Visual Esportivo e Fluir, dropando Pipenile e Backdoor, com esta prancha, que também acabou levando para a Indonésia. Akio hoje tem mais de 10.000 shapes em seu cartel, já morou no exterior, teve fábrica com vários funcionários e hoje, na década de 10 do novo milênio, produz sozinho, de cabo a rabo, suas pranchas na Vila Pompéia, pegando o bloco cru e seguindo até o polimento final. Desta forma foi feita esta réplica.

25
ZAMPOL
ANO 83
SHAPER \ DESIGNER – SYLVIO ZAMPOL
SURFISTA – TEAM RIDER: o próprio
COMPRIMENTO – 6’1”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

Sylvio Zampol, nascido em 1960, começou a shapear em 1977, fazendo pranchas rudimentares em sua própria casa. A partir de 81 já fazia produção de pranchas em boa escala para a Rip Wave de Santos. Zampol formou-se em Engenharia Civil, complementando seus estudos em desenho técnico mecânico e projeto de máquinas. A partir de 91 partiu para carreira solo, produzindo pranchas para surfistas famosos como Picuruta, Renan Rocha, Rogério Alemão e Cristiano Guimarães. Atualmente tem surfistas como Alejo Muniz, Thiago Camarão, Sylvinho Mancusi e Junior Faria entre seus team riders. Em suas viagens internacionais conheceu Darren Handley, da DHD, marca que representa no Brasil. A réplica desta wing swallow biquilha, foi de uma prancha de seu uso pessoal, do início dos anos 80, produzida na Surform, sua fábrica, especializada na usinagem de pranchas com processo CNC, utilizando comandos computadorizados, um projeto nacional desenvolvido em parceria com o sócio de Zampol, o Engenheiro Mecânico Miguel Fernando Martella Jorge.
26
ANO 84
SHAPER \ DESIGNER – RONALDO BARRETO
SURFISTA – TEAM RIDER: CAULI RODRIGUES
COMPRIMENTO – 6’1”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

As pranchas Radical, shapeadas por Ronaldo Barreto, foram as primeiras produzidas no Nordeste que começaram a ganhar as capas das publicações de surf do eixo Rio x São Paulo. A réplica escolhida por Ronaldo foi uma prancha que ganhou notoriedade nos pés do mega campeão carioca e nacional, Cauli Rodrigues. No início dos anos 80 Cauli do Rio e Picuruta de São Paulo, emergiam como os dois maiores surfistas competidores do Brasil. Cauli flertou com diversos shapers, mas muitas de suas grandes performances foram obtidas sobre pranchas Radical. Ronaldo sempre gostou de competições de surf, conhecendo do riscado serviu atletas do naipe de Cauli, Fábio Gouveia, Joca Junior, Fábio Silva, Aldemir Calunga, Dunga Neto, Otávio Lima, Tita Tavares, Alcione Silva... Ronaldo também viajou por dezenas de países que são centros de boas ondas e bons designers, sempre buscando aprimoramento. Este potiguar é um dos descobridores de Fernando de Noronha, precursor do surf nordestino. Hoje mantém uma loja com centenas de pranchas à disposição dos surfistas. A réplica escolhida pelo curador era a prancha de Felipe Dantas, que foi capa da revista Visual Esportivo, na praia da Pipa, no início dos anos 80. Porém esta do Cauli foi a escolha de Barreto.
27
SQUALO
ANO 84
SHAPER \ DESIGNER – HEITOR FERNANDES
SURFISTA – TEAM RIDER: TAIU BUENO
COMPRIMENTO –  6’5”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 21/2
Heitor Fernandes é um daqueles shapers brasileiros que debandou para o Hawaii. Nativo do Rio de Janeiro, também shapeou diversas pranchas em São Paulo, mas se tornou realmente notório quando ganhou prestígio no Hawaii, shapeando em fábricas grandes como a Surfer’s Alliance. Esta prancha escolhida para a Mostra de Surf representa não só Heitor, como também a fábrica paulista Squalo, fundada em 1973 por Paulo Issa, o maior organizador de campeonatos de surf deste país. Além de realizar os primeiros festivais de Ubatuba, Paulinho trazia shapers de grande renome, como Heitor, o sul africano Glen D’Arcy, Alexandre Morse, Mãozinha Ribeiro, Wanderbill, Heinrich, entre outros. A prancha em questão foi utilizada por Taiu para se transformar no primeiro paulistano (surfista da capital paulista) a vencer um Festival de Ubatuba. A façanha ocorreu em 84. Taiu utilizou duas pranchas de Heitor neste evento, uma 6’1, que saiu na capa da Fluir e uma 6’5, quando o mar estava maior. Esta réplica foi construída por Neco Carbone, ao lado de Taiu no computador de seu apê, no Guarujá. A prancha foi laminada por Thyola. 
28
RIP WAVE
ANO 84
SHAPER \ DESIGNER – BETO LOUREIRO
SURFISTAS: PICURUTA, WAGNER PUPO, ZÉ PAULO, RENAN ROCHA, PARDHAL & CIA
COMPRIMENTO – 5’ 11”
LARGURA –  19”
ESPESSURA –  23/4

Nos anos 80 Picuruta Salazar se transformou num surfista lendário, muitas de suas grandes vitórias foram utilizando pranchas Rip Wave. Este modelo reflete o que era utillizado após a revolução das triquilhas Thruster, de Simon Anderson. A prancha em questão é o modelo particular feito especialmente para o quiver do colecionador Pardhal (Diniz Iozzi), que atuou em várias esferas do surf como atleta, técnico, chefe de equipe, lojista, empresário, representante e agora museólogo. Repare que a primeira leva de triquilhas, durante boa parte dos anos 80, vinha com flutuação exagerada. A diminuição do volume geral da prancha foi acentuada apenas com o surgimento da Era Slater, já nos anos 90. Esta prancha original, Pardhal mantém em sua coleção, quase em tão bom estado quanto esta réplica.

SHAPES DE RONALDO BARRETO, BETO LOUREIRO E ALMIR SALAZAR, ATRÁS DO CINEGRAFISTA, NA MOSTRA DE 2014
 FOTO: DRAGÃO


29
PRANCHA ALMIR SALAZAR
ANO 85
SHAPER \ DESIGNER – ALMIR SALAZAR
SURFISTA – TEAM RIDER: ALMIR SALAZAR
COMPRIMENTO – 6’0”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 21/4

Os irmãos Salazar se transformaram numa lenda dentro do surf santista, paulista e nacional. Lequinho nos deixou cedo, Picuruta foi para o estrelato, colecionando títulos, mas o irmão do meio, Almir, além de ter subido ao topo do pódio diversas vezes, se transformou num dos mais respeitados shapers da Baixada Santista. Foi Campeão Paulista (APS) em quatro oportunidades, nas temporadas 80/81; 82/83 e depois em 86 e também em 87. A prancha escolhida para ser replicada foi a vencedora da Taça Primo de 85, um evento de envergadura Nacional, realizado na época anterior à fundação da Abrasp, em São Francisco do Sul (SC) e que contou com ondas espetaculares na Praia Grande. Almir levou o caneco de forma incontestável. Atualmente ele não só se destaca nos eventos de longboard para Masters e Legends, como também (ainda) azucrina a “garotada” Senior de pranchinha, com muito menos que os 50 anos de experiência que carrega. Longevidade!? Você está falando com um Salazar.

30
GET IT
ANO 87
SHAPER \ DESIGNER – GUSTAVO KRONIG
SURFISTA – TEAM RIDER: FRED D’OREY
COMPRIMENTO – 6’2”
LARGURA – 183/4
ESPESSURA – 21/2

O ano de 1987 foi a temporada de nascimento da Abrasp, pela primeira vez foi criado um circuito de surf e um ranking homologado. Cinco etapas definiriam um campeão ao final do ano. A última delas foi realizada em Saquarema, na praia de Itaúna (o Maracanã do Surf), brindando a decisão do título com altas ondas e muita emoção. Frederico d’Orey foi o vencedor, carimbando a faixa de Paulo Matos na final. As pranchas Get It de Gustavo Kronig eram escolhidas por surfistas como Fred, Felipe Dantas, Roberto Valério, Pepê Lopes e outros que sempre estavam na ponta dos rankings, pois Kronig tinha a capacidade de ouvir os surfistas, vê-los surfar, captar e passar para a prancha suas necessidades. Gustavo alimentou as medidas do shape na máquina que fica no Rio de Janeiro e esta prancha foi laminada na First Glass, no Recreio dos Bandeirantes.

NO CENTRO DA FOTO, LADEADA POR OUTRAS ESTRELAS DA COLEÇÃO, O SHAPE DE GUSTAVO KRONIG QUE FRED D’OREY UTILIZOU PARA VENCER EM SAQUAREMA
FOTO: DRAGÃO


31
MAGIA / FÚRIA
ANO 88
SHAPER \ DESIGNER – RICARDO MARROQUIM
SURFISTA – TEAM RIDER: CLÁUDIO MARROQUIM
COMPRIMENTO – 6’1”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 23/8

Ricardo Marroquim começou a shapear em 1976, seu irmão Cláudio foi um dos primeiros grandes surfistas de Pernambuco que surgiu no cenário dos primeiros anos da Abrasp, na segunda metade dos anos 80. Ao lado de Carlos Burle, Eraldo Gueiros e Fábio Quencas ele formava a primeira força de ataque pernambucana no cenário nacional. Esta prancha escolhida para ser replicada foi importante, pois estampou a capa da Fluir de Agosto de 1988, numa foto em que o fotógrafo Sebastian Rojas se colocou a centímetros da borda da prancha. Hoje a fábrica Marroquim é uma das maiores do nordeste, produzindo não só pranchas de surf de todos os modelos, como também pranchas especiais para kitesurf e wakeboard. As pranchas do shaper Ricardo Marroquim já proporcionaram dois títulos nacionais ao surfista de Ubatuba Ricardinho Toledo, atualmente entre os team riders de Marroca se destacam: Álvaro Bacana, Diogo e Rodrigo Trajano, César Aguiar (Molusco) e os masters Fábio Quencas e o próprio Cláudio Marroquim, além da estrela sergipana, Romeu Cruz, entre vários outros.
32
PRANCHA CUSTOM
ANO 88
SHAPER \ DESIGNER – ROGÉRIO C. BASTOS
SURFISTA - TEAM RIDER: FÁBIO GOUVEIA e shaper da réplica
COMPRIMENTO – 5’9”
LARGURA – 181/4
ESPESSURA – 21/4

Esta réplica talvez seja ainda mais preciosa que a original (que Fabinho mantém em sua casa de Florianópolis), pois foi o próprio Gouveia, agora se aventurando cada vez mais na carreira de shaper, quem produziu esta prancha especialmente para a Mostra de Surf. A prancha foi laminada por Rafael Simões, na fábrica Skull, em Floripa. Com certeza uma das mais emblemáticas pranchas desta coleção. Foi com este modelo de 1988, que Fábio Gouveia colocou o Brasil na rota de reconhecimento internacional. Uma pedra fundamental na transformação do Brasil em Potência do Surf Mundial. Fabinho comenta: “Rogério era um cara inovador, que gostava de experimentar coisas diferentes e já naquele tempo eu ficava observando ele shapear, ficava horas dentro da sala de shape, acompanhei ele fazer várias pranchas minhas.” Sobre esta prancha utilizada no Mundial, Gouveia destaca que ela já era uma tentativa de réplica de uma muito boa, mágica, que quebrou. A segunda não ficou tão boa. Mas entrou para a história. Essa não vai para a água, mas Gouveia vai fazer outra para ele.

A HOJE FAMOSA RÉPLICA DA PRANCHA DE FÁBIO GOUVEIA, ESTA FOI A PRIMEIRA, FEITA 2008, DE UMA SÉRIE... TALVEZ A PRANCHA MAIS REPLICADA DESTA COLEÇÃO, FOI ATÉ PROTAGONISTA DA SÉRIE 80 E TAL DO CANAL OFF. AO LADO O BÓLIDO DE MARROQUIM QUE FOI CAPA DA FLUIR
FOTO: DRAGÃO

 
CLÁUDIO MARROQUIM EM SHAPE DE RICARDO MARROQUIM
FOTO: SEBASTIAN ROJAS - FERNANDO DE NORONHA
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PRANCHÃO NECO CARBONE
ANO 88
SHAPER \ DESIGNER – RODOLFO CARBONE
SURFISTA: prancha pessoal
COMPRIMENTO – 9’0”
LARGURA – 221/2
ESPESSURA –  27/8

Na segunda metade dos anos 80 ocorreu o revival dos longboards. Incrível como alguns surfistas que tiveram sua origem na era clássica do surf se adaptaram com facilidade aos novos pranchões. Alguns (muitos) deles ainda calharam de ser shapers. Este foi o caso de Neco, que logo aderiu ao “movimento”. Esta prancha é uma réplica de seu primeiro longboard da nova era, fabricado especificamente para participar do Sundek Classic de 88, para enfrentar Nat Young, Daniel Friedmann & Cia. Durante a primeira Mostra de Surf, realizada em 2004 no Pavilhão da Bienal (SP), uma enquete destacou Neco Carbone na preferência do público. Hoje seu espectro de produção de shapes varia de fishes com tamanho de cinco pés e pouco até pranchas de SUP de mais de 10 pés. Neco se transformou também num dos grandes especialistas em manipular o programa AutoCAD, que alimenta as informações para que a máquina de shape idealizada pelo médico paulista Luciano Leão faça a sua mágica.

34
PRANCHA SHINE
ANO 90
SHAPER \ DESIGNER – KARECA
SURFISTA - TEAM RIDER: TINGUINHA LIMA
COMPRIMENTO – 6”
LARGURA – 18”
ESPESSURA – 21/4

O shaper Kareca é um dos mais antigos locais da praia do Tombo, desde cedo se interessou pela produção de pranchas. No início fazia tudo de forma totalmente artesanal, sem os equipamentos ideais, fabricava pranchas na raça mesmo, sem cavaletes, com a iluminação que tinha disponível. Mas a paixão pelo surf e a arte de shapear foi evoluindo sem cessar. Hoje Kareca se vale de todos os aspectos mais modernos de tecnologia para continuar criando pranchas que funcionam e surpreendem. Muitos surfistas que fixaram residência na Baixada Santista, alguns campeões brasileiros, como Paulinho do Tombo, Tinguinha, Jojó de Olivença, Douglas Lima, big riders como Taiu e Sylvinho Mancusi, se valeram dos seus shapes para temporadas brilhantes. A prancha selecionada para demonstrar o trabalho de Kareca é o modelo que Tinguinha utilizou em 1990, para conquistar o seu primeiro título da Abrasp. A réplica foi produzida na fábrica da Shine, na praia do Tombo.

35
PRANCHA CRIVELLA
ANO 92
SHAPER \ DESIGNER – EDUARDO CRIVELLA
SURFISTA - TEAM RIDER: PETERSON ROSA
COMPRIMENTO – 6”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 23/8

Eduardo Crivella hoje está morando em Curitiba e passou todas as informações desta prancha, para que Neco Carbone montasse o design na máquina de shape e produzisse a réplica no Guarujá. Peterson Rosa utilizou os shapes de Crivella numa das melhores fases de seu surf. A longa cabeleira, associada ao logo do Morcego na prancha e manobras de vanguarda geraram uma aura de respeito e admiração. Foi nessa fase que surgiram os apelidos, Bronco e Animal e também foi o momento em que Peterson entrou para o WCT, permanecendo durante muitos anos na elite. Nos anos 90, além de catapultar Peterson e Fábio Silva (com seus shapes) para o WCT, Crivella também forneceu pranchas para os quivers de surfistas como Barton Lynch, Glen Winton, Bryce Ellis e Matt Hoy. Crivella chegou a ir para a Austrália shapear. Atualmente não vive apenas da profissão de shaper, depois de fazer Faculdade de Cinema na Estácio de Sá, Crivella se mudou para o sul e tem trabalhado como diretor de fotografia na Mind Set Filmes, atuando em cinema e também na televisão.
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PRANCHA EVOLUTION
ANO 95
SHAPER \ DESIGNER – ZECÃO
SURFISTA - TEAM RIDER: O PRÓPRIO
COMPRIMENTO – 7’2”
LARGURA – 20”
ESPESSURA – 23/4

José Maciel Rennó, mais conhecido como Zecão, sempre se destacou nas matérias de viagens que apareciam nas revistas brasileiras e principalmente durante as temporadas havaianas, ocasião em que botava para baixo nos mais diversos picos. Este local de Ubatuba foi um dos precursores brasileiros a mexer com este modelo de prancha, que pode ser considerado um híbrido entre uma pranchinha e um fun board. A primeira vez que Zecão viu surfistas utilizando este tipo de design foi na temporada de 92 no Hawaii, nos anos seguintes, de antenas ligadas nos desenvolvimentos ao redor do planeta, Zecão começou a testar pranchas com estas características. As vantagens principais são a facilidade para entrar nas ondas e principalmente a velocidade, isso acaba provocando que manobras de pranchas pequenas possam ser feitas com uma prancha bem maior. Essa réplica foi shapeada por Zecão, em Ubatuba e laminada por Moacir, na Lazer, tradicional fábrica da capital paulista. Segue as características da prancha que foi concebida no meio dos anos 90.
37
PRANCHÃO by PASTOR
ANOS 90 \ 2000’s
SHAPER \ DESIGNER – CLÁUDIO PASTOR
SURFISTAS: BERNARDO MUSSI, RAFAEL AGUIAR, ALEXANDRE TASKILA, ROGER BARROS, CHICO  e LEO PAIOLI
COMPRIMENTO – 9’0” a 9’2”
LARGURA – 21” a 22”
ESPESSURA – 3” (máximo)

A partir de 94, Pastor chegou a um design que considera atual até hoje, aplicando pequenas variações de acordo com o usuário e as ondas surfadas. Este modelo, chamado MIX, é considerado um longboard “all-round”, que pode ser utilizado para surfar uma enorme variedade de condições. Solto na rabeta e estável no bico. Da mesma forma que as triquilhas, que foram apenas refinadas após sua criação, para os pranchões o conjunto de alta performance prevê a utilização de uma quilha central maior e duas pequenas quilhas estabilizadoras. Cláudio também produziu esta prancha na First Glass, no Recreio, embora seja uma réplica de pranchas produzidas nos anos 90 pode ser considerado um design moderno.


38
PMD
ANO 97
SHAPER \ DESIGNER – PAULO MANDACARÚ
SURFISTA – TEAM RIDER: JOSÉ GREGÓRIO VARELA
COMPRIMENTO – 6’4”
LARGURA – 183/4
ESPESSURA – 23/8

Com 18 anos este paulista da capital se iniciou na arte de shapear ainda no final dos anos 70. Suas aventuras pelo mundo o levaram do Brasil para a Califórnia, isso já nos anos 80. Teve a oportunidade de se relacionar com shapers como Donald Takayama, Gary Linden e Paulo Xanadu. Numa breve passagem pelo Brasil trabalhou na filial da Linden. Em 91 decidiu tomar o rumo da Europa. Fixou-se em Portugal, produzindo pranchas para a marca Pólen, durante seis anos, fazendo pranchas para um verdadeiro “quem é quem” do surf português. A réplica da coleção é uma prancha do final dos anos 90, que foi produzida para o tri-campeão português (97/01/03) José Gregório. Desde 97 decidiu produzir pranchas com a sua própria marca, a PMD (Paulo Mandacarú Design). Paul decidiu voltar ao Brasil em Dezembro de 2004 e entre surfistas que já utilizaram suas pranchas há diversos destaques no cenário brasileiro, mas seu principal team rider é seu irmão, o free surfer Josil Mandacarú. Esta réplica foi produzida aqui em seu atelier, localizado na Vila Romana (SP).
39
CG - CRISTAL GARAFFITI
ANO 98
SHAPER \ DESIGNER – BETO SANTOS
SURFISTA – TEAM RIDER: RODRIGO RESENDE
COMPRIMENTO – 10’6”
LARGURA – 201/2
ESPESSURA – 31/4

No Iº Mundial de Ondas Grandes da história, em Isla Todos Santos, no México, organizado pela ISA e patrocinado pela Reef Brazil, a equipe brasileira era composta por Carlos Burle (o eventual campeão), Rodrigo Resende e o técnico Rosaldo Cavalcanti. Com o quinto lugar de Resende, o Brasil ficou com o título por equipes. O shaper de Rodrigo Resende e de muitos outros grandes surfistas brasileiros, Beto Santos, é um dos mais completos e tarimbados do país. Além de fazer excelentes pranchas para competir em águas brasileiras, Beto tem experiência e conhecimento, traduzido em diversas viagens, para elaborar pranchas que funcionem em qualquer condição de ondas ao redor do planeta. Esta prancha original está no Museu do Surf organizado por Pardhal, em Santos, para replicar esta prancha Neco solicitou um bloco especial. A laminação foi feita no Guarujá.

A GUN SHAPEADA POR BETO SANTOS FOI APRESENTADA APONTANDO PARA O FUTURO. UM NOTÁVEL ESPÉCIME DESTA COLEÇÃO
FOTO: DRAGÃO



40
PRANCHA WETWORKS
ANO 99
SHAPER \ DESIGNER – HENNEK
SURFISTA - TEAM RIDER: NECO PADARATZ
COMPRIMENTO – 5’11”
LARGURA – 191/4
ESPESSURA – 23/8

Cláudio Walter Hennek faz parte da trinca de ases das plainas da Wetworks. Um dos maiores atributos de um shaper é ter a sensibilidade para captar os pontos fortes de seus atletas e traduzir para os shapes as características que farão com que seu surf se sobressaía nas competições. Hennek é perfeccionista ao ponto de conceber, com Trekinho, pranchas que possibilitem a vitória em baterias com situações de ondas de uma única manobra. A prancha em questão é uma réplica da utilizada por Neco Padaratz na final do Gotcha US Open of Surfing 99, em Huntington Beach na Califórnia, derrotando Fabinho Gouveia. Este embate faz parte de um momento histórico do surf brasileiro. Foi a segunda final homem a homem, disputada apenas entre brasileiros no WCT (a primeira foi entre Daniel Friedmann e Pepê Lopes no Waimea 5000 de 1977). O que o “Alemão” Hennek conseguiu elevar a enésima potência, foi o impressionante Power nas rasgadas de Neco. Ele teve a possibilidade de liberar toda energia de seu surf mesmo nas merrecas de Huntington.
41
TROPICAL BRASIL
ANO 99
SHAPER \ DESIGNER – AVELINO BASTOS
SURFISTA – TEAM RIDER: TECO PADARATZ
COMPRIMENTO – 6’3”
LARGURA – 181/2
ESPESSURA – 21/2

Na temporada de 92, Flávio Padaratz se transformou no primeiro campeão do recém criado WQS, uma competição ainda mais extenuante que o WCT, para a qual a versatilidade do surfista e um equipamento de confiança (um bom quiver) são fatores essenciais. Na temporada de 99, Teco voltou a vencer este disputado circuito, partindo das triagens e regressando à elite com esta vitória. Flávio se transformou no primeiro bicampeão do WQS. Isso após ter ficado afastado das competições, tanto no WCT, quanto no WQS nas temporadas 97 e 98. Por outro lado, foi uma excelente oportunidade para testar e refinar um design com 6 Canaletas – Turbo. Nesse período foram trabalhadas ao redor de 50 pranchas similares, até chegar a uma mágica e vencedora, com a distribuição de volume ideal. Este modelo é considerado por eles um “talismã”, responsável por diversos pódios e uma soma de pontos recorde no WQS para o atleta. A prancha original está guardada na fábrica da Tropical Brasil, em Florianópolis, na qual foi produzida esta réplica.
42
PRANCHA RUSTY
ANO 2003
SHAPER \ DESIGNER – PEDRO BATTAGLIN
SURFISTA - TEAM RIDER: LEO NEVES
COMPRIMENTO – 6”
LARGURA – 197/8
ESPESSURA – 21/2

Pedro Battaglin vem de uma história antiga no cenário do surf, da surfwear e como shaper. Em primeiro lugar ele sempre foi um dos bons surfistas da terceira geração carioca, que se consolidou nos anos 70. Como shaper inicialmente lançou a marca Hotdog, depois fundiu-se com a Vic Stick de Victor Vasconcelos, criando a HS (Hotstick). Até hoje, envolvido com o licenciamento da Rusty no Brasil, produz pranchas e trabalha na organização global da empresa, ao lado de Rusty Prisendorfer, tendo se mudado para a Califórnia. Nos anos de 2002 e 2003 o atleta Leo Neves teve uma campanha avassaladora na Abrasp vencendo dois títulos brasileiros consecutivos e vários eventos. Foi Leo quem desenhou o outline desta prancha com três wings. Para o surf potente de Leo, Pedro aplicou um concave acentuado (full deep) e rocker expressivo. Saiu mágica!  As medidas da prancha foram enviadas por e-mail do arquivo de Battaglin na Califórnia e a prancha foi produzida na fábrica da Rusty no Rio de Janeiro para estrear na coleção da Alma Surf durante a Mostra de Arte me Cultura Surf de 2009.
43
PRANCHA WETWORKS
ANO 2008
SHAPER \ DESIGNER – JOCA SECCO
SURFISTA - TEAM RIDER: BRUNO SANTOS
COMPRIMENTO – 6’7”
LARGURA – 181/8
ESPESSURA – 21/4

Já houve um tempo em que os melhores surfistas eram também os shapers, designers como MR, Simon Anderson, Gerry Lopez, Wayne Lynch, Rico, Daniel Friedmann, Carlos Mudinho iam lá e venciam competições com seus shapes. Hoje em dia isso mudou (nem tanto – Kelly Slater acabou de vencer um Pipe Masters com uma esquisita criação sua). De qualquer forma, a maioria dos grandes shapers sabem do riscado, pegam onda bem. Joca Secco está nessa categoria, com um plus, ele já foi até capa de revista e isso como surfista. No caso de Joca, a prancha escolhida para duplicar foi cruelmente assassinada pelas ondas de Teahupoo. A prancha que Bruninho utilizou para chegar até a final do Vonzipper Trials em 2008, carimbando o passaporte para o evento principal que o levaria a glória máxima de sua carreira. Esta prancha foi construída utilizando o Modelo Bruno Santos das quilhas de encaixe Wet Fins. Um detalhe, na seqüência Bruninho (com outros designs de Secco), continuou vencendo no Super Surf (Maresias), no WQS (Noronha), já em 2009.
44
PRANCHA WETWORKS
ANO 2008
SHAPER \ DESIGNER – RICARDO MARTINS
SURFISTA: RAONI MONTEIRO
COMPRIMENTO – 6’1”
LARGURA – 181/16
ESPESSURA – 21/4

Para correr as ondas do Circuito Mundial, um atleta do calibre de Raoni precisa ter um equipamento de ponta e confiável nas mais diversas condições. Durante as três últimas décadas o shaper carioca Ricardo Martins vem angariando uma reputação que o coloca não só entre os melhores e mais eficientes do Brasil, mas também de todo o mundo. Sua qualidade profissional se traduz não apenas pelos resultados dos profissionais que utilizam seus designs, mas também na grande satisfação de surfistas “comuns”, não competidores, porém competentes, que confiam nas pranchas Wetworks para surfar ao redor do globo. Ao lado de Joca Secco e Cláudio Hennek, RM compõem o trio da Wetworks, que produz algumas das pranchas mais requisitadas do Brasil. Esta prancha foi produzida como se fosse para Raoni correr a próxima etapa do tour e saiu “fresquinha” da fábrica em Vargem Grande para a Mostra.

45
TOW BOARD
ANOS 2000
SHAPER \ DESIGNER – LUCIANO LEÃO
SURFISTA: SÉRGIO PUDI
COMPRIMENTO – 5’10”
LARGURA – 171/2
ESPESSURA –  13/4

No final dos anos 90 o conceito de pouco tamanho e muito peso, para as pranchas de tow-in ficou cristalizado. A partir deste momento foram sendo feitos os refinamentos necessários para que os surfistas conseguissem melhorar a performance nas ondas mais extremas do planeta. A presença do Dr. Luciano Leão, que abandonou a carreira de médico para fazer a diferença no mundo do surf, com sua Máquina de Shape, é um brinde a modernidade e a capacidade do surfista, do designer brasileiro, de deixar uma marca neste Universo do Surf. Esta prancha é o modelo utilizado por Sérgio Pudi, um dos locais de Maresias que atacam as ondas do poderoso beach break paulista, quando as condições ficam impraticáveis para o surf de remada.



46
STAND UP PADDLE BOARD
ANOS 2000’s
SHAPER \ DESIGNER – RICO
SURFISTAS: WATERMEN
COMPRIMENTO – 9’6”
LARGURA – 28”
ESPESSURA – 4”

Nos anos 2000 outro grande “revival” que vem tomando corpo, é o das pranchas criadas para o SUP (Stand Up Paddle) surfing. Pranchas de grande flutuação, nas quais o surfista já entra na onda de pé, se valendo de um longo remo. Esta variação do surf na verdade era praticada por havaianos desde os tempos antigos, época em que os pranchões de madeira maciça desciam as ondas lado a lado com canoas havaianas. Hoje, aplicando conceitos modernos de design, esta ramificação do esporte tomou uma característica de performance, com surfistas mais dotados desafiando até ondas como Pipeline e Teahupoo. Rico de Souza utilizou suas últimas temporadas havaianas para aprimorar os conceitos de design nesta modalidade. Rico tem optado por trazer uma prancha diferente para cada versão da Mostra de Surf.

STAND UP PADDLEBOARD DE RICO DE SOUZA, AEROFISH AZUL DE GREGÓRIO MOTTA E UMA TOW BOARD SHAPEADA POR BIRO. AO FUNDO ROB MACHADO COM UMA BERMA HURLEY 4 WAY STRETCH
FOTO: DRAGÃO


47
PRANCHA AEROFISH
ANO 2009
SHAPER \ DESIGNER – GREGÓRIO MOTTA
SURFISTAS - TEAM RIDERS: FREE OF SPIRIT & MIND
COMPRIMENTO – 5’9”
LARGURA – 201/2
ESPESSURA – 27/16

Gregório Motta dentro desta exposição de pranchas representa a nova geração de shapers brasileiros. Greg vem de uma família de surfistas, seu pai, Carlos Motta, foi um dos precursores do surf em São Paulo. Ao decidir se dedicar a carreira de shaper Gregório uniu seu amor ao surf a uma veia artística familiar com queda para o design, especificamente a arte de esculpir formas. As modernas fish sempre foram um dos modelos mais requisitados ao shaper, que mantém sua sala de shape na Vila Madalena (SP). O modelo aqui apresentado não é exatamente uma réplica, mas sim uma prancha baseada nas tendências atuais de design. Uma das preocupações de Gregório é sempre buscar conceitos modernos, para que suas pranchas não sejam limitadas. Constantes viagens e o feedback de surfistas como Fabinho Gouveia e muitos outros, aliado ao campo de provas da consistente praia de Cambury, desencadeiam uma progressiva evolução na produção das Aerofish.

48
TOW BOARD
ANO 2008
SHAPER \ DESIGNER – BIRO
SURFISTAS: TOW SURFERS – PILOTO DE TESTES: ALEMÃO DE MARESIAS
COMPRIMENTO – 6’0”
LARGURA – 163/4
ESPESSURA – 17/8

O surfista Biro fechando esta leva de shapers que começam a montar as estruturas de uma árvore genealógica brasileira, representa a importância do shaper estar na água, sentindo seus designs. Quando ficou comprovado que Maresias era uma das melhores ondas do Brasil, nosso tubo nota 10, Biro já tinha mais quilometragem dentro deles, do que qualquer outro surfista. O próximo passo natural de evolução, nas ondas e na arte de shapear, foi mudar-se para o Hawaii. Biro representa também uma boa quantidade de shapers brasileiros que foram tentar a sorte, com sucesso, no exterior. Shapers do naipe de Heitor Fernandes, Márcio Zouvi, Jorge Vicente entre outros, que poderão compor esta coleção no futuro, com pranchas instrumentais nesta nossa história.



49
CLASSIC LONGBOARDS
ANO 2010
SHAPER \ DESIGNER – DELTON MENEZES
SURFISTA – TEAM RIDERS: JONAS LIMA, THIARA MANDELLI e free surfers
COMPRIMENTO – 9’2”
LARGURA – 211/2
ESPESSURA – 23/4
Delton Menezes começou a surfar no início dos anos 70, aos 12 anos. Um ano mais tarde começou a mexer com pranchas. Desde garoto, ainda surfando de pranchinha, já ostentava um estilo clássico, quando aderiu aos pranchões isso se tornou patente. Como shaper fez pranchas para uma constelação dos melhores longboarders de São Paulo. Trabalhou com Homero, com os irmãos Twin e também, em associação com Pascoal, participou da marca Star Model. Mais tarde fez sua própria marca, a Stubbies. Depois se mandou para a Caloifórnia e em seguida Hawaii, buscou experiência na Europa, Costa Rica, África do Sul. Hoje no Brasil vem trabalhando há 15 anos com a marca Classic Longboards, original do Hawaii, onde morou durante cinco anos. O modelo que Delton escolheu para representar o seu trabalho é uma prancha bastante atual. Um design que vem desenvolvendo há algum tempo, uma prancha round pin apelidada de Pipeline. Ela é utilizada por seus team riders, ou por qualquer apreciador da arte do pranchão, em ondas cavadas e tubulares. Uma prancha contemporânea de alta performance.
50
E-BOARD (SWBOARDS)
ANO: 2010
Shaper / Designer – Daniel Lazzareschi Aranha
Surfistas / Team Riders: e-brigaders
Comprimento – 6'2''
Largura – 181/2
Espessura – 25/8

Com características modernas e revolucionárias a e-board vem compor esta coleção não especificamente por seu design e performance, mas sim por ser uma prancha à frente de seu tempo. Empregando novos conceitos e a tecnologia ‘livre de carbono’, o objetivo maior em sua fabricação é ser ecologicamente correta, fabricada com materiais naturais, livre de emissão de gases ou resíduos que agridam a natureza, especialmente desenvolvidos para esta aplicação. Estas características fazem da e-board a primeira prancha ecológica do mundo, certificada pelas maiores empresas ambientais e apoiada pela Osklen. A inovação partiu do engenheiro de materiais Daniel Aranha, surfista desde a infância. Com reconhecimento mundial, esta iniciativa brasileira é tendência e destaque na área de 'eco-products'. Hoje, esta tecnologia 100% brasileira está disponível para licenciamento a todas as marcas e shapers que queiram colaborar com o futuro do Planeta e do meio ambiente. Uma referência mundial em produtos sustentáveis.

Além da curadoria das pranchas também fui convidado para fazer uma outra exibição sobre a ligação do surf com a Bossa Nova, que foi apresentada em 2009. Em postagem futura colocarei o texto desta curadoria, um de meus preferidos em toda minha carreira. A inspiração foram as fotos de Alberto Sodré.

QUEM NÃO SUBIU NO MEZANINO DA BIENAL DO IBIRAPUERA EM 2009... PERDEU! RICARDO TOLEDO, EM FOTO QUE FOI CAPA DA HARDCORE E REPAREM O DETALHE DA ESTAÇÃO DE AUDIÇÃO
FOTO: DRAGÃO

NA MOSTRA DE 2009, ALEMÃO DE MARESIAS E DOMINIQUE SCUDERA EM MEIO À COLEÇÃO DE PRANCHAS MEMORÁVEIS
FOTO: DRAGÃO

PEDRO MULLER DEMONSTRANDO O ESTILO DAS BERMUDAS CURTAS DOS ANOS 1980
ELE TINHA PATROCÍNIO DAS PRANCHAS CRISTAL GRAFFITI.
AO LADO PRANCHA RIP WAVE UTILIZADA POR PICURUTA
FOTO: DRAGÃO

Ao conceber o projeto do livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO uma das ideias foi trabalhar em paralelo com este blog reproduzindo muitos textos históricos que fiz ao longo de minha carreira no jornalismo do surf. Aguardem mais resgates, não só da Alma Surf, como também de matérias que fiz para a Fluir e Hardcore e Venice Magazine. Ainda, um belo dia, irei traduzir um texto que fiz em inglês para The Surfer’s Journal internacional, nos Anos 1990, antes do veículo ser lançado no Brasil. Tudo isso é história.


Para buscar mais informações do projeto: WWW.HSURFBR.COM.BR