sábado, 1 de julho de 2017

MARACA, PARTE 2

Um legado de histórias memoráveis

Aqui trarei mais alguns trechos das entrevistas que fiz com Maraca (Rossini Maranhão Filho), em agosto de 2015. Maraca foi surfar nas estrelas, mas o legado deste paraense radicado no Rio de Janeiro, é de expressão ímpar. Busquem o início de sua história postada em março deste ano.
MARACA EM SAQUAREMA, NA VARANDA DE UM DOS PRÉDIOS ERGUIDOS NA PRAIA DE ITAÚNA. CAMAROTE VIP PARA APRECIAR O QUIKSILVER PRO WQS DE 2012.
FOTO: NILTON BAPTISTA

Maraca, faleceu no Hospital de Bacaxá no final de 2016 devido a uma hemorragia e numa situação em que os estoques de sangue que precisava para transfusão se esgotaram e não chegaram a tempo do Rio de Janeiro. Maraca estava com 64 anos e continuou surfando até o fim.

ROSSINI MARANHÃO FILHO EM ITAÚNA.
FOTO: LUCIANO SANTOS PAULA

Em agosto de 2015, na casa de Jacques Nery em Itaúna fiz uma sequência de gravações em que Maraca passou empolgadamente muito de seu conhecimento e vivência neste “nosso” mundo do surf. Coloco aqui mais algumas de suas histórias.

ROSSINI MARANHÃO FILHO, EM FINAL DE TARDE MARAVILHOSO NO JARDIM DA CASA DE JACQUES NERY EM SAQUAREMA, LOCAL EM QUE GRAVEI ESTE DEPOIMENTO COM MEU CELULAR
FOTO: JACQUES NERY

Em março deste ano editei a história contada por Maraca até seu regresso do Hawaii e Peru em 1970. Ele chegou no início da Era do Píer de Ipanema, trazendo uma prancha mini model muito avançada e praticou um surf que era observado com atenção pelos expoentes cariocas daquele início de uma nova década que começava a revigorar a forma de surfar no mundo. O estilo clássico dos pranchões abria espaço para uma abordagem totalmente nova e mais radical.

NO BACKDOOR DO PÍER MARACA ERA UM DOS SURFISTAS QUE DESCIA COM SEGURANÇA E EXIBIA UMA LINHA DIFERENCIADA NAS ONDAS.
FOTO: FEDOCA (DO ÁLBUM DA TOTEM)

Rosaldo Cavalcanti foi um dos surfistas que teve estreito relacionamento com Maraca, trabalhando ao lado dele e tendo-o como colunista no Jornal Staff, produzido ao lado de Fred d’Orey e depois no Now, em que além de colunista Maraca atuou no departamento comercial.

Vejam o depoimento que colhi de Rosaldo neste primeiro semestre de 2017: “O Maraca foi um surfista muito importante, o segundo brasileiro a ir passar uma temporada no Hawaii, presenciou o histórico swell de 1969, quando Greg Noll pegou aquela famosa onda em Makaha – contou várias histórias. Não cheguei a ver o Maraca surfando no Arpoador em 1970, assim que ele voltou do Hawaii, foi o Ricardo Bocão que me contou de suas performances, mas sei que o surfe que Maraca fez, no início dos Anos 1970, no Arpoador e no Píer serviu para determinar um ponto de partida, um ponto de evolução. Esse fato tem uma importância muito grande porque ele mostrou para os brasileiros como estava se surfando no Hawaii, na Meca do surf. Os brasileiros estavam aprendendo a surfar e ele veio com uma prancha feita no Hawaii com materiais havaianos, trouxe em seu surfe tudo que havia visto no Hawaii, a noção de um novo estilo de vida, uma coisa mais country, não era tanto a cidade grande. Todo aquele estilo de vida em que o surfista era meio confundindo com hippies, de buscar o contato coma natureza. Sempre atrás da onda perfeita. Fez parte da formação inicial do surf brasileiro no Píer e em Saquarema.”
Rosaldo continua: “O Maraca para mim sempre foi um surfista fissurado. Quando ele falava de onda ele se empolgava. Um sujeito muito empreendedor, um cara com caráter nobre, uma pessoa do bem. Nunca vi ele reclamando da vida. Era um sonhador. Ele escreveu colunas no Staff, no Now, foi diretor comercial do Now. Ele aparecia com a coluna lá na redação e a gente falava ‘Lá vem o Maraca com a história dele’, eram fantásticas e a gente falava: ‘Pô Maraca, dá uma aliviada’. As principais histórias eram de Saquarema e do Hawaii. Ele sempre tinha um projeto novo FANTÁSTICO e morreu sem realizar o último projeto dele, um filme sobre Saquarema” finaliza Rosaldo.

MELHOR ONDA K era o projeto em que ele estava trabalhando, finalizando e tentando viabilizar a exibição no circuito de cinemas. Já existe até um teaser com belas imagens na internet. Uma parceria ao lado de seu grande amigo Luiz Ignácio Guimarães, que estava colhendo incríveis imagens atuais, mas Maraca havia pesquisado muitas cenas antológicas de surf em Saquarema, que também estão presentes no filme.

Para divulgar o filme Maraca e Luiz Ignácio escalaram a laje de Itaúna. Estas fotos acabaram sendo utilizadas em homenagem ao Legend.


FOTO: LUIZ IGNÁCIO

A experiência de Maraca com filmes de surf no Brasil é antiga. Ele participou da produção do primeiro longa metragem, um documentário narrado pelo global Sérgio Chapelin – NAS ONDAS DO SURF, que foi exibido em cinemas de todo o Brasil em 1977.

ANÚNCIO PUBLICADO NA REVISTA BRASIL SURF NOS ANOS 1970 COM O POSTER DO FILME E UMA FOTO DE RICARDO BOCÃO DROPANDO PIPELINE DE FUNDO

MARACA E SEU PARCEIRO NA REALIZAÇÃO DE “MELHOR ONDA K”, LUIZ IGNÁCIO
FOTO: LUCIANO SANTOS PAULA

A participação de Maraca na estruturação do surf brasileiro e principalmente em Saquarema foi marcante. A partir de 1975, quando os festivais de surf foram realizados na cidade que ajudou a desbravar e escolheu para passar seus últimos dias, Rossini Maranhão participou da organização dos eventos da Ala Moana e da Copa CCE, os lendários Festivais de Saquarema. Mais tarde Maraca trabalhou com jingles comerciais. Também, ao lado de seu maior amigo e grande parceiro Otávio Pacheco, organizou eventos de longboard, do circuito mundial da ASP em Saquarema. E ainda dois eventos especiais, de pranchão, patrocinados pela Red Bull em Maresias 1998 e também na Barra, na praia do Pepê em 1999, com altas ondas e a presença de Clyde Aikau.

MARACA AO LADO DO PREFEITO E DE CAULI RODRIGUES, VENCEDOR NO FESTIVAL DE SAQUAREMA EM 1982. CAULI FOI O ÚNICO BICAMPEÃO EM ITAÚNA NA ERA DOS GRANDES FESTIVAIS PRÉ-ABRASP (78 e 82). REPRODUÇÃO VISUAL ESPORTIVO

MARACA EM MARESIAS DURANTE UM DOS EVENTOS “SURF & BEACH LEGENDS” ORGANIZADOS POR MARK LUND E CLAUJONES ANDRADE E PATROCINADO PELA OXBOW – FINAL DOS ANOS 1990
FOTO: RAFAEL SOBRAL

Vamos agora dar asas para mais algumas histórias contadas por Maraca e que gravei com ele em agosto de 2015, em uma agradável tarde em Saquarema.

MARACA, JACQUES NERY E DRAGÃO, ITAÚNA
FOTO: TONICO VASCONCELOS

A partir de 1970, de volta ao Brasil com a cabeça chacoalhada pelos caldos havaianos (ver histórias da postagem MARACA PARTE 1) e expandida por uma experiência de um solitário brasileiro na pauleira das ilhas, incentivado por amigos peruanos, shapers americanos e os mais tarimbados surfistas do Hawaii, Maraca voltou ao Brasil com novas ideias e atitudes.
Rossini Maranhão, mais uma vez com a palavra:
“Eu e Wanderbill começamos a fabricar pranchas lá na favela do Pavãozinho. Começamos a descascar pranchas e montamos uma oficina lá, com cavaletes. As pranchas chamavam MAREOCA, o mar e a casa. Uma expressão indígena, porque o mar era a nossa casa.
Depois me mudei para a Barra, perto do Quebra-Mar e trabalhávamos na oficina, eu, Wanderbill, Otávio fazendo pranchas, fizemos muitas pranchas, cada um com seus shapes. Eu encapava, lixava. Aqui em Saquarema eu trabalhei na fábrica do Betão e do Bocão, eu era o lixador. Eu cheguei a fazer muitos shapes também, mas tive uma intoxicação de espuma e resina. Eu shapeava, encapava, lixava, fazia tudo. Parei no meio dos 70, porque eu comecei a fazer os campeonatos.

BOCÃO, MARACA E BETÃO, SAQUAREMA ANOS 1970
FOTO: ARQUIVO PESSOAL BETÃO

Maraca continua: “Já nos festivais da Ala Moana (Manoel Urbano) eu ajudei a fazer tudo, ainda nos anos 70, todos os campeonatos de Saquarema eu estive envolvido com a produção. Nas reuniões precedentes, organizávamos tudo para eles realizarem o evento. Eu fazia os contatos com o pessoal daqui, tinha uma equipe que sempre ajudava.”

FINAL DE ABRIL DE 1971 – ONDA NO BAIXIO
“Quando eu voltei do Hawaii, eu passei pelo Peru, competi lá e fui sétimo no Mundial de Olas Grandes. Foi minha melhor classificação em ondas grandes em Punta Rocas. Fiquei em sétimo porque o sistema era por pontuação e quando eu cheguei lá fora o mar estava com 15 pés e eu tomei uma série na cabeça e não consegui segurar a minha prancha. Se eu tivesse conseguido pegar mais uma onda poderia ter ido até melhor e seria um dos primeiros.”

IMAGEM RETIRADA DO ÁLBUM DE FOTOS DO TITO ROSEMBERG PUBLICADO PELA MARCA TOTEM DE FRED D’OREY

“E logo na semana que eu cheguei no Rio de Janeiro, eu ainda estava na batida de Sunset, Pico Alto, Punta Rocas gigante, geral... Teve uma ressaca gigantesca no Rio de Janeiro, que provocou ondas no Arpoador que fechavam e eram tão grandes que quebrou o maior Baixio que já houve em Copacabana, surfável. Foi final de abril, ou começo de maio de 1971 (Páscoa) a água estava azul, uma coisa linda, terral, vento sudoeste.
Eu lembro que neste dia usei a gun que eu trouxe do Hawaii. Eu fiquei surfando um pouco no Posto 6, mas quando eu cheguei lá fora, pensei ‘o Posto 6 é Waikiki’ e falei para alguns amigos, vamos lá para o Baixio. Foi eu, o Mário Papinha, Canarinho, Moisés, um outro pessoal. O Betão não estava neste dia.
Quando nós fomos lá para dentro, ninguém quis entrar para a direita, porque onda mesmo, igual ao Hawaii, é ali na direita. Quando eu fui para lá, para o outro lado do pico, apareceu uma onda um pouco mais para fora. Era uma onda de uns 12 para 15 pés e pensei: ‘Caramba! Vai quebrar na minha cabeça’, e eu com uma 7’6”, sem cordinha. Eu percebi que ela encheu e não jogou para cima, decidi virar e entrar nela. Ela deu uma enchida falei, ‘É comigo mesmo’. Só que quando eu entrei na onda, como estava terral deu aquela segurada, eu pensei assim, caramba, eu vou cair aqui de cima. Mas a onda no Baixio não fica tão buraco assim. Eu não caí, vim lá de cima e surfei uma das maiores direitas que já dropei no Brasil. Eu olhei lá para baixo e lembro que demorei para chegar na base e eu andei nesta direita uma distância que eu fui parar longe, lá no Posto 4, porque a onda veio no Posto 5. Eu andei numa parede que eu fui parar no meio da baía de Copacabana. Para voltar foi a maior dificuldade, tive de achar um local que eu não ficasse no meio deste espumeiro, que não fosse tão bombástico. As espumas eram de 8 a 10 pés, vinham deslizando lá de fora.
Eu entrei na onda como se estivesse em Sunset, dei o maior viradão, fui lá em cima, desci, voltei enroscando de backside e um dos grandes testemunhos desta onda é o Cauli, ele pode contar. Eu tive a sensação do Hawaii em Copacabana, mas do Hawaii graaaandão. Não era um Havaizinho, não. Aqui TÁ grande, ahhhh... Vamos pegar umas ondas que está grande. Estava grandão.”

SAQUAREMA NO DIA QUE VIROU O BATEAU MOUCHE FOI MAIOR
(31 dez 1988) – outra história, outra década...

“Eu e Otávio salvamos uma menina, eu estava no outside de Itaúna, ondas de 12 a 15 pés. Estava, eu, Otávio, o Jacaré - Ronaldo Monteiro, pai do Raoni, que é professor de Educação Física e mais dois caras. Estávamos pegando ondas muito grandes. Era um swell oceânico, com água gelada, as ondas vinham em linhas.

Eu já vi o Carlos Burle pegar um desses aqui, que só dava para entrar nas ondas de jet ski. Estava uns 15 pés atrás da laje de Itaúna. Aqui dá onda muito grande.
Embora agora, a areia não esteja mais sendo levada lá para fora, atrás da laje, devido a construção de um píer. Então essa onda não tem aparecido muito lá fora onde antigamente era o drop e o pico. Mas temos que esperar ver um outro swell oceânico e gigantesco de leste para ver se vai quebrar. Acho que vai dar.” Refletiu Maraca, pouco mais de um ano antes de partir. Até agora essa ondulação, atrás da laje, como ele gostava de pegar (no início sem cordinhas), com os aventureiros da primeira geração de Saquá, não quebrou mais "daquele" jeito.

Neste mesmo dia de agosto de 2015, na casa de Jacques Nery, também colhi este depoimento de Otávio Pacheco sobre uma das sessões inaugurais que fizeram na Laje de Manitiba, em Jaconé.
Otávio Pacheco:  “A culpa da gente ter vindo morar aqui... Foi por causa das ondas. Era o North Shore do Rio de Janeiro. As ondas de Saquarema eram um laboratório de testes, o Maraca era um piloto de provas. E aqui, além dos fundos de areia da cidade, nós tínhamos um ‘secret spot’, que era a Laje do Jaconé, que nós começamos a surfar já naquela época. Eu caí lá a primeira vez com o Gustavo Carreira (falecido), saudoso amigo nosso, big rider.”

MARACA E UM DE SEUS MAIORES BROTHERS, OTÁVIO PACHECO
FOTO ANOS 2000 DURANTE A REALIZAÇÃO DO PRÊMIO FLUIR – RJ

Otávio Pacheco continua essa história: “Na primeira vez que caímos no Jaconé a direção da ondulação estava meio ruim e Gustavo acabou batendo com o calcanhar na pedra. Lá, ao contrário de Itaúna, você bate na laje. É uma onda selvagem, o Carreira pegou uma direita enorme, se machucou, eu peguei umas duas esquerdas, mas estava estranho. No dia seguinte eu fui buscar o Maraca, o Carreira não veio e nesse dia estava excepcional. Tinha umas ondas de 10 a 12 pés e eu vi esse cara aqui (aponta para Maraca), pegar um tubo e sair na baforada... Obviamente essa onda de Jaconé, a laje de Manitiba segundo os pescadores, é um nome indígena, mas nós chamamos de Laje do Jaconé. Ele pegou uma onda curta, mas muito intensa. Eu vi esse cara pegando dois tubos. Isso foi em 1971\72 e a partir dessa época nós começamos a frequentar essa laje. Quando Itaúna estava 12 pés fechando, ficava sem condições, nós íamos para a Jaconé. E um detalhe técnico é que não usávamos cordinha. Se perdêssemos a prancha chegávamos a nadar 40 minutos para resgatar a prancha na areia. Recentemente nós fomos ver a galera do tow-in pegar lá. Essa onda é perfeita para o tow-in. Foi o Carlos Burle, o Eraldo Gueiros e mais uma galera aqui de Saquarema, o Marquinhos Monteiro, que é nossa prata da casa. Quem mais? O Patrick... E 40 anos depois que nós caímos lá veio essa galera. E com jet ski. E realmente eles dominaram a onda. Mas nós fomos lá no peito e na raça”.
MARACA: “Deram show!
Uma vez surfando lá nos anos 70 fomos atacados por tubarões e tivemos de subir em cima da laje. A Maya Gabeira que esteve recentemente aqui, caiu em uma onda e saiu do mar como se tivesse levado um tombo de motocicleta, ficou toda ralada. É uma onda que independe do teu nível profissional, se você cair ali o risco de se machucar é muito grande. É perigosíssimo. Naquela direita eu já tive a sensação de estar 12 pés, tipo um Laniakea, mas a onda oca. Uma direita longa e muito rápida. Uma onda com fundo de pedra. Uma coisa terrível. Em Itaúna você pode até levar um caldão, mas não tem pedra embaixo.”


Maraca finaliza, sobre Saquarema: “Aqui também tem aquela magia, quando fica gigantesco de leste quebra a praia da Vila. A Vila fica igual a Pipeline. Então, eu não sei o que é melhor aqui? E você tem que ter um quiver de pranchas, porque lá na Vila as pranchas quebram como se fossem de papel. Palito. Tem dias lá que você quebra 3 pranchas e se você quiser entrar para pegar outra onda... Vai quebrar outra prancha. Se você quiser ficar jogando para dentro demais, você está arriscando. E hoje em dia está mais caro uma prancha, perto de uns R$ 1.000,00; o surf sempre foi um esporte caro. Mas aqui em Saquarema surfamos as melhores ondas de 1 a 10 pés, as mais rápidas, as mais fortes, sem o risco de você se machucar em fundo de coral.”



Otávio Pacheco e Maraca são dois de meus maiores amigos cariocas. Já fiquei na casa de Otávio em Saquarema e lembro de uma vez que Otávio veio com Maraca e ficaram hospedados comigo no apartamento do Guarujá. Eu e Otávio estávamos com longboards e Maraca veio sem pranchas nessa viagem. Quebravam umas ondas boas entre a Ilha e o Canto do Maluf, em Pitangueiras. Ofereci a Rossini uma das pranchas de meu quiver para ele cair conosco. Ele escolheu uma Tropical Brasil que eu tinha (tenho até hoje), uma 6’4” toda amarela, na qual havia colocado aqueles decks da Atomic, verdes (ficou bem patriota) não só na rabeta, mas também na parte da frente, eu sempre caía com uma lycra com essa prancha, para não assar o peito. E também nunca havia passado parafina, porque achava que não precisava e esteticamente queria deixar ela “clean”. Depois que parafinamos os pranchões, Maraca pegou a parafa e mandou bala passando em cima de todo o deck da rabeta até quase o bico. Engoli em seco, mas... ‘Fazer o que?’ É o Maraca que está fazendo isso. Um legend – a gente respeita e pronto.
Maraca e Otávio, juntos, sempre formavam uma situação um pouco hilária. As gozações rolavam na espontaneidade, mas ao mesmo tempo dava para sentir que no ar pairava uma amizade muito profunda. Guardo recordações incríveis destes mestres. Procurem na linha do tempo deste Blog: HISTÓRIAS DO SURF um pouco da sensacional carreira de Otávio Pacheco, em PARTE 1 e PARTE 2 também.


NO GRAMADO DA CASA DE JACQUES NERY, ITAÚNA
JACQUES FILMANDO MARACA, TONICO VASCONCELOS OPERANDO O SOM
OTÁVIO E PENHO AO FUNDO
FOTO: DRAGÃO

Ainda tenho declarações destes três legends: Penho, Maraca e Targão que poderei estar utilizando em meu livro, que finalmente deve começar a ser lançado (o primeiro de 5 VOLUMES), a partir do final deste ano.
Para buscar mais informações: WWW.HSURFBR.COM.BR

Para finalizar, mais algumas imagens de Maraca que venho garimpando na web, ou tenho scaneado de revistas e livros.

EXPEDIÇÃO BRASIL SURF PARA A ÁFRICA DO SUL – MID 70’s
DANIEL FRIEDMANN, RICO, FLÁVIO DIAS (COORDENADOR DA EQUIPE E SÓCIO DA REVISTA BRASIL SURF), BOCÃO E MARACA

ESTA FOTO FOI RETIRADA DE UMA DAS PÁGINAS DO LIVRO DE ALEX GUTENBERG: “HISTÓRIA DO SURF NO BRASIL – 50 ANOS DE AVENTURA”, PUBLICADO EM 1989
SURFISTAS DE PÉ: RICARDO MEYER – KADINHO, MARACA, PAULO PROENÇA – RATÃO, OTÁVIO PACHECO – TARGÃO, E AGACHADO PETIT – MENINO DO RIO E AS GAROTAS CARIOCAS
FOTO: MÚCIO SCORZELLI

MARACA EM FOTO RECENTE AO LADO DE SUA COMPANHEIRA HELOISA WILLON
FOTO RETIRADA DO FACEBOOK DE HELOISA

1967, TITO ROSEMBERG REGISTROU A VIAGEM QUE FEZ COM MARACA (SENTADO NO BANCO DE PASSAGEIRO) COM SEU JIPE, DE SAQUAREMA ATÉ ARRAIAL DO CABO

EQUIPE WAIMEA: WANDERBILL, IANZINHO, OTÁVIO E MARACA
RECORTEI DA INTERNET
(DESCOBRINDO O AUTOR DO CLIC... EU GOSTARIA DE CREDITAR)


Este blog anda em paralelo com o projeto do livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO, já entrevistei ao redor de uma centena de surfistas, em diversos Estados do Brasil, graças ao apoio dos parceiros que figuram ao lado. Ainda tenho muitas vivências inéditas, depoimentos fantásticos para colocar neste blog e também no livro. Pretendo deixar estes registros descontraídos para consulta de todos os interessados em conhecer esta história.

No livro, elaborado de forma mais técnica e profissional, as fotos selecionadas serão remuneradas com uma tabela de respeito pelo trabalho destes fotógrafos que preciosamente registram essa bela história. Continuo a fazer este blog com paixão e convido empresas que recolham ICMS em São Paulo para participar do projeto de concretização do LIVRO e terem seu logo veiculado aqui (na coluna da direita).

Para informações, no LINK abaixo, utilizem o Número de Código do Projeto: 21390


sexta-feira, 26 de maio de 2017

WCT BRASIL – 10 CAMPEÕES

Adriano de Souza se consagra em Saquarema
O Circuito Mundial de Surf passa pelo Brasil desde seu nascimento com a IPS em 1976, há mais de 40 anos. Nos eventos da elite (o WCT), conquistamos apenas 10 vitórias e Adriano de Souza é o único bicampeão.

MINEIRINHO ESTAVA EM PLENA SINTONIA COM AS ONDAS DE ITAÚNA
IMAGEM RECORTADA DOS ARQUIVOS DA WSL

Esta postagem vai glorificar os surfistas brasileiros que venceram a etapa de nosso país. Em todos estes anos o domínio australiano foi notório, eles levaram 22 eventos do WCT aqui realizados, mais da metade. Dave Macaulay (Mister Brazil), é o único tetracampeão; Taj Burrow e Kelly Slater têm 3 títulos; os bicampeões são John John, Mick Fanning, Damien Hardman, Cheyne Horan, Tom Carroll e agora Adriano de Souza.  
A etapa brasileira passeou pelas praias do Rio (Arpoador, Quebra-Mar, Prainha, Barra e até triagens na Macumba); SC - Floripa (Joaquina e a Caldeira do Diabo perto do Morro das Pedras), a praia do Silveira em Garopaba, na Vila de Imbituba aconteceram eventos antológicos; SP - nosso WCT passou pelo Guarujá em Pitangueiras e por Itamambuca em Ubatuba; criou raízes na Barra da Tijuca (Barramares e Postinho) e foi ao berço espiritual de Saquarema em 2002 e agora em 2017 novamente. Todas estas passagens e eventos serão destacados nos 5 VOLUMES do livro, “A Grande História do Surf Brasileiro” que tem previsão de lançamento a partir de 2017, 2018... A produção total prevê 660 páginas com informações históricas.
E por aí vamos, ao sabor de nosso mercado e das peripécias de nossos políticos que tanto afetam nossas vidas. Não podemos crucificar totalmente o poder público que também injetou valores significativos para a concretização de grandes eventos de surf.
Mas o momento agora é de celebrar!

DANIEL FRIEDMANN, DE BRANCO E PEPÊ LOPES, CAMPEÃO DE 1976
QUEBRA-MAR DA BARRA DA TILUCA, 1977 – FOTO: FEDOCA LIMA

NOSSOS 10 CAMPEÕES DO WCT BRASIL

1976 – PEPÊ LOPES
1977 – DANIEL FRIEDMANN
1990 – FABIO GOUVEIA
1991 – TECO PADARATZ
1998 – PETERSON ROSA
1999 – ANDRÉA LOPES
2010 – JADSON ANDRÉ
2011 – ADRIANO DE SOUZA
2015 – FILIPE TOLEDO
2017 – ADRIANO DE SOUZA

Em 1977 a primeira final 100% brasileira da (atual) Liga Mundial de Surf. Naquela época a entidade se chamava IPS (International Professional Surfers) a primeira organização do surf profissional no mundo.

DANIEL FRIEDMANN EM FOTO EXTRAÍDA DO PORTAL DA ALMA SURF E QUE TAMBÉM FOI A ABERTURA DA MATÉRIA DO WAIMEA 5000 DE 1977 NA REVISTA BRASIL SURF
FOTO: KLAUS MITTELDORF

Ninguém imaginava que levaria 13 anos para um brasileiro vencer novamente uma etapa do primeiro escalão do Circuito Mundial de Surf Profissional. O autor da façanha foi Fabinho Gouveia.

CAPA DA REVISTA HARDCORE NÚMERO 17, GOUVEIA CARREGA UMA GUN NO HAWAII
FOTO: ALBERTO SODRÉ
A EDIÇÃO TRAZ A COBERTURA DO HANG LOOSE PRO CONTEST REALIZADO NO CANTO DO MALUF EM OUTUBRO DE 1990
A PRIMEIRA SEMENTE DA BRAZILIAN STORM FOI PLANTADA EM 1988, NO MUNDIAL AMADOR DE PORTO RICO. TECO & FABINHO
FOTO: BETO ISSA
 EM 1991 FOI A VEZ DE TECO PADARATZ FAZER AS HONRAS DA CASA, VENCENDO O EVENTO DA ALTERNATIVA. PEPÊ LOPES, QUE ATÉ 1990 ERA O DIRETOR DO CAMPEONATO DO RIO DE JANEIRO, NA BARRA DA TIJUCA, FALECEU EM UM ACIDENTE DE ASA DELTA NO JAPÃO EM ABRIL DE 1991, DANIEL FRIEDMANN ASSUMIU A DIREÇÃO DE PROVA A PARTIR DESTA ETAPA
FOTO: AGOBAR JUNIOR

Foram mais seis anos vendo os gringos levantarem nossa taça até que Peterson Rosa, com uma performance espetacular, com um aéreo (ainda raro em competições) em plena final do evento, levou à loucura o público na Barra da Tijuca.

CAPA DA FLUIR DE NOVEMBRO EM 1998, A ÚNICA ETAPA DO WCT NO BRASIL FOI PATROCINADA PELA MARATHON (ISOTÔNICO). A FOTO DE AÇÃO DESTA CAPA É DE UMA EXPRESSION SESSION NA EUROPA, EM LACANAU. FOTO: TONY FLEURY. O INSERT DELE ERGUENDO O TROFÉU É DE SEBASTIAN ROJAS

No ano seguinte foi a vez de Andréa Lopes vencer o Rio Marathon Surf International na Barra da Tijuca. Foi a primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT, já na era da ASP.


ABERTURA DE MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE NÚMERO 122 DA REVISTA INSIDE NOW EM 1999. ANDRÉA FOI A RESPONSÁVEL POR PAVIMENTAR A TRILHA DO SURF FEMININO PROFISSIONAL PARA SUAS SUCESSORAS NA ASP: TITA TAVARES, JACQUELINE SILVA E SILVANA LIMA. FOTO DE MARCUS MENDONÇA
ANDRÉA LOPES EM CAPA DA REVISTA ALOHA (UMA PUBLICAÇÃO DA HARDCORE) EM 1998.
PUPUKEA, HAWAII, FOTO DE MARCELO PRETTO

Mais 10 anos em branco, sem nenhum de nossos surfistas desfraldar a bandeira brasileira rumo a um pódio de WCT na pátria mãe, até que Jadson André, arrebatador, venceu Kelly Slater numa final eletrizante em Imbituba.

EM 2010 OS AÉREOS INOVADORES DE JADSON FAZIAM A DIFERENÇA, O GRAU DE ACERTO DELE NESTA MANOBRA ERA FEROZ. PRAIA DA VILA IMBITUBA, ESQUERDAS LONGAS E PERFEITAS, CENÁRIO IDEAL PARA O BRASILEIRO ACELERAR E USAR SUA ARMA MORTÍFERA NA FINAL CONTRA A GRANDE ESTRELA, SLATER, NO AUGE NA ÉPOCA
FOTO RETIRADA DA COBERTURA DO GLOBO ESPORTE: DANIEL SMORIGO

Estávamos começando a engrenar de vez quando no ano seguinte o evento voltou para a Barra da Tijuca e Adriano de Souza vibrou muito e chorou ao lado da torcida brasileira, momento emocionante que foi escalado para ser uma das fotos da capa do VOLUME 1 dos livros que comporão “A Grande História do Surf Brasileiro”.

PROPOSTA DE CAPA DO LIVRO COM ARTE E PROJETO GRÁFICO DE FERNANDO MESQUITA
ADRIANO DE SOUZA, DE LYCRA AZUL, ERGUENDO A PRANCHA \ TROFÉU, NO BILLABONG RIO PRO DE 2011
FOTO: BASÍLIO RUY

VEJA TODOS OS CRÉDITOS DAS FOTOS DESTA CAPA EM: WWW.HSURFBR.COM.BR

Na década de 10 os surfistas brasileiros entraram de sola e começaram a conquistar pódios seguidos. Uma de nossas estrelas, Gabriel Medina, ainda busca uma vitória no WCT brasileiro, embora tenha vencido o HD Pro Junior World Championships de 2013 na praia da Joaquina. Em 2015 a vitória de Filipe Toledo no Postinho da Barra da Tijuca foi o evento de surf com maior cobertura na mídia brasileira – todos os tipos de veículos. E a torcida brasileira fez a diferença.

REPRODUÇÃO DA REVISTA SURFAR. FILIPINHO E A GALERA EM 2015.
MOMENTO MARCANTE REGISTRADO POR PEDRO TOJAL

A expectativa é que as praias de Saquarema, renomadas pela consistência, poder, perfeição e qualidade de suas desafiadoras ondas, permaneçam como a sede do WCT brasileiro. O point de Itaúna foi o palco ideal para Adriano de Souza se transformar no primeiro bicampeão brasileiro da etapa da WSL. Nosso “Maracanã”, para os surfistas desfilarem sua categoria.

VISÃO AÉREA DE ITAÚNA DURANTE O OI RIO PRO 2017
IMAGEM RECORTADA DA COBERTURA DA SURFLINE, FOTO: SEBASTIAN ROJAS

Saquarema e especificamente a praia de Itaúna proporcionou eventos épicos para o surf brasileiro e internacional, decidiu campeões nacionais e impressionou surfistas dos quatro cantos do globo. Os maiores surfistas que o Brasil já formou, treinaram, graduaram-se e venceram eventos em Itaúna.

OTÁVIO PACHECO, RICARDO BOCÃO, RICO DE SOUZA E CAULI RODRIGUES PRONTOS PARA ENCARAR AS ONDAS DE ITAÚNA EM 1978, QUANDO AINDA NEM EXISTIA UM CIRCUITO BRASILEIRO. CAULI FOI O VENCEDOR DE 1978 EM EVENTO PATROCINADO PELA ALA MOANA
FOTO: FERNANDO “FEDOCA” LIMA

AUTO-RETRATO (SELFIE) DO MAIS LONGEVO FOTÓGRAFO, ATIVO DESDE OS TEMPOS DA SAUDOSA BRASIL SURF – FERNANDO MENDONÇA LIMA, ITAÚNA 2017.
NÃO É À TOA QUE FEDOCA É O ÚNICO FOTÓGRAFO AUTOR DE 2 FOTOS NO PROJETO DA CAPA DO LIVRO EXIBIDA ACIMA
FOTO: FEDOCA

Depois de muitas histórias voltamos à realidade do momento. Os surfistas da elite passaram por Saquarema e seguem para Cloudbreak em Fiji. Mais adrenalina e emoção. A história do surf brasileiro continua a ser escrita e um grande ingrediente do Oi Rio Pro 2017 foi a performance do wildcard Yago Dora.

YAGO DORA DE BACKSIDE, OU DE FRONT, DEU SHOW EM ITAÚNA
FOTO: FEDOCA LIMA. IMAGENS DE FEDOCA RECORTADAS DO SITE RICOSURF

A performance de Yago, derrotando três campeões mundiais no processo, valeu um novo convite de wildcard para o OuterKnown Fiji Pro, patrocinado pela marca de Kelly Slater que entra para ajudar a bancar a mais cara e glamorosa etapa da WSL.
Para finalizar, vejam essa imagem que recortei de uma matéria recente no site da WSL (tradução logo abaixo como legenda da foto).

NA FOTO A CHAMADA DIZ “DORA TIRA JOHN JOHN FLORENCE”, DESTACANDO QUE O WILDCARD DO OI RIO PRO FORÇOU A SAÍDA MAIS PREMATURA DO ATUAL CAMPEÃO MUNDIAL NESTA TEMPORADA, NO ROUND 3. MAIS INTERESSANTE AINDA É A DECLARAÇÃO DE MICK FANNING QUE VEM NO TEXTO LOGO ABAIXO DA FOTO
FANNING, QUE FOI UM DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DERROTADOS POR YAGO DURANTE O OI RIO PRO, AO LADO DE MEDINA E JJ FLORENCE, DISSE SOBRE YAGO: “ESSE GAROTO NÃO É BRINCADEIRA, ELE É UM GRANDE SURFISTA E O FATO DE TER DERROTADO TANTOS CAMPEÕES MUNDIAIS, DA FORMA COMO ELE FEZ, DEVEMOS FICAR ESPERTOS. ACHO QUE ELE TERÁ UM FUTURO BRILHANTE. FICO EXCITADO COM ISSO, GOSTO DE VER QUANDO APARECEM ESTES SURFISTAS JOVENS EM ASCENSÃO E ATIRAM UM GATO NO MEIO DOS POMBOS.”
A REPORTAGEM SOBRE YAGO DORA FECHA COM A EXPECTATIVA DE BOAS ONDAS PARA A ETAPA DE FIJI, QUE TERÁ INÍCIO NO DIA 4 DE JUNHO PARA OS HOMENS E ANTES AINDA PARA AS MENINAS
IMAGEM RECORTADA DO SITE DA WSL


Aguardem para breve a segunda parte da entrevista que fiz com o legendário surfista Maraca, em minha última viagem a Saquarema (agosto de 2015), com destaque para o relato de um mar gigante que ele surfou no Baixio de Copacabana. Preservar histórias, imagens e fatos que dão gosto de ler e conhecer. Este é o objetivo deste blog.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CAIO IBELLI TOCA O SINO

E as estrelas da WSL migram para Saquarema

O surfista do Guarujá Caio Ibelli é o quarto brasileiro que tem a honra de tocar o tradicional sino, troféu ofertado ao campeão (e vice) do evento Rip Curl Pro Bells Beach, no Estado de Victoria, no sul da Austrália.

CAIO IBELLI COM O “SININHO” DE VICE-CAMPEÃO EM BELLS BEACH
FOTO: KELLY CESTARI \ WSL

A performance do brasileiro na emblemática onda australiana entra para a história. Caio exibiu uma bela linha nas perfeitas, porém difíceis de serem bem surfadas, direitas de Bells Beach. A bateria final foi de alto nível, com ambos os surfistas atingindo scores acima de nove. Resultado final: Jordy 18,90 contra 17,46 de Caio.

CAIO COM ESTILO PERFEITO NO BOWL DE BELLS DURANTE O ROUND 2

O SINO PRINCIPAL, COM O SUL AFRICANO JORDY SMITH, TRAZ O NOME DE TODOS OS 55 CAMPEÕES ANTERIORES DO EVENTO
FOTOS: CESTARI \ WSL

Caio Ibelli é um mês mais velho do que Gabriel Medina, ambos nasceram no final de 1993 e estavam juntos na histórica final do Quiksilver - King of The Groms de 2009, na França, na qual Medina conseguiu seu primeiro score perfeito de 20 pontos numa final. A carreira de Gabriel decolou antes, de forma vertiginosa, com duas vitórias no WCT já em 2011, o título mundial Pro Junior de 2013 e o WCT do último ano da ASP em 2014.

Vou aproveitar este blog para contar uma pequena história. Comecei a trabalhar mais forte na montagem de meu livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO a partir de 2012. De 2010 a 2012 eu trabalhei no marketing da HD, que estava sendo reativada pelo Grupo Eixo. Não participei da contratação de Adriano de Souza, que mais tarde veio a se transformar no segundo campeão mundial de surf profissional masculino do Brasil, com patrocínio de uma marca 100% nacional, mas cheguei a estruturar uma equipe com campeões mundiais como Pedro Henrique, Pablo Paulino, Leco Salazar (SUP) e outros grandes atletas, como Renan Rocha, Ricardo Ferreira, Lucas Chumbinho... Durante este processo de montagem da equipe (ainda em 2010), fui visitar meu amigo Luiz Henrique Campos, o Pinga, que cuidava da equipe da Oakley e tinha como um dos atletas que trabalhava desde muito jovem – Caio Ibelli. Minha ideia era colocar a HD no bico da prancha de Caio, mantendo a Oakley como patrocinadora de eyewear. Lembro bem de uma das frases espontâneas de Pinga nesta reunião: “Você está querendo me tirar o Neymar”. Vejam bem, estamos falando de 2010, era o ano da Copa da África e Neymar era uma estrela “potencial” do futebol mundial, como Medina e Caio. A ideia não vingou. Ibelli ficou na Oakley. Falamos sobre as carreiras de Gabriel, Adriano e do potencial de um surfista como Caio Ibelli... A “Brazilian Storm” nem estava no horizonte.
Chegou 2014, apesar de Neymar, o Brasil naufragou na Copa de Futebol e Gabriel Medina salvou a honra da nação em Pipeline, no final daquele ano. Veio 2015 e consolidamos a posição brasileira na (agora) WSL, com a vitória de Adriano de Souza e diversos outros títulos, entre eles a conquista do QS por Caio Ibelli.

Em fevereiro de 2010, Caio estava com 16 anos, eu assistia na internet a transmissão do campeonato da Pena realizado em Fernando de Noronha, com ondas imensas, paredes de 4 metros. Me chamou a atenção uma rasgada de backside dele com muita segurança, borda enfiada na água, torque, pressão acima e além de sua idade. Para mim ficou claro, ali naquele momento, que era um surfista fora de série. Mesmo antes de eu me tornar um jornalista de surf, sempre tive muito faro para perceber novos talentos surgindo, não só no Guarujá. Primeiro com Paulo Tendas e Tinguinha. Depois com Taiu e Jorginho Pacelli, atirados "beyond their years" (precocemente) nas ondas grandes de Pitangueiras. Com Caio foi a mesma coisa. Eu já havia reparado naquele loirinho arrepiando as valinhas entre a Ilha e o Maluf, mas aquele glimpse da onda gigante na Cacimba do Padre foi algo especial. Outro talento da Ilha de Santo Amaro, que eu trouxe para a equipe HD com 10 anos de idade foi Eduardo Motta, da Prainha Branca. Hoje ele está na Billabong e é um dos maiores vencedores das categorias de base do Brasil. Tudo aponta para uma carreira brilhante, é só seguir o esquema e os passos que foram dados por Mineirinho e Ibelli, com a visão de Pinga; ou ainda como Charles direcionou a carreira do enteado Medina. No caso de Mottinha, não tem como dar errado. Será outro grande talento do Guarujá.
Voltando ao caso de Caio Ibelli, naquele mesmo ano de 2010 ele já se apresentou como um dos poucos brasileiros, a estampar uma capa da revista Surfing da Califórnia, em uma onda de "responsa". Já com 17 anos a promessa estava se concretizando, no ano seguinte viria o primeiro título mundial.


CAIO IBELLI, INDONÉSIA, CAPA DA SURFING DE DEZEMBRO 2010
FOTO: JIMMY "JIMMICANE" WILSON

RECORTE DO ÁLBUM DE FOTOS DA WSL, FOTOS DO INÍCIO DE 2012. CAIO IBELLI FOI CAMPEÃO MUNDIAL PRO JUNIOR DE 2011, AO LADO DA HAVAIANA LEILA HURST

Vamos recordar um pouco mais. Esta final da temporada 2011 do Billabong Pro Junior foi disputada na Gold Coast, no point break de Burleigh Heads e Caio derrotou o australiano Garret Parkes, em um raro playoff, após acabarem empatados no ranking.

Dois anos antes foi a vez de Silvana Lima se transformar na primeira brasileira a vencer em Bells Beach. Silvana ficou por duas vezes com o vice-campeonato mundial, lutando bravamente em uma fase avassaladora de hexacampeã Stephanie Gilmore, adentrando esta década de 10.
APÓS A VITÓRIA DE 2009 SILVANA LIMA FEZ ESTA TATUAGEM
IMAGEM RECORTADA DO SITE EXPLORER GIRLS.COM

Silvana Lima saiu e regressou ao WCT feminino por duas vezes nesta década e continua sendo a grande expoente do surf feminino brasileiro da atualidade. Estamos trabalhando para cobrir esta lacuna da categoria feminina, isso em meio a fase mais gloriosa entre os homens.


SILVANA VOANDO EM BELLS, 2017. A ÚNICA BRASILEIRA ENTRE AS 17 SURFISTAS DE ELITE E A MAIS VELHA E TARIMBADA DAS TOP 17, AOS 32 ANOS
FOTO: ED SLOANE \ WSL

Voltando mais ainda no tempo, é importante lembrar o pódio de Teco Padaratz em Bells. Também segundo colocado na “longínqua” temporada de 2000, ano em que, durante o recesso de Kelly, Sunny Garcia sagrou-se como o segundo havaiano a erguer a taça da ASP (após Derek Ho – 1993). Teco foi o melhor brasileiro na elite em 1994 (8º) e em 2000 (10º), fora suas duas vitórias no WQS, primeiro campeão em 1992, quando houve a divisão oficial entre WCT e WQS e primeiro bicampeão do QS em 1999. Seu irmão Neco também seria um dos poucos bicampeões do QS nas temporadas de 2003 e 2004. Flávio Padaratz fez a final de Bells em uma bateria que foi levada para um pico secreto no belo cenário da Great Ocean Road, no Estado de Victoria.

SUNNY GARCIA E TECO PADARATZ  RIP CURL PRO BELLS 2000
FOTO: ARQUIVOS DA WSL

Em 2013 Adriano de Souza foi o primeiro surfista da categoria masculina a conquistar o badalado sino. A euforia foi tanta que Mineirinho arrancou o sino e isso entrou para a história também.

Voltando para 2017, de Bells que tem campeonatos realizados desde o início dos anos 1960, a elite prepara as malas para enfrentar as ondas de Saquarema. Quase tão emblemática quanto Bells, a praia de Itaúna entrou para o cenário das competições em 1975, com ondas espetaculares e a vitória de Betão Marques no primeiro Festival Nacional lá realizado. Saquarema foi o palco de eventos incríveis e quando foi inaugurado o Circuito Brasileiro de Surf Profissional – ABRASP, em 1987, estava presente com o Town & Country Pro, vencido por Fred d’Orey. Apenas em 2002 a praia de Itaúna foi a sede da etapa brasileira do WCT da ASP, com vitória de Taj Burrow.

REPRODUÇÃO DE UMA DAS PÁGINAS DUPLAS DE ABERTURA DO
VOLUME 1 DO LIVRO A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO

RECENTEMENTE FORAM REALIZADAS ETAPAS DO WQS EM ITAÚNA, COM MUITO SUCESSO E ONDAS DE RESPEITO
FOTO: PEDRO MONTEIRO
ARTE DE FERNANDO MESQUITA

A expectativa é grande, a partir de 9 de maio de 2017, com o início do período de espera (até dia 20), da quarta etapa do WCT da WSL. Aguardem uma análise da participação brasileira neste evento aqui no blog HISTÓRIAS DO SURF, bem como uma outra postagem com a PARTE 2 da entrevista com Maraca, uma homenagem mais profunda a este grande surfista brasileiro, que passou seus últimos dias morando em Saquarema.
Todas estas informações e muitas outras estarão presentes no livro A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO, que tem a previsão de ser lançado a partir do final deste ano.

A abertura do livro (em cada um de seus 5 VOLUMES de 132 páginas cada - obra TOTAL 660 páginas) prevê a apresentação de três fotos históricas, com imagens representativas de SURFISTAS \ PRAIAS \ CAMPEONATOS nas páginas duplas de abertura. Além da imagem acima, já estão montadas as artes abaixo, com projeto gráfico de Fernando Mesquita.


(click e amplie as imagens que dá para ler)


E um esboço da capa (que ainda pode sofrer alterações).
Lançamento do livro previsto para novembro 2017.
LEGENDAS DA CAPA (click e amplie)

Convido novos potenciais apoiadores ao projeto, que inclui este blog, para participar. Em fevereiro deste ano o projeto do livro (apenas para o VOLUME 1 de 5), foi aprovado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo no PROAC-ICMS, com o Número 21390, aberto para consulta pública.


Para mais informações: WWW.HSURFBR.COM.BR